Todos iguais sob a palavra

datePosted on 02:31, julho 2nd, 2009 by Luiz Henrique (Lou) Mello

Ao longo da caminhada, fui forçado a encarar muitas discussões com  pessoas que se consideravam cristãs, entretanto, ficava surpreso com a dificuldade que elas demonstravam em compreender que o esforço de servir à caridade pregada por Jesus era capaz de desviar o homem de sua trajetória, muito embora lessem isso no Novo Testamento e o achassem perfeitamente normal. Aceitei com naturalidade que minha familiaridade com as palavras de Jesus de Nazaré resultasse uma compreensão melhor daquilo que a lógica habitual considerava como não razoável. Em meu caso, porém, custou-me a comprovar isso. Diversas vezes fui compelido a verificar que o meu ato de obediência à palavra de Jesus,  foi interpretado como presunção de minha parte.

Albert Schweitzer

A mim parece perfeitamente normal imaginar que cabe a nós, cristãos, a  tarefa de resgatar os freqüentadores da Cracolândia, em São Paulo, ou ajudar a curar e minimizar as situação dos mais de trinta por cento de portadores do vírus HIV, na África. Afinal lemos isso na Bíblia, em diversos textos, e o Mestre chega a ser enfático nesse sentido. Sempre me causou grande surpresa ser inquirido por causa disso. Pior é ser confrontado com bobagens do tipo: não seria melhor você cuidar de sua família ao invés de ficar por aí bancando o bom samaritano? Certa vez, em um seminário feito a seis mãos, onde eu era o menos expressivo dos expositores, na fatídica hora das perguntas, a primeira delas veio logo para mim: O que o senhor pensa do homossexualismo? Perguntou um jovem com cara e jeito de boiola. Respirei fundo antes de responder, afinal era uma pergunta capciosa e eu sabia disso. Fucei o baú de minha memória e achei algo capaz de me salvar daquela enrascada. Disse-lhe que só haveria uma posição cristã adequada em relação ao homossexual, ou seja, jamais perceber a existência dele como um individuo ou classe (no caso de serem muitos) diferente ou especial. Disse mais, isso vale para todos os grupos discriminados. Para mim, o simples fato de haver um grupo, como os homossexuais, negros, feministas, cardiopatas congênitos, dependentes químicos, com deficiência, idosos, de rua, etc., à parte das pessoas ou como um segmento separado ou marginal, demonstra haver preconceito e provável segregação acompanhada de hostilidade. Voltando à minha interpretação das palavras de Jesus, especificamente durante o Sermão da Montanha, só estaremos entre os “bem aventurados”, aos quais leio como “cristãos verdadeiros”, se formos vorazes buscadores da justiça e isso inclui liberdade, igualdade e fraternidade entre todos, sem exceções. Ato continuo, fui ironizado pelo jovem, que me considerou pouco modesto e demonstrou ter preconceito contra pessoas obedientes à palavra, pelo menos em minha concepção.

Volney Happy birthday again

datePosted on 02:18, julho 1st, 2009 by Luiz Henrique (Lou) Mello

Ano Passado, exato um ano atrás, o Volney festejava seu aniversário e a Gruta resolveu homenageá-lo. Como sempre, fui o encarregado do texto e achei por bem mencionar nossas tangências. No comentário dele, exatos quinze dias após do feito, nosso amigo fez um pedido: na próxima vez, mencionar o Daniel Fresnot e os tios Cássio, Elmira e Dale. Talvez você não acredite, mas o Volney está aniversariando esse ano, de novo, mesmo dia e mês, isso me deixa na maior saia justa, pois precisarei atender o pedido dele. Pedido de aniversariante não pode deixar de ser atendido. Claro, não cabe aqui fazer um relato sobre esses baluartes do evangelho e das realizações sociais no Brasil. O interessante é o fato deles, cada um a seu tempo e modo, terem cruzado nossas vidas (dele e minha), e isso fez com que estivéssemos juntos para realizar algo grande e importante na obra do Senhor ou, pelo menos, saborear um delicioso jantar. Engraçado, certos livros, cujo propósito é contar a história da evangelização e missões no Brasil, não citam esses senhores e suas obras, sem dúvida, eles superaram aos citados em muito, com seus feitos. Deviam citar esses sem omitir aqueles. Tenho a impressão de ter sido tudo uma grande mágica do mágico dos mágicos, diriam muitos, inacreditável pensar nesses tios juntos, produzindo sobrinhos como Volney, Manga, Cíntia, Silvia, Túlio, Janires, eu e muitos, mas muitos mesmo, outros sobrinhos do mesmo quilate. O Volney se destaca por seus talentos mas, sobretudo, por dar continuidade na tarefa aglutinadora que os tios começaram. Agora um ano mais velho, nem por isso menos importante, para Deus e para todos nós. Nosso abraço e beijo nos cabelos brancos, devidamente transformados por alguma mágica, afinal ele também é um dos reis magos, por mais um ano conosco, se bem que não tão assíduo.

Ave amigo Volney! Parabéns!

Pastores de Jerusalém

datePosted on 01:57, junho 27th, 2009 by Luiz Henrique (Lou) Mello


“E, CHAMANDO os seus doze discípulos, deu-lhes poder sobre os espíritos imundos, para os expulsarem, e para curarem toda a enfermidade e todo o mal.”

Mateus 10:1

Discute-se, em nossos dias, o papel do pastor sob diretrizes éticas e bíblicas, segundo expectativas unicamente mercadológicas ou pelas expectativas dos experimentados teólogos militantes do Ministério Público. Parece estar sacramentado que a agenda de um pastor moderno inclui um grande auditório lotado para o qual ele destilará suas imprecações, um super carro para suas viagens aos seminários para pastores, uma moto (preferencialmente uma Harley Davdison) para os passeios sabatinos, uma casa em condomínio de luxo e uma segunda esposa jovem. Os pentecostais (neo ou veo) ainda se atreverão a tocar as vítimas que ousarem atender apelos para conversão ou curas, durante os cultos. Os pastores mais ortodoxos, maçônicos ou as duas coisas juntas não tocarão ninguém, hora alguma, a fim de não se contaminarem. Longe deles todos, estará a determinação primária dada por Jesus de Nazaré aos seus discípulos, na primeira unção pastoral da história da igreja cristã, conforme texto acima. Muito pior será se eu cometer o desatino de julgar a missão pastoral segundo as atribuições dadas aos levitas no Antigo Testamento. Entretanto, meu objetivo aqui é um tanto insano, pois pretendo resgatar o caráter sacerdotal da missão pastoral, nem que seja para um exercício unicamente de caverna. Antes de mais nada, é bom que se diga, cabe ao ministro pastor executar tarefas e ações exclusivas de um sacerdote. Não estou desconsiderando aqui uma ou outra exceção em que uma pessoa leiga exercerá um ou outro papel sacerdotal. A implicação disso é óbvia, se os pastores não as realizarem, as pessoas, cuja necessidade dependia disso, ficarão a ver navios ou balas perdidas, dependendo da localização do ministério, Santos ou Rio de Janeiro. Estou pra lá de consciente a respeito do fato de que o tratamento dessas tolices relacionadas, a saber, os feitos dos espíritos imundos na vida das pessoas e as enfermidades do corpo e da alma (ou mente), terem sido atribuídas a profissionais médicos, clínicos ou psiquiatras, devidamente amparados por psicólogos e psicoterapeutas, pelo Senado, homologado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), posteriormente. A sutileza envolvida aí, está na palavra cura, já que nenhum de nós, habitantes do planeta terra, no século vinte e um, admitimos a possibilidade de curas para as artes e ofícios do capeta que não sejam exclusivamente médicas, com ou sem hipocrisia. Assim a tarefa sacerdotal dos pastores passou a resumir-se ao culto, que por razões de marketing, tornou-se algo mais próximo do espetáculo, distanciando-se do serviço religioso, completamente. Enquanto isso, endemoniados, oprimidos espirituais, doentes e vitimas do mal continuam por aí sem alguém capaz de prestar-lhes socorro competente, como era realizado pelos pastores primários, embora aprendizes ainda, quando discípulos de Jesus, que após o evento catastrófico no monte da crucificação, saíram promovidos a Pastores de Jerusalém.

Michael Jackson – Goodbye my friend

datePosted on 02:24, junho 26th, 2009 by Luiz Henrique (Lou) Mello

MichaelJacksonDancando1

Endividados

datePosted on 12:45, junho 25th, 2009 by Luiz Henrique (Lou) Mello

Uma jovem foi rejeitada para uma vaga de trabalho aqui em Sorocaba, sob a justificativa de não poder ser aceita pela razão de seu nome fazer parte da lista de devedores do SERASA, em que pese o fato dessa atitude do empregador ser ilegal. Junto com a divulgação da notícia, via TV, pudemos assistir a um advogado expressando sua opinião. Disse o defensor, precipitadamente, que só aos bancos e financeiras é dado esse direito. Na verdade, nem essas organizações poderiam fazê-lo. Mais verdade ainda seria informar que tais organismos de controle dos devedores não deveriam, sequer, existir, pelo menos, não com o objetivo de vedar ou impedir o direito de trabalhar das pessoas. Talvez, nem o direito de informar a terceiros, sejam quais forem, eles teriam. Não há na constituição do país lei que disponha sobre a instituição de um organismo com atribuições desse tipo. Essas organizações são concebidas por iniciativa de associações de classe, no caso dos bancos e do comércio, como forma de garantia aos seus negócios. O código de defesa do consumidor regulamenta alguns parâmetros a esses organismos peçonhentos, tais como o máximo de cinco anos para um nome constar desses arquivos, cobranças exclusivamente por correio e outras bobagens, nenhuma delas observadas com o rigor que um código desses mereceria, mesmo porque, não há quem os fiscalize. Evidentemente, a pergunta que não quer calar é: Como um individuo pagará suas dívidas se não lhe for dado o direito de trabalhar para ganhar a condição de fazê-lo? Além disso, na prática, estão permitindo a essas empresas de caráter privado o poder de julgar, compulsoriamente, o cidadão comum, como se elas (as empresas) fossem isentas do erro e dos equívocos. Todos nós sabemos o quanto isso não é verdade. Assim, poderíamos inferir que um governo justo deveria banir tais instrumentos de opressão ao cidadão e trazer de volta o direito à defesa ao qual a constituição do país se refere, em alusão e obediência à carta dos direitos humanos, da qual somos signatários e, portanto, todo individuo tem direito. Pessoalmente, entendo ser direito de cada empresa não vender a crédito a quem não lhe tenha pago dívida anterior, mas sou absolutamente contra a concessão do direito de todas as empresas excluírem de uma pessoa o crédito, por que uma empresa qualquer não recebeu sua dívida. Talvez o pagamento não tenha sido efetivado por motivo justo a favor do devedor. Por outro lado, está mais do que na hora de obrigarmos a sociedade a evoluir nesses conceitos. Talvez usarmos o novíssimo método de Jesus Cristo, que nos convidou a abandonar a lei e entrar no mundo da graça. Creio que pessoas de bom caráter, seriam capazes de criar e instituir novos caminhos para eliminar dívidas e ajudar ao endividado de forma justa e humana, sem coerções ou essas aberrações próprias da intolerância e da agressividade inconseqüente e sempre arbitrária.

 

Trair a qualquer hora

datePosted on 13:22, junho 24th, 2009 by Luiz Henrique (Lou) Mello

Então Satanás entrou em Judas Iscariotes, um dos doze discípulos. E ele foi falar com os sacerdotes principais e capitães da guarda do templo para discutir qual o melhor jeito de lhes entregar Jesus. Todos ficaram muito satisfeitos, naturalmente, de saber que ele queria ajudá-los e lhe prometeram uma recompensa.”

Lucas 22: 3 a 5 Bíblia Viva Edição Especial para o Exército de Salvação

Essa experiência fatídica de meu amigo Jesus da Galileia me enche de medo e perplexidade. Pô, se traíram o mestre, quanto mais um mero mortal como eu.Toda vez que leio esse texto, e não foram poucas, fico pensando no que fez esse imbecil excomungado: O cara traiu a Jesus, o filho de Deus!Fui traído muitas vezes na vida e ainda não me livrei de voltar a ser traído, pois só a morte me libertará desse mal tão letal . Não estou me referindo às traições medíocres motivadas por sexo e infidelidade conjugal. Tampouco estou tratando da chave cultural encontrada por Don Richardson em uma tribo da Nova Guiné, que lhe permitiu destruir a rica cultura daquele povo com o evangelho místico e pobre dos norte americanos, conforme está relatado no livro do próprio, “O Totem da Paz”, uma pérola missionária (sic). Também não estou tratando das traições nossas de cada dia, aquelas pequenas atitudes traiçoeiras que você eu cometemos contras as pessoas que mais amamos, mas não desejamos vê-las nos superando, seja lá no que for. Refiro-me às traições masters, aquelas capazes de tirar o piso debaixo de nossos pés, cujo pior momento se dá quando você é pego com as calças na mão, na presença das pessoas erradas.As piores traições que experimentei foram denominadas pelo mesmo método com que denominam os furacões. Dou-lhes o nome do imbecil traidor (a). Geralmente, a traição visa desmoralizar a vítima. O autor do evangelho, esse tal de Lucas, acreditava em diabo e, para ele, a idéia do chifrudo era desmoralizar nosso Mestre. Penso que ele foi feliz em seu intento, estou falando do diabo. Quando nos decepcionamos com Deus, a primeira prova soprada por ele, até hoje, em nossos ouvidos esquizofrênicos, tratando da ineficácia de Jesus enquanto salvador, é o fato dele ter sido traído por aquele psicopata da Judéia, cuja conseqüência foi o trágico final que todos nós conhecemos. A melhor lorota já inventada foi aquela que da conta da amizade de Judas para com o Mestre e de que ele seria o verdadeiro discípulo amado do Nazareno e não o fiel e tolo João.Mas as traições são sempre assim. O traidor sai com a coroa na cabeça e o traído pregado na cruz da humilhação. Essa bobagem dando conta do auto enforcamento de Judas não me convence. Além da grana, ele saiu como o tal. Das duas uma, ou é uma grande mentira (mais uma) inserida no texto canônico, a fim de ludibriar incautos como nós, ou Pedro e o resto da turma, cuidaram para seu assassinato parecer um suicídio. O cara não iria se matar justo quando conseguira fama, aprovação dos maiorais da Judéia e um monte de dim dim no bolso. Fora o prazer de ter traído a ninguém menos do que ele, o Galileu, filho do Homem.Gente simplória como eu é prato cheio para os traidores. Eles se aproximam e se tornam amigos, amigos mesmo, durante um tempo, até o dia que lhe traem de forma tão contundente que chegam ao extremo de sairem como heróis, enquanto você fica como o vilão crucificado, por cima de tudo. Sem falar nas coisas que lhe roubam, entre elas, o emprego em alguma missão multinacional seu posto mamata em alguma prefeitura ou seu negócio rentável, entre outras.Para trás de mim Satanás!

José do Egito, o irmão perdido

datePosted on 03:03, junho 23rd, 2009 by Luiz Henrique (Lou) Mello

“Vejam só, Sonhei que nós estávamos colhendo trigo. Quando amarrávamos os feixes, o meu ficou parado em pé. E não foi só isso. Os seus rodearam o me e se inclinaram diante dele”.

Gênesis 37: 7 A Bíblia Viva – Edição Especial para o Exército de Salvação

Creio que a história de José constitui um livro inteiro, anexado a outros sob o título Gênesis. Provavelmente, trata-se de uma parábola lindíssima e mais uma copiada das tantas histórias veiculadas pela tradição oral, em algum século perdido. Isso pouco importa.Esse livro fala por si e contém ensinamentos complexos e belos. Com ele consegui ler e decifrar muitas pessoas de minha época e, acima de tudo, decifrei a mim mesmo. Todos nós reunimos nossas capacidades,  talentos  e  habilidades. Mesmo quem pensa não as ter, será talentoso por isso. Esses periféricos, somados ao sistema operacional “Bênçãos”, fazem de quem os têm salvadores da humanidade. Não foram poucas as vezes em que o Criador precisou intervir para impedir a desagregação e morte da raça que criara. Dinheiro e sexo sempre estiveram na raiz dessas épocas sinistras, mas isso não nos interessa agora, tão pouco.Em meus tempos de fome na terra, tenho encontrado muitos hábeis negociantes abastados, entretanto, desprovidos do software “Bênçãos”. Isso os cega, impedindo-os de enxergar além de seus umbigos. Alegam terem sofrido muito para conquistar suas fortunas e se encastelam nelas. Quando seus irmãos e pais se aproximam, vindos da seca e da fome, eles se esquivam e se locupletam em suas avarezas. De nada lhes adianta suas habilidades agora. Estão mortos no pecado.José foi abençoado pelo Senhor e seus talentos ganharam viço. Quando viu seus irmãos, os mesmos que foram capazes de abandoná-lo, de vendê-lo como escravo a povos nômades, por pura inveja e despeito, os amou e não perdeu de vista sua missão salvadora. Sabia que seu sucesso e abundância, sua capacidade de fazer multiplicar e prosperar tudo onde tocava suas mãos, não vinha dele, mas de Deus; assim como tinha consciência de estar vivendo uma missão salvadora.Foi necessário haver um povo mau e um homem bom para a plena manifestação da glória majestosa de Deus. Ele se fez conhecer e um povo outrora perdido na lama pecaminosa voltou a seio do Pai. Saciaram a fome de alimento e ganharam suas vidas de volta. Então Jacó abençoou todas as tribos, na pessoa de cada um de seus filhos, entendendo a vontade soberana do Criador.Se você tiver qualquer informação sobre o mano José, por favor, entre em contato, urgente, com a central de informações desse blog. Obrigado.

Um carro

datePosted on 14:52, junho 21st, 2009 by Luiz Henrique (Lou) Mello

Algumas áreas de minha vida encantaram-se. Fui um menino normal, na infância e adolescência. Nunca fui o melhor aluno nem o pior, era tranqüilo, sabia me esquivar de problemas e não me destacava em quase nada. Quando mudamos para o Jardim Prudência, nos rincões longínquos da zona sul de São Paulo, deparei com uma dificuldade, não sabia jogar futebol e naquele lugar desconhecido por Deus, de tão longe que era, quem não sabia correr atrás da redonda estava morto.Durante algum tempo, sofri tentando não participar das pelejas no fim de nossa rua. Inventava todo tipo de desculpas, mas acabava não conseguindo evitar, algumas vezes e, alem do fiasco, virava alvo das gozações de meus “grandes” amigos. Felizmente, meu pai mandou completar a construção de nossa casa, ocasião em que foi edificada a parte de trás, onde ficava o quintal, dependências para empregados, lavanderia e uma espécie de rancho, ali havia o poço com boa água potável, bomba de sucção e tudo. O quintal ficou amplo, com um muro alto, então o transformei em centro de treinamentos futebolísticos do Lou. O inconveniente era trabalhar em regime de revezamento com as roupas. Quando elas estavam secando, não podia treinar. Ali eu melhorei meu chute, com o os dois pés, o passe, a matada no peito, cabeceio e o mais difícil, os dribles. Consegui virar um menino completamente normal, então, e o pessoal esqueceu meu defeito horroroso. Isso tudo dos oito aos onze anos.Vieram então meus anos incríveis. Desde pequeno, tinha um comportamento estranho: era fascinado por máquinas e motores, sobretudo: automóveis, ou como nós o chamamos por aqui: o carro. O primeiro que meu pai comprou foi um Jeep 51, um espetáculo, amor à primeira vista. Com ele fomos ao Guarujá e a São José dos Campos, terra dos meus pais. Todo o tempo em que nosso Jeep estava estacionado em frente de nossa casa na Rua Casemiro de Abreu, no Brás, eu estava dentro dele treinando dirigir, não apenas com a direção, mas passava as marchas, engatava a reduzida e a tração nas quatro rodas, sem ligar o motor, claro. Também conversava com Jeep, em segredo.Quando mudamos para a Vila Mariana, na Rua Guacunduva (sim somos descendentes de índios, também) meu pai trocou o Jeep por um Citroen, câmbio no painel e curso de marchas invertido, uma maravilha e outra paixão instantânea. A garagem da casa ficava sob a sala de visitas, literalmente. Claro que a entrada começava na rua e era uma big descida até a porta, sob o janelão da sala. O pai guardava o Citroen de marcha ré, a fim de deixá-lo com a frente para a rua, uma precaução em caso de emergências. O Citroen, às vezes, não queria sair da garagem para trabalhar. No começo eu me nomeei esquentador oficial de motor de Citroen; esperava o pai entrar na cozinha para tomar seu café da manhã e corria para a garagem com a chave do carro para ligá-lo e deixar o motor aquecer, mesmo no verão. Enquanto isso, ficava sentado no banco do motorista, fantasiando estar dirigindo e realizando grandes viagens, além de conversar com ele, secretamente. Minha cabeça ficava bem abaixo do parabrisas, se desejava alcançar os pedais. Comecei a engatar a primeira, soltar a embreagem acelerando um pouquinho até o carro encostar as rodas dianteiras no inicio da subida, então brecava, desengatava a marcha e deixava ele voltar de ré até o lugar original. Fiz isso centenas de vezes, sem que meu pai visse. Decorei bem o caminho da garagem até a rua, uma super subida. Onde acelerar, e descobri isso olhando como o pai fazia, e onde brecar, pouco antes da calçada para não atropelar ninguém que estivesse passando, e depois até o meio fio. Belo dia, engatei a primeira e fui enfrente, não parei no inicio da subida, fui até o fim dela e brequei, sem deixar o motor morrer com a ponta do pé esquerdo atolado na embreagem e a ponta do direito no freio. Olhei bem, e como não vinha nenhum pedestre, soltei o veiculo até a rua, parando onde meu pai costumava; quem olhasse de fora poderia jurar que o carro estava andando sozinho, sem motorista, pois eu não aparecia na altura das janelas. Quando ele saiu para pegar o carro e o viu na rua, ficou meio embasbacado e me perguntou como o Citroen saíra. Engoli seco e revelei o segredo: “fui eu, pai”. Daquele dia em diante, fui promovido a tirador oficial de Citroen da garagem e nunca faltei ao meu trabalho. Acredite se quiser, tinha de sete para oito anos.Chegamos então ao Jardim Prudência, ainda com o Citroen. Ali era possível fazer outras manobras, graças ao estado desértico de nossa rua, e a garagem era quase ao nível da rua. Na verdade, era preciso subir um pouco para entrar nela. Aos doze anos eu dirigia perfeitamente, quando fui pego pela polícia pela primeira vez, por dirigir sem habilitação. Essa qualidade deu-me certo pretígio perante a turma, e com as meninas em especial. Não fiquem bravas comigo, eu não tinha culpa disso, mas gostava muito. Acho que fui o primeiro menino do pedaço a namorar oficialmente, aos treze anos, com uma garota chamada Lilian, uma boneca. Era um namoro cem por cento à base de muita conversa, mãos dadas e alguns beijinhos nas faces. Ah, e claro, passeios de carro pela nossa rua.Cresci dirigindo, aos dezesseis, o carro já fazia parte integrante de minha vida. Aos sábados saia para namorar de carro, nessa etapa a namorada já era outra, claro. No dia em que completei dezoito anos, com planos de tirar minha carteira de motorista, no dia seguinte, fui preso por dirigir sem habilitação, quando fui levar alguns amigos e a namorada para casa. O Pai me livrou daquela enrascada e custou caro. Quando vendemos a casa do Jardim Prudência, entrou um Fusca como parte do pagamento e, logicamente, ele veio para as minhas mãos. A partir daí, não fiquei sem carro. Era uma parte imprescindível de minha existência. Tive vários, de todas as marcas e tipos. Quando casei com a Dedé, o grande amor de minha vida, tinhamos um fusca do ano. A primeira vez que ficamos sem um, foi quando me mandaram embora da Portas Abertas, uma benção por meus serviços prestados ao Senhor, naquele ministério. Trouxa, não cobrei a indenização como deveria e, a primeira coisa que perdi foi meu carro. Fiquei sem trabalho por cinco meses, até iniciar na prefeitura como diretor de creche, então comprei outro, com ajuda de um amigo.Assim foi, às vezes com carro outras não, mas não ficava muito tempo sem e como minha mãe sempre tinha o dela, nunca ficávamos totalmente a pé, de fato. Quando viemos para Sorocaba, estávamos sem. Mas logo que comecei a cuidar da recuperação de dependentes químicos na Fazenda em Piedade, o Daniel Fresnot, um judeu atípico, liberou um fusca para eu trabalhar lá. Tivemos outros até 2005, quando resolvi vender meu velho Kadett ao desmanche “Irmãos Metralhas”, porque descobri que o motor dele tinha a numeração raspada, sem falar na questão da documentação e licença, vencidas há tempos. Era um carrinho legal e bem vagabundo. Aí fui trabalhar em Campestre e comprei um gol 1999 (na foto), estávamos em 2006. A escola faliu e atrasei as prestações. Embora tenha pagado uma parte da dívida atrasada, a financeira conseguiu uma liminar para busca e apreensão, em tempo recorde, e lá se foi meu gol ( a foto acima foi tirada minutos antes de o levarem), uma pena. Ele foi leiloado, tadinho, nunca mais o vi e para minha surpresa, por um valor acima do valor de compra. Somando tudo que paguei, entrada, prestações, melhorias, a “justa” juíza (a mesma da liminar) ainda deu um jeito de me deixar devendo um bom dinheiro, não pago, evidentemente. Isso aconteceu em 2006 e foi amplamente divulgado pela Gruta.De lá para cá não conseguimos mais adquirir um carro. É o maior período sem carro de nossa história, e pese-se aí o fato de ser necessário alugar um, todas as vezes que precisamos levar nosso filho ao INCOR ou para outros tratamentos em São Paulo. O pessoal da Localiza (locadora de autos) me adora, sem falar na Edna, taxista que nos atende desde que chegamos a Sorocaba, uma amiga e tanto. Minha mãe reside em São Paulo e não tem mais o carro dela, pudera, aos oitenta e dois, não seria aconselhável. Dizem que trazemos a nós as coisas que desejamos, mas não estou conseguindo.Para mim, é como se tivesse perdido um braço ou uma perna, sem falar na falta que nos faz em todos os sentidos. Nunca imaginei chegar a isso, muito menos na possibilidade de viver sem meu carro. Deus é mesmo um grande gozador e sabe como ninguém onde mexer quando quer algo de nós. Espero que esteja satisfeito, ao menos.

Blog e sexo

datePosted on 15:15, junho 19th, 2009 by Luiz Henrique (Lou) Mello

Vários fatores têm contribuído para isso. Antes de tudo, e no nosso caso, em todos os anos, durante o período de férias do pessoal  acima da linha do Equador, observamos uma queda importante da freqüência, geralmente em torno de 50%. Esse blog, embora seja editado em português, é lido por pessoas que residem fora do Brasil, com expressiva assiduidade. Vale lembrar que não estou me referindo à visitação ou consulta de páginas, mas à efetividade no acompanhamento ao blog. O maior índice, dentre às origens das pessoas que nos visitam, pertence ao Google, campeão absoluto nessa categoria. Por outro lado, uma porcentagem muito grande dessas visitas googlista é única, ou seja, não se repete. Outro fator determinante nesse fenômeno, sem dúvida, é o Twitter, especialmente no caso do pessoal residente no país. Nota-se, com clareza, a presença de antigos blogueiros no Twitter, enquanto seus blogs permanecem abandonados ou movidos ocasionalmente. Se deixaram seus próprios blogs, quanto mais os outros. Em um mundo  fast food e de mudanças muito rápidas, nada disso me surpreende. Sinto muito pelo fato de terem abandonado a escrita mais longa, que exigia mais dos escritores, em tão pouco tempo, temendo que isso tenha a ver com o sucesso do mecanismo de frases curtas em nosso meio. Os blogs e os sites de relacionamento obrigam o pessoal a escrever mais e melhor. Isso não quer dizer “ser prolixo”. Claro que a competição para apurar quem consegue mais seguidores, embora infantil, seja relevante, nessa mudança. Especificamente , a Gruta passou por situações próprias que levaram alguns dos nossos mais assíduos participantes. Em especial, algumas mulheres, primeiro com o nosso distanciamento de uma linha mais voltada ao sentimento recheado com exemplos de vida do narrador, muito comum em tempos de Gruta, e depois com o fenômeno que afastou certas senhoras descasadas ofendidas por eu ter mencionado o infeliz texto bíblico de ITimóteo 5: 11 a 15, escrito (em forma dissimulada) pelo insensato apóstolo Paulo ao seu discípulo, aparentemente, por ele estar sofrendo os mesmos problemas suportados por nós. Desejava abrigar em nossas páginas as viúvas e divorciadas, por entender serem elas grandes sofredoras, mas fomos imprudentes em não observar os parâmetros dados pelo apóstolo preferido de Calvino. Quanto às mulheres, de forma generalizada, só me cabe respeitá-las, elogiá-las e admirá-las sempre e isso inclui buscar, junto com elas, uma liberdade verdadeira e edificante. Talvez tenha me excedido em mencionar nossa luta em favor de nosso filho e ignorar que muitos preferem não ver tais, digamos, excentricidades. Nem pensem que não sei o quanto é difícil manter o nível das postagens, com bom humor e qualidade. Isso sempre será determinante. Posições teológicas, políticas e futebolísticas fazem alguma diferença, também. Estou ciente que porcos, peixes e bambys não se sentem muito bem em ouvir coisas vindas de um confesso e humilde corinthiano, apesar se ser a única opção bíblica, nesse caso. Os fundamentalistas ortodoxos devem sentir algum desconforto com minhas crenças, sem falar na minha opção anarquista, quando o assunto é politica.  Talvez eu não devesse postar fotos de mulheres nuas ou semi. Entendo que isso ofenda algumas mulheres, os viados e a “moral” cristã. Faço isso por achar o corpo feminino belo, mas, sobretudo para combater a dificuldade cristã com o sexo, determinado como pecado por sacerdotes gays, no passado. Também reconheço ser um pouco machista, homofóbico, preconceituoso e anti-semita, mas é só um pouco, na medida em que fui educado e condicionado, mas não quero matar ou machucar ninguém, só não gostaria de ver algumas dessas diferenças em minha cama. No caso dos judeus, que eles fossem mais solidários com os gentios. Como você pode ver, tenho poucos defeitos. Enfim, a vaca blog está indo para o brejo. Quanto a mim, com ou sem visitas e  comentários conseqüentes, seguirei escrevendo, nem sempre acertando, mas insistentemente fiel. Tudo isso vale para todos os blogs. Muitos estão caindo fora (nem todos) ao constatarem a debandada. De fato, ela pode ser irreversível, embora custe a acreditar.

Um outro rumo

datePosted on 22:49, junho 18th, 2009 by Luiz Henrique (Lou) Mello

Cate Blanchett

“…quem sabe se no fundo não querem reconquistar algo que outrora se possuía mais firmemente, algo do velho patrimônio da fé de antigamente, talvez “a alma imortal”, talvez “o velho Deus”, em suma, idéias com as quais se podia viver melhor, de maneira mais vigorosa e serena, do que com as “idéias modernas”?

F. Nietzsche

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