Ecos da Teologia da Libertação

Quem imaginava que a chamada Teologia da Libertação estava morta e sepultada enganou-se. Quando o assunto envolve alguma seita cristã, sempre há o pós-morte, mais conhecida como ressurreição, para mim, a maior jogada do marketing da Igreja Cristã dos Santos de Todas as Eras.

Ressurreições à parte, andam circulando por aí certas noticias perturbadoras dando conta de que um dos muitos escritores militantes desse póstumo movimento pretende “relançar” um de seus livros, cujo foco era a TL (não sei se ele escreveu mais de um sobre o tema). Chamo ao evento de perturbador não pelo aspecto político ou apologético, para mim, não tinha importância antes e continuará não me incomodando. Cada um acredita no que quiser e ninguém tem nada com isso.

A Teologia da Libertação recebeu muitas críticas do pessoal da direita (gente do atual Papa Hatzinger – Bento XVI -, que à época (anos 60 -70) era só cardeal, se tanto, calvinistas, gente da ortodoxia, mackenzistas, pessoal da Editora Vida Nova, da Mundo Cristão, Betânia e outras editoras onde a primeira língua era o inglês, etc.). Claro que estou me atendo ao que rolou em terras brasilis, se é que houve Teologia da Libertação em outro lugar. Bom, talvez alguns colombianos, bolivianos e argentinos tenham ouvido falar dela, muito embora ela tenha sido trazida dos Estados Unidos, onde ninguém deu a menor bola para essa mula sem cabeça. Sabe como é, todas as porcarias que não florescem por lá, eles mandam para cá ou para a África. A história de Missões está recheada de exemplos a respeito.

Lembro perfeitamente de um de nossos professores, o Richard Sturz, fazendo cruzada pelas salas de aula contra a TL, coitadinha. O cara era incansável, subindo e descendo aquelas cansativas escadas com a bandeira antiteológica, afinal quem era contra essa ou aquela teologia merecia essa designação. O paradoxo era o fato de ele ser professor de teologia, não da libertação, mas da que os teólogos da libertação sugeriam como sendo da escravidão, a mesma que a Editora Vida Nova e congêneres continuam promovendo e abrigando em suas dependências.

Aquele cara nos obrigou a ler carradas de besteiras marxistas, comunistas, esquerdistas e todas essas baboseiras de cor vermelha, de Trotski a Boff. Em breve será de Trotsky a Gondim. Se o cara pretendia liquidar com a TL por ser adepto do capitalismo cristão da livre iniciativa, seu tiro saiu pela culatra, porque acabou fazendo um monte de adeptos a favor dela. Você sabe como é estudante inseguro com autoimagem já negativada por pais, psicólogos e pastores, aceita qualquer bobagem como sendo verdade absoluta. Vir ao Brasil das caatingas, favelas e morros habitados pelos excluídos dizendo que Jesus era amigo deles e por eles morreu, para que eles tivessem vida nos vales da opulência, ao invés dos nojentos cidadãos da classe média e acima dela, era como pregar no deserto a respeito de água potável e farta para todos os sedentos, logo ali no primeiro oasis.

Sabe, o que me incomoda, mais do que toda essa miserabilidade material que estamos carecas de sofrer, para todo lado que olhamos, além do cinturão de riqueza nas imediações das zonas sul e oeste de São Paulo, onde petistas adoram habitar e eu também, é gente que se alia com o diabo só porque ele prega a favor dos pobres e oprimidos matériais, incompetentes voluntários ou involuntários. A leitura marxista da bíblia preconizada pelos teólogos da libertação seja do Genésio (Leonardo Boff), do Gutierres ou do Rubem (Rubem Alves) é tendenciosa. Eles, com toda sutileza que o saber magnânimo que eles conquistaram nos Estados Unidos e na Europa, empregam um ritmo dialético materialista à teologia deles e fazem o “oposto igual” aos teólogos da prosperidade.

Se não me engano, Jesus Cristo bíblico, para quem gosta de inerrància da bíblia, cansou sua beleza tentando explicar que ele viera para os doentes, ou seja, gente leprosa, aleijada, cega, surda e muda e todas as outras atrocidades físicas conhecidas na época e após ela, acrescentando mais uma preocupação, a saúde espiritual de toda a raça humana. Cansou de salientar que se buscássemos o Reino de Deus (leia-se vida espiritual sadia e divinamente inspirada) as outras coisas (que ele identificou claramente como sendo o que comer, vestir e nos proteger da chuva) nos seriam acrescentadas.

Claro que eu respeito esses senhores citados todos. Alias tenho até medo de ouvi-los falar e ser convencido por eles de suas ideias diabólicas e vermelhas. Eles são feras em seus saberes e eu tenho a autoestima de um cãozinho vira-lata abandonado pelas ruas de Sorocaba. Eles não precisariam nem de trinta anos para me convencer. Quanto ao Rubem Alves inclusive, devo-lhe o apetite pela leitura que ele despertou em meu filho com seus livros infantis e altamente educativos. Seguramente o lugar dele era a educação e não a teologia, para quem ele se declara anátema em sua autobiografia. Pena que ele nunca conheceu o Sistema Vocacional de Ensino e a Profª Maria Nilde Mascellani.

Se não gosto de capitalistas neoliberais, selvagens e seus congêneres, não sou obrigado, de outro lado, a me associar ao marxismo liberal, selvagem e burocrático dessa gente feia adepta do quanto pior melhor. A finalidade ultima desses é tão perniciosa quanto a dos primeiros. O pior de tudo é que o Jesus crístico da bíblia dista desses dois lados como o Sol dista da Terra. Salvo engano.

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O fim trágico das “sacolinhas de supermercados”


Então chegou o dia da “saculinha”, ou seja, a partir de agora você vai a um supermercado comprar, consumir, clientar um monte de itens, grande parte antiecológicos, a começar daqueles que foram divinamente preparados com agrotóxicos, os transgênicos, os encharcados de hormônios, os não biodegradáveis e um monte de outras porcarias cancerígenas.

Depois de pagar uma grana considerável por tudo isso, onde boa parte (40%) irá engordar os cofres do Banco Central do nosso amado governo, onde não há corrupção alguma (tudo invenção da Veja e do Estadão) e daí, precisará se virar para levar tudo que comprou. Você poderá adquirir umas sacolas de pano (tão ou mais não degradáveis que as de plástico) por preços módicos, ali mesmo no caixa ou colocar tudo nos seus bolsos. Os donos dos supermercados avisam que não permitirão que você utilize os carrinhos para levar seus badulaques até seu carro.

Tudo isso devidamente respaldado por decisões judiciais, aquelas que os juízes resolvem, sim por que os senhores magistrados brasileiros entendem de tudo e deliberam sobre tudo sem dignarem-se a ouvir os idiotas que se especializam em suas áreas e muito menos a opinião pública. Para que? Se esses senhores e senhoras que militam a justiça ganhando salários desproporcionais com a nossa realidade fossem mesmo conscientes de seu papel teriam determinado que os supermercados continuassem disponibilizando as “sacolinhas” aos clientes que as desejassem usar, gratuitamente. Ratificando assim, o direito democrático do cidadão em decidir o que é melhor para cada um.

Pior é que ainda precisamos tirar o chapéu para os caras, pois eles fizeram a lição de casa direitinho ao convencer todos mundo que as “sacolinhas” eram antiecológicas e precisavam ser proibidas. Como diria o personagem ilusionista do John Travolta em Swordfish “As pessoas acreditam naquilo que veem”.

A vida é fácil mesmo e os supermercados colaboram tanto para facilitar tudo para nós, não é mesmo?
Povo que aceita tudo sem reclamar merece.
Vocês venceram de novo!
La se vai outro violão Di Giorgio novinho pra caixa prego.

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O maior blogueiro cristão


 

Um imbecil, de quem não citarei o nome por motivos óbvios, fez uma chamada, via Twitter, para um evento que ele parece estar organizando, no Rio de Janeiro e generosamente escalou-se como um dos palestrantes. Entre os tais, está ninguém menos do que o Dr. Shedd, que foi meu professor de Bíblia nos tempos áureos e outros nomes até respeitáveis. O cidadão mencionado, talvez por não dispor de currículo melhor, resolveu se auto promover a Maior Blogueiro Cristão.

Evidentemente, não sei o significado de tal título. Olhei o medidor de visitas do blog dele e constatei que não é, nem de longe, o mais visitado. Sem falar que o cara usa um daqueles contadores que você pode alterar e mandar o número que desejar. Se ele pensou em maior, literalmente, ou seja, pensando-se um individuo grande, seja em altura ou em largura, sabemos que tal não procede. Até eu sou mais alto que ele, se não me engano, e nem preciso recorrer a ajuda do Volney, para arrasar o cazzo.

O que me incomoda quando encontro disparates como esse é sentir vergonha pelos amigos que são, em verdade, os maiores prejudicados. Dia desses o Roger, com a gentileza que o caracteriza, criou o que ele chamou de Clube da Capa Encardida e incluiu blogueiros como Tuco Egg, Rondinelly, Alysson Amorim, Volney Falstini, Ricardo Q. Gouvêa, Elienai Cabral Jr., Paulo Brabo, Rubinho Osório, Lou Mello, Ricardo Gondim, Nelson Costa e Roger Brand. Só aqui, exceção feita a mim, só tem blogueiro da pesada. Todos eles, caso a caso, são melhores blogando do que a figura, mesmo que sejam obrigados a escrever submersos no navio Costa Concórdia ou em meio a reintegração de posse do Pinheirinho, vendados e com mãos e pés atados. Tá certo que parece um clube do bolinha, mas não por culpa de ninguém, muito menos do Roger, mas está faltando`, por exemplo, a Dalwany, a Lussandra, a Georgia ou outra das excelentes blogueiras que conheço editarem um livro com capa envelhecida, também, para entrar nesse time. Se bem que o que estou fazendo aqui é dar uma amostra para esse maior infeliz cristão do tamanho da mentira que ele está pregando via Twitter.

Se o problema for quantidade de visitação ao blog, há os imbatíveis Pavablog, do nosso amigo Pavarini e a blogueira Ana Paula Valadão, campeões verdadeiros de audiência blogal cristã. Sem falar no Silas Malafaia, independente de nossas preferências, um gigante em termos de visitação em seu blog.

Provavelmente esse cidadão não come vagem, nem é muito chegado a uma boa viagem. Parece que gosta mesmo é de retrato. Retrato, vagem, não importa, o fato é grave. Além da vergonha que estou sentindo pelos meus amigos citados, também me envergonho ao ver meu estimado professor de bíblia sendo usado por esse inescrupuloso blogueiro, que se arvora em maior blogueiro cristão.

Vá cata coquinho, meu!


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Não evangelize em hipótese nenhuma

Desde que me converti ao cristianismo protestante (sim eu o fiz) ouvi dizer que era imperativo evangelizar. Como todo mundo faz, a principio, não duvidei e sai por aí, evangelizando. Claro, no principio, meus métodos de evangelização eram os mais rudimentares. Imagine você, eu comprava folhetos lá na Livraria Internacional, na conhecida Galeria dos Crentes, ao lado da Galeria do Rock, na rua 24 de maio, centro de São Paulo, e ia entregando a todas as vitimas infelizes que de mim aproximavam-se ou permitiam minha aproximação. A balconista da livraria, recomendada pelo Marcinho, vim a saber depois que era mais uma das paqueras do crioulo, um dia sugeriu que eu levasse logo uma caixa das Quatro Leis Espirituais, boa vendedora que era, em todos os sentidos.

Isso correu bem durante os primeiros meses de novo convertido ao protestantismo, mezzo calvinista, mezzo pentecostal. Um belo dia, após receber meu polpudo cheque salário, pelos suados dias de trabalho do abnegado professor de educação física, como qualquer inocente faria, dirigi-me ao Banco Frances e Brasileiro, contra quem o cheque fora emitido. Depois de bom tempo na fila do caixa, fiquei frente a frente com um homem bem mal encarado, com cara de mafioso mesmo, sentado no lugar onde deveria estar uma linda moça, cheia de vontade de se converter ao protestantismo. No segundo que antecedeu nossa transação bancária, tive um insight conhecido como “aviso do Espirito Santo”, nos meios mais pentecas dando conta de não cutucar onça com vara curta. Marrudo como era, afinal Deus ainda não tivera tempo de aparar todas as minhas arestas, logo após receber a grana relativa ao meu cheque, estendi a mão contendo um folheto “4 leis” para a figura. Nossa! Poucas vezes vi o diabo manifestar-se tão violentamente quanto naquele dia. Sabe quando os pelos das contas se eriçam? Bom eu não vi isso, mas suponho que tenha se dado. Aquele cara era meio humano meio animal, um demo em forma de lobo, e me deu até medo, primeiro pela reação absurda contra quem lhe oferecia oportunidade única de garantir um lugarzinho no céu com Cristo e todos os calvinistas. Depois, eu já sabia que como crente, ainda mais em missão evangelística, que não poderia pegar o buldogue pelo pescoço e manda-lo sim, para o inferno.

Esse foi o evento inicial de uma longa reflexão sobre essa história de evangelismo ou evangelização, duas coisas ou a mesma coisa, isso nunca ficou bem claro para mim. Um dia, enquanto lia minha bíblia, e eu li a bíblia como poucos, cheguei ao texto que está em Lucas (um dos evangelistas), no capítulo 8, versículo 10:

“A vós é dado conhecer os mistérios do reino de Deus, mas aos outros se fala por parábolas, para que, vendo, não vejam e, ouvindo, não entendam”.

Segundo o Dicionário Informal, esse que consultamos fartamente via Internet, evangelismo é fazer a Palavra de Deus chegar ao conhecimento do povo. Então, pegou a diferença.

Essa foi a primeira vez que desconfiei. Talvez os profetas pastores e seus seguidores estivessem equivocados. Talvez a verdadeira intenção de Jesus de Nazaré não fosse evangelizar, exatamente, mas o contrário. Essa ideia foi crescendo dentro de mim. Logicamente, minha primeira providência foi adotar o estilo “falar por parábolas”, depois acrescentadas com enigmas. Jesus só falava por parábolas e enigmas, isso está escrito na bíblia, também. Não preciso dizer, mas a partir daí, ninguém mais entendia nada do que eu dizia e comecei a gostar da brincadeira. Era o maior barato.

Coincidências à parte, quando eu já não era mais um novo convertido e, naqueles dias, lecionava matérias teológicas em alguns seminários da vida nova que levava, fui convidado a conduzir aulas, justamente, de Evangelização. Havia, até então, lecionado Crescimento de Igreja, Missões, algumas exegeses de livros bíblicos, etc., mas era a primeira vez que me convocavam para essa matéria, na qual vinha refletindo há tempos. Quando lecionei Missões, causei enorme polêmica ao afirmar que essa tarefa, nos moldes conhecidos e propostos, era desnecessária. Meu exemplo disso me deu fama de herege, ou seja, o que um missionário cristão faria na Índia, por exemplo, se em termos espirituais acéticos nós só teríamos a aprender com os Indus. Nunca mais esqueci a cena do filme Gandhi, quando o Mahatma ensina o Sermão da Montanha a um pastor metodista atônito. Na verdade, eu não cria mais em missões no sentido de usual, admitia apenas como uma forma de relacionamento universal, onde um aprende com o outro. Acho que ainda penso assim.

Ah Lou, mas como crerão se não ouvirem? Isso faz a maior confusão. Mas o problema estava resolvido por ninguém menos do que o próprio Mestre Galileu, cujo método de ouvir se dava independente dos sons que lhe chegavam aos ouvidos. Ele era adepto da máxima: “o que você é, me diz muito mais sobre você do que o que você diz”.

Pelo método da turma do convencimento do grito, os surdos não veriam a Deus. Até criei um jargão: “Se você for capaz de evangelizar um surdo, então você estará a caminho de tornar-se um evangelista. Se tornará de fato, quando for capaz de evangelizar um surdo que também seja cego”.

Evangelização na base da pregação ou da massificação, muito comum em nossos dias cibernéticos e televisivos, não passa de proselitismo. As entidades organizadas não pensam mais como os calvinistas de antigamente pensavam, que tempo é dinheiro. Hoje, essas organizações pensam que gente é dinheiro e tratam de fazer das tripas coração e encher suas aljavas, digo, igrejas de pessoas. Pessoas dão dinheiro ou gente é grana.

Descobri então, quanto um bom abraço pode ser uma boa parábola, ou um perdão inesperado em um momento inesperado, ou uma visita não agendada para sentar e ouvir, só isso, o que o outro tem a dizer. Principalmente, desenvolver a capacidade de não gerar culpa em ninguém, sobretudo porque quem o faz só produz escassez. Mas há ainda um detalhe fundamental, creio que Jesus o expressou via parábolas e enigmas, algumas vezes, ou seja, a verdadeira propagação do evangelho seria um ato de fé, também. Encorajo a todos experimentarem a propagação silenciosa da Palavra de Deus, baseada no abraço, na compreensão, no perdão, no ouvir completa e desinteressadamente a alguém, atos de inegável humildade e, sobretudo, permitindo o milagre da percepção da presença de Deus entre as pessoas.

Jesus Cristo nunca desejou evangelistas ou missionários, mas arautos de seu amor incondicional, através das parábolas que podem ser as nossas vidas.

Da Série:   Os Sete Passos que Jesus não daria em seu lugar

Os sete passos que Jesus não daria em seu lugar

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