Archive for category TeoLougia de quintal

A Gruta é a salvação da raça

Assisti um filme na Universal ontem, produzido pela Dreamworks, cujo título em português é Impacto Profundo (Deep Impact) de 1998 e, embora tenha mais de doze anos, não havia assistido. É mais uma daquelas bobagens apocalípticas norte americanas, no caso, um asteróide desgovernado em rota de colisão com a terra. Mas o que me chamou atenção é que o roteiro incluiu a Gruta como a principal opção de defesa ou salvação para a não extinção da raça humana. Segundo eles (os dois roteiristas), oitocentas mil pessoas são selecionados por um sistema lotérico computadorizado e outras duzentas mil são designadas por suas competências, depois confinados em grutas. Atitude igual estaria sendo implementada pelos outros países.

Quando dei início ao Blog e, logo depois, batizei-o de Gruta, confesso que não tinha uma visão de caracter nada altruísta. Pensei em Davi lá em Adulão e seu exército de endividados, espantava-me o número de endividados no Brasil, naquele momento, com seus nomes enxovalhados nas listas mantidas por seus algozes, lembrava-me do meu tempo na Faculdade Batista, onde eles publicavam mensalmente a lista de alunos devedores de mensalidades ou da biblioteca pelos corredores e eu, o LouZorro, subversivamente, as arrancava e as atirava nas privadas, dando a descarga nelas. Lembrei de Elias desesperado na gruta, com medo de Jezabel e Acabe, o que me fez pensar nas pessoas sob intensas perseguições e cheias de medo. Veio-me a mente Jesus nascendo em uma gruta para pagar a nossa conta com a própria vida, como querem os teólogos pagãos, e depois ressuscitando em outra. Egoísta como sou, me vi em todas essas situações e desejei colocar-me em um lugar onde me viesse Deus e alguma de suas salvações.

Já pensou, o divino em pessoa aparecendo aí nos comentários (sem gracinhas por favor) com palavras tais como: Que fazes aqui Lou? E depois de minhas desculpas habituais tais como: “porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada e eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida”. Ele escrevesse: “Sai, e põe-te neste monte perante o Senhor, Deus dos Exércitos”. Depois disso me enviasse a fazer algum trabalhinho missionário profético, quem sabe ungir um novo líder dos evangélicos brasileiros?

Na verdade, até agora, Deus não parece ter dado as caras, nessa Gruta. Se bem que o divino adora um enigma. Mas fica aí a idéia, embora aqui não seja bem um desses blogs onde as idéias não descansam, às vezes damos nossas profetadas, também. Sendo assim, minha turma (meio reduzida ultimamente) de engrutados e eu, seguimos com nossos medos e perseguições, até que Ele venha, em algum de seus ciclos tranquilos e suaves, para nos enviar cheios de júbilo e cara resplandecente, de encontro à nossa salvação.

By the way, no filme citado, é claro que o Robert Duvall salvou a Terra e o mandato do presidente negro norte americano, Morgan Freeman.

OPs: Principal citação bíblica: I Reis 19: 9 e 15

Dia do Psicólogo:
Um grande abraço a cada um dos profissionais da área, leitores e amigos
(embora anônimos) da Gruta. Esperamos que Deus tenha misericórdia de
vocês, de forma especial.

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O Mito da Gruta

Muitos imaginam que a Gruta seja um buraco em um morro qualquer. Enganam-se. Talvez seja devido aos apelos persistentes a favor dos endividados, deprimidos, preteridos, etc., pois, ao iniciarmos, seguimos modelo bíblico da Caverna de Adulão, quando os preteridos do mundo juntaram-se a Davi para formarem um exército vencedor. Ficou claro que eles só foram perdedores até unirem-se ao ungido de Samuel, um mais que vencedor, na versão do pessoal da Auto-Ajuda ou da turma da prosperidade.

Tenho outra visão dos fatos, para mim Davi era o cara. Ele saiu da caverna e foi iluminado. Quando voltou, usando de seus dons e talentos na área da propaganda e marketing, como um ex-aluno da ESPM se sentiria, conseguiu convencer aos tolos, gente que acreditava nas sombras estampadas nas paredes da caverna, da existência de um paraíso fora daquele lugar, embora fosse preciso eliminar o chefe, antes de passar de fase. O final da história todo mundo conhece, Davi levou a turma toda com ele, na forma de um exército, eliminou o chefe Saul e mudou de fase, onde os ex-párias viraram vencedores por Cristo, digo, por Davi.

Embora você possa identificar algumas ideias platônicas, tome isso como mera coincidência, embora também compartilhe da crença do velho grego de que a gruta seja o mundo, tudo isso não passa de mera coincidência. Nesse caso, estariam todos, sejam tolos ou ortodoxos, iludidos por imagens projetadas com algum resto de luz que emana do lado de fora. Li em algum lugar que os evangelhos seriam os diálogos de Platão em linguagem teológica. Bultman estarreceu os pastores de sua época afirmando que o Novo Testamento estava repleto de mitos, ainda bem que ele não revelou que o antigo também estava. Entretanto esses detalhes não fazem a menor diferença. A Bíblia continua sendo um livro sagrado, onde escondem-se revelações proféticas de teor e importância universais. Basta apenas um pouco de metafísica na hermenêutica. Caso contrário sempre sobra uma boa maçonaria ou, na pior das hipóteses, uma Ópus Dei qualquer, como nos esclarece o Dan Brown.

Observar as pessoas nesses sites de relacionamento é, ao mesmo tempo, interessante e desesperador. Tanto os desesperados quanto os satisfeitos estão vendo em parte. Aliás, houve um certo judeu que afirmou isso há uns dois mil anos atrás, segundo dizem. Será que ele leu ou ouviu os diálogos platônicos, também. Há quem diga que ele esteve até na Índia, por que não na Grécia, muito mais perto de casa. Pessoal esquece que ele morou no Egito, algum tempo antes dos oito anos de idade. Talvez tenha sido nessa época que ele adquiriu aqueles hábitos faraônicos, como aquela história de derrubar o templo e reergue-lo em três dias.

Não sei se ao sair da Gruta fui iluminado. Certo é que no meu itinerário de leituras consta Sidarta de Hermann Hess, como meus leitores mais assíduos estão carecas de saber, e com ele aprendi a esperar, meditar e jejuar, além de sentar sob a árvore até meu nirvana, onde minha família pensa que estou até hoje. Se era isso a que Platão se referia, então o Hermann e eu conhecemos a realidade e sabemos que nada disso é real, mas apenas sombras, até mesmo o câncer nos pulmões de uma amiga, recém descoberto. O problema é que quando cremos no que vemos, isso se transforma na nossa realidade e não há Davi ou Jesus que nos convença do contrário. Bom, sempre há um ou dois mestrados, mais alguns doutorados, desses que há em qualquer esquina, capazes de fazer o que nossos deuses não fizeram.

Nesse universo de sombras projetadas nas paredes da Gruta há de tudo, economia, educação, saúde e até finanças pessoais (parte da economia). Pior, há teologia, também. Não posso ser contado entre os mais otimistas crentes na Filosofia como a porta de saída da Gruta. Como zelador dela, afirmo ser a fé, não nas sombras, óbvio, mas na realidade iluminada no lado de fora, que na verdade, seria o lado de dentro, afinal, ao contrário do que pensam todos, não somos nós os engrutados, mas eles, a raça de víboras que Jesus quer ver salva e vivendo conosco no Reino de Deus. Depois ele reclama de nossa falta de ânimo ou ânima.

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Jesus Cristo, o filho do carpinteiro

Esta manhã, ao acordar, tinha em mente escrever algo sobre a não violência. Mas vi o Massa dando passagem ao Alonso por ordem de sua equipe e mudei meu tema para “mercado em nosso mundo pós moderno”. Entretanto, não consegui perseverar nem em uma coisa e muito menos na outra.

Agora estou pensando em alguém sem qualquer experiência relevante anterior, uma pessoa que não domina o próprio idioma, tem todos os dedos em suas mãos, não tem um único diploma, não dirige, nunca teve um mísero terno, muito menos uma esposa ou um filho, nunca pastoreou, jamais trabalhou com carteira assinada, nem mesmo como Office boy e não possui casa própria, E-mail e muito menos notebook ou ipad. Alguns o vêem como um ser doce, enquanto outros, um obcecado por justiça. Há até quem o considere uma espécie de salvador, uma boa alma cheia de propósitos ou um paladino celestial.

Arrogante, declarou-se o Filho de Deus e prepotente diz-se capaz de reconstruir o Templo em três dias, caso o implodissem.

Como era de se esperar, foi capturado, crucificado, morto e sepultado. Dizem que ressuscitou ao terceiro dia, mas ninguém viu, apenas restaram alguns depoimentos desencontrados, contraditórios e pouco confiáveis de aparições em vários pontos diferentes.

No entanto, sobre ele, escreveram a maior quantidade de livros já escritos sobre quem quer que fosse. Ninguém foi mais pesquisado, estudado ou descrito. Fizeram dele o personagem central da Bíblia, embora haja controvérsias sobre isso. Toda essa gente, devidamente diplomada, evidentemente.

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Mas transformai-vos pela renovação do salvador

Homer Simpson sobre O Homem Lá De Cima:

“Sei que nunca fui um homem muito religioso mas, se estiver aí em cima, por favor, me salve Super-Homem”

Lendo mais um desses livrinhos de Auto-Ajuda, facilmente encontrados em bancas de livros nos supermercados, com ênfase em “como enriquecer”, me vi diante de mais uma receita cuja base é : o problema é você, ou eu, no caso, ou seja, a velha idéia do “Poder do Pensamento Positivo” em oposição às falsas crenças herdadas dos nossos educadores (família, escola, mídia, igreja e governo).

Não resta dúvida que falsas crenças, ou pensamentos absolutamente negativos têm o poder nos travar, seja em certos momentos ou de forma crônica. Entretanto, dando tratos à bola, em minha própria realidade mental, embora haja a presença de uma quantidade enorme de grandes bobagens com poder de determinar minhas decisões ou a falta delas, senti a necessidade de outros elementos, tais como uma mão amiga ou algum deus benevolente, em muitas de minhas circunstâncias. Em outras palavras, coloco em cheque a proposta inicial do pessoal da auto-ajuda e boa parte dos senhores e senhoras psicólogos, em especial, os adeptos das chamadas mudanças comportamentais.

Jesus Cristo, por exemplo, nunca disse a nenhuma de suas vítimas que o problema seria a forma de pensar delas. Seu método de socorro era “salvador – vítima” e não “vítima – vítima”. Tanto é que, indignado, narrou a história do samaritano (depois denominado “bom samaritano”) que não tentou convencer o cara todo estropiado que sua situação infame fosse resultado de seus pensamentos inadequados, muito menos de algum pecado não confessado. Tão pouco, manteve sua proposta inicial de levar as pessoas ao arrependimento (mudança de mente ou da forma de pensar), logo percebeu que seria inevitável resolver o problema da humanidade, ele mesmo. Em outras palavras, às vezes, as pessoas precisam ser salvas 100% por seu salvador de plantão.

Também não foi possível analisar os pensamentos de alguns afogados que ajudei a retirar do mar nos tempos de Vila Mirim, não dava tempo.

É verdade o fato de que somos educados para servir aos interesses do capitalismo neoliberal (ou do socialismo totalitarista) que vê o povo como mão de obra ou massa de manobra. A massificação ou lavagem cerebral começa em casa, depois recebe o apoio total da escola, depois da igreja e a seguir dos meios de comunicação e nos tornamos indivíduos crentes, no sistema emprego (patrão –empregado), igreja (pastor – ovelha), escola (professor –aluno), mídia (âncora – telespectador) e assim vai. Se quiserem nos achar na foto, será necessário procurar entre os assistentes, sempre, como um Homer Simpson qualquer. Qualquer posicionamento mental diferente será considerado rebeldia ou falta de adaptação.

Isso torna a coisa tão louca que fica difícil saber quem é o louco, a pessoa que se rebela ou a que se adapta. Não sei se você já percebeu, mas os dedos que digitaram essas mal formadas linhas, pertencem a um rebelde nada adaptado e completamente excluído do sistema financeiro. Por falta de algo melhor a fazer, estou tentando mudar meus pensamentos, sempre. Talvez tenha mudado alguns, não sei. Na verdade, acalento um certo jeitão pessimista, não por burrice, mas pela convicção de que o mundo jaz no maligno e, boa parte do que se vê e se acredita, não seria bem como imaginamos. A atual Copa do Mundo de Futebol, por exemplo, me deixou perplexo, mais uma vez. Você pode imaginar que algumas pessoas acreditaram na seriedade do evento? Para mim, algo assim, é totalmente inconcebível. Só falta alguém me dizer que urna eletrônica é um trem confiável.

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Deus Inimaginável

Existem milhões de palavras escritas sobre Deus, a começar pela Bíblia. Se computássemos as frases ditas sobre Deus,  o montante de asneiras se multiplicaria exponencialmente.

A grande verdade pode ser expressa com pouquíssimas palavras: Deus é imensurável, indescritível e inimaginável.

Não há mente humana, nem a do Eistein ou a minha, capaz de conceber algo ou alguém parecido com o Senhor do Universo e criador de todas as coisas. Está para nascer o Bill Gates capaz de criar um Software que faça isso.

Achou essas declarações chocantes? Pois elas não são originais, entre os defensores dessas afirmações está ninguém menos que Jesus de Nazaré, aquele que se disse Filho de Deus. Nos evangelhos o encontramos dizendo: “Ninguém conhece o Pai, a não ser o Filho”. Repare bem, ele não fez ressalvas, disse ninguém e ponto. Sobre as palavras ditas a respeito do Divino, Paulo diria a certa altura: “Falsos mestres, sobre o que não entendem fazem ousadas asseverações”. O apóstolo também bateu duro, chamando a todos os ensinadores de Deus de Falsos, sem fazer ressalvas, tampouco. Nem a mim ele tirou dessa.

O fato é que Deus está sempre e absolutamente no inalcançável. Não possuímos inteligência e muito menos sensibilidade capaz de imaginá-lo. Nossas descrições de seu amor, bondade, paz, justiça, etc., devem soar-lhe tacanhas, se não ridículas. Os tais atributos de Deus, muito ensinados por aí, são bobagens homéricas concebidas por nossa pequenez incomensurável.

Moisés teria tido um raro vislumbre de Deus e isso tornou seu rosto resplandecente. Quando desceu do morro, não com a letra do samba, mas com as tábuas da lei, estava com cara de bobo, perplexo e jamais tentou descrever o velhinho, apesar disso. Nem eu, que já falei com Deus diversas vezes, me arvoraria em fazê-lo. Para poder me comunicar, foi necessário que ele lançasse mão da estratégia das encarnações relâmpago, como na vez em que falou comigo em um café, lá no centro da cidade, travestido de um senhor  com cara de intelectual inglês e olhos bem azuis, ou quando o fez na pele de um menino que me deixou em dúvida se era gente ou anjo, ou seu jeito mais comum de comunicar-se através de gente como a gente em meio a uma conversa de botequim ou através de um filminho de TV qualquer. Nesses casos, o que vi foram homens e mulheres como nós, apenas. Se ele me aparecesse do jeito que é, ou deve ser, eu estaria com cara de Dunga até agora, não que ele tenha visto Deus, pelo menos não o Criador da Vida.

Se você quiser adotar uma medida radical, coisa que nem eu seria capaz de fazer, não perca tempo com nenhuma, eu disse nenhuma, das bobagens a cerca de Deus que existem por aí, não importa se foram ditas e/ou escritas por mim, pelo Edir, Ed, Rick, Gordim, Rubinho, Brabo, Alysson, Lewis, Vilma, Ariovaldo, Stott, Malafaia, ou sei lá mais quantos falsos profetas existentes nesse mundão sem fronteiras ou cheio delas. Nenhum de nós conhece a Deus, de verdade, acredite-me.

Caso lhe convidem para ouvir alguém falar sobre Deus, não perca seu tempo, a não ser que o pregador se chame Jesus Cristo. Trate de gastar melhor seu tempo, talvez um concerto do cara do Supertramp, mesmo que você só possa ver pela TV, na lanchonete ao lado do auditório onde o show se der, ou algo assim. Só não aconselho shows de músicas gospel. Bom, pelo menos eu, precisaria de uma boa dose preventiva de paciência associada a muita cretinice, injetada ou fumada, antes disso.

Se há algo de Deus a dizer, preciso usar as palavras de Jeanne Guyon para dizê-lo: “Deus está nos atraindo para Ele”. Enquanto isso, nos agarramos em dogmas e descrições ditas em nome dele, sem qualquer substância, que só fazem retardar nosso encontro real com o Divino. Essas tolices concebidas por mentes finitas, no máximo maquiavélicas, nos mantém estagnados e impotentes, a espera de soluções e respostas que nunca virão. Deus só faz puxar a corda, como uma montanha feita de minério de ferro imantado, nos atrai para si, silencioso. Ah, Senhor o meu filho, o meu pai, a minha mãezinha, as contas não pagas, meu emprego escravizante que nunca chega, um maridinho qualquer, ou uma namorada gostosona, nada, nada mesmo. Deixem os mortos enterrar seus mortos. Apenas sigam-me e não façam perguntas tolas, de preferência, escutem apenas.

Jesus Cristo só falou da chegada do Reino de Deus e de fé. “Se tiver fé como um grão de mostarda”. Essa é a postura que nos cabe em toda e qualquer situação: fé. O resto é deixar nos puxar até Ele .

Ξξξξξξ

OPS: Dois recados: 1) Aos meus credores: Tenham fé, quem espera sempre alcança. 2) Aos meus devedores: Gostaria de perdoá-los como ensinou Jesus, mas os meus credores estão nervosos, ameaçando colocar meu nome no SERASA, SCPC, cartórios, PT e todas essas porcarias ameaçadoras. Por favor, tenham misericórdia. A conta bancária é a mesma, um cliquezinho ao lado, e boa. Vamos lá, coragem. Livrar-me desses urubus será um ato de grande misericórdia, periga até, Deus reserva-lhes uma mesa bem na frente no grand show finale.

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Seria Deus um teólogo?

O povo estava em grande agonia, suportando as durezas do deserto, só havia maná com codornizes para comer e água para beber e ninguém é de ferro para suportar quarenta anos comendo a mesma coisa, filhos cardiopatas congênitos sem tratamento adequado que só era possível no INCOR do Egito, todo mundo com as contas atrasadas, nome no SPC e SERASA, medo do oficial de justiça aparecer para tomar as coisas, começando pela casa, e toda sorte de incômodos desérticos. Os olhares lançados contra Moisés eram insuportáveis e ele próprio dizia a si mesmo, o tempo todo: “Sou mesmo um tolo imbecil e não deveria ter me metido nessa encrenca”, ou algo assim. Então, em meio a esse turbilhão de problemas, resolve fazer alguma coisa, começando por livrar-se daquelas caras de reprovação e decide subir o morro. Alguns até fizeram menção de acompanhá-lo, mas ele os deteve alegando que Deus queria falar-lhe em particular. Intuiu ser melhor não fazer testemunhas que teria que eliminar depois.

Ninguém sabe direito o que aconteceu lá em cima. O escritor de Gênesis, pelo menos nesse trecho, certamente não era Moisés, pois está descrevendo as aventuras desse exótico escolhido de Deus na terceira pessoa. Entretanto, considerando o tempo que Moisés permaneceu lá, os velhos quarenta dias de sempre, presumo que ele deva ter traçado, centenas de vezes, uma boa rota de fuga. Pelo menos, é o que eu faria no lugar dele. Mas Moisés fora educado para ser Faraó, vontade secreta de sua mãe adotiva e que ninguém duvide, ela faria isso acontecer se o próprio filho não tivesse melado tudo, matando um inocente egípcio. Esse detalhe ajudou-o naquele momento de grande aflição, afinal Deus não costuma aliviar para quase ninguém nessas horas. Deve ser algum jeito divino de se divertir ou algo assim. O ex-candidato a Faraó, sob um raro céu cheio de estrelas e um frio mais suportável em uma daquelas noites e dias, acabou concebendo um plano com o seguinte conteúdo:

Considerando que Deus não fala com suas criaturas através do método tradicional, ou seja, o velho fala que eu te escuto, pois o barba branca gosta de jogos masoquistas de comunicação, cheios de enigmas e parábolas, ou um divertido diálogo de um homem com uma mula, quando não usa algumas antas para fazer o serviço, Moisés lembrou que seus conterrâneos, em meio a toda aquela confusão regada a areia e muito sol, acreditavam, sabe-se lá por que, que ele falava com Deus, como você e eu falamos no Skype, de vez em quando.

Sendo assim, decidiu agir como se tal realmente houvesse sucedido. Aquela algazarra toda precisava de ordem e progresso e nada melhor do que legislar nessas horas, como faria qualquer medíocre presidente da república, teólogos inconvenientes ou o síndico de seu prédio. Limpou uma boa área ao redor de onde estava e começou a escrever as leis. Ele dominava várias línguas, entre elas o sânscrito, a escolhida nessa fase do processo, e a primeira lei veio fácil, pois já estava com a consciência doendo e temia a desaprovação do divino. Saiu a indiscutível “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”, já aproveitando para liquidar com qualquer ideia de algum terrorista infiltrado qualquer, afinal entre aquele povo estava cheio de palestinos e nada como Deus determinar a todos para amarem-se mutuamente, com todas as redundâncias inclusas, para aplacar o ódio desses malucos filhos de Ismael. Essa lei foi tão bem bolada por Moisés que milhares de anos depois, o próprio filho de Deus, mesmo com o poder de veto, trataria de homologá-la, mesmo não sendo ano eleitoral, considerando-a como a lei das leis, praticamente, vetando todas as outras inclusas no documento de pedra do velho Mosa.

Naquela mesma noite choveu, coisa rara naquelas paragens e Moisés intuiu que se escreve-se o resto de seu tratado teológico na terra, perderia tudo, fora o trabalho de rescrever seu post, digo texto, ou melhor, lei. Levou alguns dias para conceber o método de escrita na pedra, mas sua mente preparada para construir pirâmides ajudou e ele encontrou o jeito de fazê-lo. Pena não ter escrito sua tese de mestrado ou doutorado sobre esse tema e ter nos deixado sem esse conhecimento. Se escrevêssemos sobre pedras ao invés de papel e computadores seriamos muito mais ecologicamente sustentáveis agora. Aproveitou para traduzir tudo para o aramaico, mais palatável naquela altura.

Depois disso, a tarefa ficou relativamente fácil, se é que podemos considerar aquilo como tal. Pelo tempo que demorou, o método mosaico devia ser bem lento. Faltava uma boa ajuda norte-americana para torná-lo mais prático, coisa que Steve Jobs e Bill Gates conseguiriam realizar com algumas piscadelas ou digitadas apenas.

Nessa altura, se você estiver pensando que estou querendo afirmar que Moisés teria sido nosso primeiro teólogo, acertou em cheio. Então, por que não titular esse texto com algo como: Moisés, o primeiro teólogo? Elementar meu caro amigo, primeiro esse título já foi usado por um monte de panacas por aí e depois porque desejo mesmo é acabar com todos os mitos contrários e afirmar que Deus não faz teologia. Negócio dele, em minha modesta opinião, é viver e deixar viver, perdoar, esquecer as coisas que para trás vão ficando, responder a tudo com: necessário vos é nascer de novo, ou seja como essa criança, que significa a mesma coisa, enfim, o velho e bom amor ágape e suas insignificâncias. Teologia é coisa do diabo, afinal a quem interessaria embaralhar tudo?

Mas nossas vidas e sistemas estão repletas de teologia, sem falar nas outras pragas, a psicologia e sua irmã mais velha, a filosofia, que deram origem a tantos outros joios, verdadeiros virus em meio à criação de Deus. Problema é que os laboratórios cibernéticos celestiais não conseguiram inventar nenhum antivírus capaz de neutralizar essas raças de víboras que, cada vez mais, fazem adeptos por todos os lados, inclusive eu. O primeiro dogma que me foi ensinado, através de minha avó, foi: Luizinho, vá lavar as mãos para almoçar porque papai do céu não gosta de meninos que comem com as mãos sujas. E o segundo foi o padre Teodoro lá no Meninópolis que ensinou que sexo antes do casamento era pecado, embora ele mesmo não o cumprisse. Teologia pura, recheada de psicologia e filosofia como sempre, e sem nenhuma concordância da parte do Criador.

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Ops: Estou decepcionado, para não dizer algo de baixo calão, com meus samaritanos que resolveram dar uma de sacerdotes em momento tão delicado. Tudo bem, fazer o que? Mais uma vez, essa maldita teologia da benemerência.

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Barrados no Baile

Esta semana, jantei na casa do Daniel Fresnot, uma noite. Quando cheguei, ele estava ouvindo discos (vinil) do pessoal da Tropicália (Caetano, Betânia, Gil e Gal) mais Chico Buarque e, enquanto eu pensei que eles haviam ficado velhos, o Daniel relatou o fato de tê-los conhecido pessoalmente e até convivido com eles, naquela época. No fim ele disse: Eles fizeram músicas muito boas, mas perderam a inspiração.

Essa frase soou como uma revelação, as pessoas antes de ficarem velhas, perdem a inspiração. Enquanto for capaz de criar, em qualquer campo de atividade, sobretudo nas artes, estarei vivo, ainda que o mundo tente me convencer do contrário.

Cheguei a uma idade em que sou lembrado, a todo instante, a fase da vida onde me encontro. Em uma sociedade Darwiniana como a nossa, a idade torna-se uma das manchas capazes de excluir a pessoa do grupo selecionado, em outras palavras, ser impedido de entrar na festa. Não apenas os velhos, os menores de dezoito anos também passam por isso. Taí mais uma fantástica marca registrada de Jesus: Ele veio com a missão de incluir os excluídos. Enquanto o mundo marcha excluindo os portadores de manchas (quem não tem a idade certa, a cor certa, o sexo certo, o nariz certo, o cabelo certo, o peso certo, os peitos certos, a bunda certa, os olhos da cor certa, a saúde certa, a altura certa, o conhecimento certo, o QI certo, o currículo certo, estado civil certo, a religião certa, a grana certa, a roupa certa, e uma infinidade de itens seletivos certos), Jesus é todo inclusivo. Inclusive, cometeu o desatino subversivo de declarar ter vindo para os doentes, ou seja, os excluídos, como razão de sua missão.

A igreja cristã é uma sociedade altamente seletiva. Se não for a maior, certamente figura entre as grandes excluidoras da sociedade contemporânea, na contramão dos ensinos de Jesus. Ele andou recolhendo portadores de deficiências, endemoniados, crianças, órfãos, viúvas e todo tipo de indivíduos segregados de sua época para abrigá-los sob suas asas. Não estou me referindo à participação deles em cultos ou missas, apenas, mas em tratá-los com igualdade e amor, de tal foma que sintam-se parte do todo, em todas as situações. Talvez, o mais importante seja perguntar se essas pessoas estão tendo uma vida digna, com suas necessidades básicas supridas e o afeto necessário que faz alguém sorrir. Sobretudo, não julgá-los se estiverem endividados, mal vestidos e despejados, mas ser capaz de estender-lhes a mão, lavar-lhes os pés e tratar suas feridas.

Jesus morreu relativamente jovem e avisou que sua morte precoce seria necessária para que o Espírito Santo assumisse a função de nos vivificar e permitir que fizéssemos obras maiores do que as que ele fez. Não sei quanto a você, mas minhas obras andam meio tacanhas diante das pretensões de Jesus. A ideia não é apenas carregar uma bíblia, um crucifixo pendurado no pescoço e frequentar uma igreja aos domingos, mas ser inspirado por ele, vinte e quatro horas por dia, a praticar as mesmas obras que ele praticou e não barrar ninguém no baile. Talvez seja a fórmula mágica para construirmos um mundo sustentável e ainda esperar pela tal vida eterna.

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A fé gera a fé.


Ontem, enquanto conversava com um amigo que não por acaso é pastor, relatei uma constatação antiga decorrida de uma experiência de fé. Por mais incrível que possa parecer, convivi um tempinho nada desprezível com as hostes do Apóstolo Jorge Tadeu, inclusive com uma estada de um mês em Portugal, trabalhando na casa dele (que também era a sede da Igreja). Ainda bem que, segundo pessoal da própria Igreja Maná, à época, eu não era um deles. De fato, meu trabalho basicamente se restringia às questões de informática, área em que o Apóstolo é muito bem resolvido. Apesar de não ser considerado um deles, o apóstolo sempre me teve em alta conta. De fato, não praticava 90% dos dogmas apregoados na Igreja e, muito menos, acreditava neles.

Voltando à constatação, certa vez, D. Eunice (ela é a manda-chuva das igrejas Maná em terras brasilianas) veio à minha sala,  e me fez um longo sermão, incomodada com meu fraco envolvimento nas coisas “espirituais da igreja”. Entre outras coisas, ela mencionou o fato (segundo as crenças dela) de que eu gastara toda a minha fé em minhas experiências missionárias do anos 70/80 e agora estava sem fé, sendo assim, precisava encher o tanque da fé novamente. Só assim, Deus voltaria a me abençoar. Embora não desse 1% de crédito, em termos teológicos, a essas asneiras, aquilo me incomodou no aspecto emocional, não na relação eu-eu ou eu-outros, mas entre Deus e eu. Estaria Deus chateado comigo por haver abandonado meu ministério missionário pelos cuidados desse mundo? Apesar de não ser exatamente a expressão de minha verdade.

Devo ter enviado um monte de faxes ao céu (meio de comunicação mais usado, na época) solicitando diretrizes urgentes. Ao contrário do Matrix, nunca tive a facilidade de utilizar um telefone público para falar com Deus. Afinal, eu havia sido incluído na lista dos bloqueados em termos de bençãos? Nesse caso, a razão seria algo relacionado à minha contrapartida em termos de fé?

Engraçado como um leve pressuposto equivocado pode embananar todo o processo. Isso é muito comum entre os pagãos, pois embasam suas crenças em sistemas dogmáticos, na base legalista do olho por olho e acreditam em teologia das obras. Pior é verificar as imensas construções que eles edificam sobre esses alicerces arenosos. Basta um aviãozinho teleguiado qualquer para ruir a estrutura toda, não importa a imponência da torre.

Fato é que Deus resolveu me responder e o fez por vários meios, palavras diretas e indiretas, Bíblia, livros, textos, filmes, vídeos, mensagens do Bregantim-Caio, Malafaya, Warren, Ed, Edir, Gondim, Shedd, enfim, a camarilha evangélica toda, sem saber, foi usada pelo divino, interessado em desfazer essa duvidazinha no meu coração. Então, sem alternativa, constatei que Deus não usa relógio e suas ações são eternas e não pontuais, mais, ele não é tri-dimensional mas multi-dimensional. A fé em mim ou em você é ato de Deus, portanto eterno, tipo use se quiser ou precisar. Jamais dependerá do sistema de crédito secular. Quando o pessoal do céu inscreve nossos nomes num tal Livro da Vida, muito bem guardado na biblioteca Celeste, simultaneamente abre-se uma conta no Banco Celestial, em nosso nome espiritual com crédito eterno ilimitado, onde podemos sacar à vontade, independente do volume de depósitos que venhamos a efetuar. Se o fizermos, tanto melhor, pois estaremos protegendo nossas riquezas verdadeiras de traças, ferrugem, ladrões e governos mundanos. Evidentemente, a moeda corrente nesse banco não é dinheiro, mas fé.

Sendo assim, há fé disponível para mim e você a qualquer tempo, hoje e sempre. Reclamei, dias atrás, das ofertas de R$ 1.000,00 oferecidas ao Malafaya, não sem inconsistentes apelos com ajuda do Murdock, particularmente pelas ofertas realizadas por dois amigos meus. Na verdade, estava morrendo de inveja, afinal e apesar de ter sido um grande missionário no passado e ainda dar as minhas tacadas na atualidade, vez por outra, nunca havia recebido uma oferta desse tamanho, muito menos as trezentas que o novo Apóstolo do pedaço recebeu, só naquela semana. Tá certo que ele oferece recompensas que não estou autorizado a conceder. Quem oferta a mim, só estará fazendo depósitos morais no Banco Celeste, que poderá ou não cambiá-los por fé, pois a grana será administrada por euzinho mesmo, podendo até virar uma máquina reluzente (Lear-Jet, Focker, Mercedes, BMW, Harley-Davidson, Fiat ou Ford Ka) e não daremos direito de devolução, muito menos de reclamações. Voluntariamente, oro por meus contribuintes, mania que ainda não perdi e não pretendo perder, e nessas orações solicito bençãos abundantes a eles, entretanto, não há compromisso algum aí. Essa decisão fica por conta do Magnânimo e o julgamento temerário dele.

Um outro alerta importante a fazer, diz respeito ao fato de que nem todas as minhas orações são atendidas. Diria, inclusive, que a maioria delas não é. Por exemplo, faz um tempão que estou orando por uma fonte de renda estável para manter a mim e minha família, com nossas peculiares necessidades incluídas e, até agora, a resposta foi zero. De vez em quando aparece um bico aqui, uma palestra ali ou uma consultoria acolá e só. Meu sentimento, por mais ridículo que possa parecer, é que Deus continua me tratando como um missionário, sabe aquela mania dele considerar os compromissos como eternos? Então, embora minhas missões tenham se tornado provincianas, mais na orla de Sorocaba e adjacências, tratando de pessoas pouco bem vindas à igreja, como os cardiopatas congênitos, dependentes químicos, órfãos e viúvas, onde a preferência sempre é pelo irmão mais velho do filho pródigo. O que não deixa de ser uma resposta de oração. Sei lá.

Sendo assim, o grosso de nossas contas acabam sendo pagas por contribuições subversivas de irmãos, amigos e parentes desobedientes que insistem em assistir pessoas rejeitadas pelo status quo religioso, feito eu , ou talvez por culpa, ou  pura pena, mesmo. Meu orçamento desse mês pedia uma quantia acima de R$ 3.000,00, incluindo atividades missionárias e despesas da família, fora dívidas anteriores (um montante 1000% acima deste). Como sempre, levei o assunto à presença de Deus que me ouviu calado como sempre. Avinhe? Recebi minha primeira oferta de mil, sem ajuda do Murdock. Me foi entregue pelas mãos do meu amigo pastor em nome de sua igreja. Fica aqui minha petição pública para que Deus derrame sobre essa gente boa as mais abundantes benças celestiais e terráqueas.

Entretanto, como aprendi nos meus exaustivos anos de trabalho na Avon Cosméticos, mais o tempo em Portas Abertas, continuo buscando com todas as minhas forças, honrar e receber, com igual ou superior consideração, as pequenas contribuições, sempre abençoadamente presentes ao longo da minha vida e/ou ministério meio apócrifo.

A conclusão a esse amontoado de besteiras me parece óbvia, também, meu negócio continua sendo viver pela fé, fonte inesgotável que nunca me foi bloqueda ou retirada. Talvez seja necessário fazer a revisão dos 10 mil kms, ajustando melhor as configurações. Certamente se meus voos forem maiores, as provisões serão equivalentes. Para saídas curtas, posso ir a pé mesmo, e não haverá custos maiores e a dose de fé, pode ser aquela do grão de mostarda, mesmo. Como diria outro subversivo incorrigível, a fé gera a fé. Taí, algo que poderia ser incluído no livro sobre fé que o Pr. Wagnor me encomendou.

OPS: Graças às conhecidas intransigências da Telefonica, você ficaram sem meu saber e elevado grau espiritual em forma de palavras textuais. Acostumem-se, a corda sempre arrebenta do lado mais fraco. Adoro os clichês, evitam desperdício de fosfato.

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Adquirindo o Reino de Deus

O Reino de Deus parece estar à venda para os ricos, afinal, Jesus ofereceu-o ao jovem rico pela bagatela de toda a fortuna do mancebo distribuída aos pobres. Disse mais, o Reino de Deus é como um homem que encontra uma pérola de bom tamanho e vende tudo que tem para poder comprá-la. Pobres ricos, tanto trabalho para ganhar e agora precisam se desfazer dela para continuar a viver.

Já os pobres bem como os perseguidos por causa da justiça, segundo o entendimento do Nazareno, já estão com o Reino de Deus garantido, desde que não apareça nenhum jovem rico maluco para acabar com a pobreza deles.

Acho uma imprudência Jesus sair por aí dizendo essas coisas subversivas. Essas ideias arrebentam com nossas queridas crenças capitalistas, neoliberais e materialistas. Meus filhos, que já tinham a mim com minhas ideias nada ortodoxas, depois de lerem essas insanidades, não conseguem mais se ajustar nesses roteiros de vida escola/diploma-trabalho-igreja-família-cemitério-céu.

Gostaria muito de saber onde chegaríamos com outro modelo de vida. Sou obrigado a aceitar que não viver conforme o modelo proposto por esse mundo é absolutamente inviável. Meio compulsoriamente, é na dissidência que tenho vivido, não por opção mas por falta dela. Não sei se me enquadro em uma ou nas duas possibilidades dos que já tem o Reino de Deus. Me sinto pobre e injustiçado, se querem saber, mas tenho dúvidas se é desse tipo de pobre e injustiçado a quem o Galileu se referia. Colocando de outra maneira, não tenho mais tempo para enricar, ser perseguido por causa da justiça ou para conseguir a pobreza total que me possibilitem obter qualquer um dos requisitos exigidos para chegar ao Reino de Deus. Mas sinto uma enorme inveja de quem não deu ouvidos a Jesus e seguiu o caminho mais fácil, mais óbvio e menos árduo. Não tá fácil viver na mira dos dardos inflamados do inimigo.

Me pergunto se após o limiar da compra da pérola de bom preço ou da farta distribuição de riquezas aos pobres,  há uma vida legal para se viver. Desconfio que o Mestre da Galileia acreditava que jamais alguém seria capaz de dobrar o cabo da boa esperança celeste e nem se deu ao trabalho de planejar essa parte. Acho que para Ele, não haveria pobres, injustiçados ou ricos malucos que se dignificassem e fizessem jus ao prêmio supremo.

Então ele tratou de resolver o problema, não se suicidando via crucis, como queria Anselmo, mas com a sua demonstração de como viver sem fazer força e pela fé, na certeza de que seu Pai acabaria recebendo todo mundo no Reino dele, menos os desprevenidos e os mal vestidos, claro. Tenho um amigo que sempre lembra que para entrar no Reino de Deus é preciso ser fashion.

A morte dele só aconteceu depois disso e foi ocasional, apenas. Ele avisou que se destruissem o templo, ele o reconstruiria em três dias. Haja fé.

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Dar é muito melhor que receber, creia

Alguns amigos ficaram preocupados com a repercussão do post de ontem, Fantasma da Ópera, tosca, em relação à possibilidade dele suscitar um tiro saindo pela culatra, em outras palavras, ao invés de evitar doações, provocá-las. Também houve quem entendesse a frase onde disse que: “Na verdade, não quero mais viver se não puder fazê-lo com dignidade” como uma declaração de abandono à vida, mas não foi essa a ideia, muito longe disso.

Isso me deixou preocupado. Minhas incapacidades na escrita estão se tornando cada vez mais evidentes. Então achei prudente e oportuno fazer os esclarecimentos necessários.

Minha queixa é contra a arrogância e o menosprezo por parte dos doadores com complexos sacerdotais e preconceitos contra samaritanos. A única coisa que me faria mais feliz do que uma boa esmola (oferta, contribuição, doação, etc.) seria uma situação estável que me libertasse de ser um “necessitado de esmolas”. Sei bem o que o mestre desejou dizer com aquela frase aparentemente fora de contexto: “Melhor coisa é dar do que receber”. Ele estava ser referindo ao que estou tentando comunicar, ou seja, estar na posição de receber não é mole não. Acontece que essa deveria ser a posição de todos os ministros do evangelho, simplesmente porque ela tem a capacidade de nos manter humildes. Certamente, essa não é a condição da maioria dos possíveis doadores, mas eles precisam de nossa humildade para serem libertos do poder das posses desse mundo.

Por isso mantenho abertas as portas às doações (bastar olhar para essa página com mais cuidado pois  elas estão evidentes) na esperança de que os doadores ajam conforme as orientações de Jesus Cristo, de tal forma que a a sua mão esquerda não saiba o que fez a sua mão direita (no caso dos destros), ou seja, cumpram esse dogma libertador de forma secreta e anônima, de preferência.

Desconfio seriamente que o Barba Branca não responda às minhas súplicas e orações, complementadas com sérias ações de busca e importunação, com a ajuda dos maiores sites de empregos da Internet, por uma tal porta ou saída para uma situação fixa e estável, justamente porque seus planos incluem a libertação do povo escravo do dinheiro e incapaz de dar tudo aos pobres e seguir o Mestre, ato que fui suficientemente imprudente de cometer, de diversas formas e me colocar na contra mão das preferências dos cristãos que não concordam com Jesus nesse ponto.

Sempre que estive envolvido em projetos relevantes, minha situação financeira obteve considerável melhora, independente da capacidade deles gerarem ou não essa possibilidade. Mas creio entender a dificuldade da maioria das pessoas em praticar as sugestões bíblicas para essa área, especialmente diante da postura monástica de Jesus. Entretanto, o peso de crer que a opção pelo despojamento é infinitamente superior a qualquer outra, torna-se insuportável diante dos olhares desconfiados e dos julgamentos da galera. Quanto aos projetos, eles não podem surgir por presunção, mas sempre serão atos contínuos à uma vida de serviço e observância das intransigências crísticas, ou seja, atos de amor ágape.

Atrevo-me a afirmar que a correta equação bíblica para a doação não seria “Dai e servos- a dado” (c0isas), mas “Dai e servos-a dado” libertação, desprendimento, soltura das amarras que nos prendem a esse mundo materialista, seja de direita ou de esquerda.

Para encerrar, declaro a todos que o post anterior não conseguiu mover contribuições para a minha conta, com exceção ao meu quase único fiel, e não menos relutante, contribuinte que nos visitou com sua contribuição de amor.

Ops: Aos amigos preocupados com a saúde cardíaca de meu filho Thomas, informo que a consulta a ser realizada hoje no INCOR foi adiada devido a uma gripe de ultima hora e deverá ser remarcada na próxima semana, dependendo da recuperação dele. No site do Projeto Coração Valente, manterei informações mais detalhadas sobre essa nova etapa no tratamento do Thomas. De qualquer forma, agradeço às preocupações e orações despejadas por ele. Como se vê, Deus parece tê-las ouvido.

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