31/12/12
Caçador de Esperanças
Percebi que, nos últimos seis anos, escrevi, quase sempre, a mesma coisa de uma maneira ou de outra, no último dia do ano. Entre outas coisinhas pessimistas ou nem tanto, mencionava nosso desejo de voltar a morar em São Paulo (capital). No entanto, quase nada do que esperava naquelas manifestações precipitadas aconteceram.
Decidi mudar de tática. Não declararei mais minhas expectativas para o ano novo, ou melhor, tentarei não tê-las. Quem sabe Deus, o Universo ou quem estiver no comando resolva me liberar algo dessa forma. Talvez eles não gostem de palpites. Sabe como são tirânicos esses grandes líderes, né?
Imagino todos nós acreditando na frouxidão da velhice sem nunca incluir a si mesmo nessa. Mas quando me vejo impotente para mudar coisas básicas e triviais, suspeito-me levado de roldão pela flacidez inevitável do meu corpo, alma e espírito. Papagaio!
Claro, como qualquer mortal, atribuo aos outros todas as culpas possíveis. Afinal não sou tatu. Trouxa é quem assume suas culpas. Os cemitérios estão lotados de corpos de gente morta prematuramente por terem tentado carregar suas culpas. Nem Cristo desejava esse tipo de arroubo de nossa parte. Dizem que os acidentes, bebidas, drogas, armas, etc., matam, mas nada supera a culpa. Deveriam abrir clínicas para tratamentos de dependentes culposos. Melhor não dar ideia. Os psicólogos e psiquiatras cristãos ou ateus andam em derredor buscando a quem possam tragar para seus tratamentos ineficazes.
Evidentemente nada aconteceu nos anos passados porque não fiz minha parte. Embora suspeite, grandemente, estar sob o domínio do medo e do mal. Vamos ver se, pelo menos, consigo andar de novo pelas areias de alguma praia bonita, tomar mais sorvetes e banhos de mar (se ainda houver algum não muito poluído) e babar vendo os outros curtindo seus netos, como se fosse um caçador de esperanças. Isso para não dizerem depois que não falei de flores, digo, de esperanças anuais.
Há algo a ser prometido, tenho uns textos muito punks para postar. Não que estejam prontos, alguns até já estão pela metade, mas algo sairá daí, estou certo. Meus colegas de seminário que se cuidem. Aqui a verdade será descongelada, sempre.
Um baita beijo em vossas carecas pelo ano que passamos e outro pelo que vamos passar juntos.

