Archive for category Evangelho Segundo Khalil
Pacificador de Cabul
Posted by Lou Mello in Evangelho Segundo Khalil, Missões Perenes on 27 de janeiro de 2010

Escrevi sobre os pacificadores algumas vezes, não há como, eles são chamados “Filhos de Deus”. As pessoas almejam muitas coisas, certa vez ouvi o Dr. Adib Jatene declarar, em uma entrevista, almejar vencer a vaidade. Sem dúvida um bom propósito para quem gosta deles e incomum. Choca-me nunca ter ouvido ninguém cujo grande ambição fosse ser um pacificador.
Em princípio, essa atividade incluí atitudes como não entrar em brigas, não estimular contendas, guardar segredos, não cair em tentação, optar pelo: quando um não quer, dois não brigam e tal. Mas quando começamos a pensar no assunto verificamos a profundidade do buraco. O Obama, por exemplo, pretende pacificar o Afeganistão enviando mais trinta mil soldados armados até os dentes para pacificar aquele lugar esquecido e poético. Qualquer dia escreverei um livro cujo título iclua a palavra Cabul. Não é chic? Quem diria que um ganhador do prêmio Nobel da paz seria capaz de ousar tanto em seus gestos pacificadores. Sempre imaginei que pacificar fosse fazer, exatamente, o contrário. Sou mesmo um tolo.
Nas milhares de entrevistas concedidas, me perguntaram qual o meu método de escrita, na maioria delas. Na verdade, não tenho padrão algum. Geralmente, não sei para onde vou quando começo a escrever, mas nesse caso específico quero dizer, sutilmente, que os cristãos de fato precisam ser pacificadores. Se tem algum dom do espírito doado como se fosse dinheiro para as vítimas do terremoto no Haiti, esse dom é a paz. Paz para pacificar, ora bolas. Se o cara tem Jesus Cristo em seu coração, então ele é um pacificador.
Já repararam como o Malafaya pacifica? E eu? Ele pacifica levando as pessoas a doar mais para o ministério dele e eu provocando os caras vencedores. Questão de método, mas nós dois temos Jesus no coração e o dom da paz, tanto quanto alegria, longanimidade, benignidade e bondade, fidelidade, mansidão e domíno próprio, tudo isso junto redundando no amor. Já reparou que todos esses atributos fazem de nós gente pacificadora? É, Deus sabia o que estava fazendo quando nomeou o Espírito Santo para ministro dos dons espirituais e o apóstolo Paulo para seu relaçãoes públicas.
Olha, se encontrar por aí alguém pacificando de verdade, embora seja redundante, então encontrou um pacificador. Adoro aquela cena do filme Gandhi (assisti pouco esse filme) quando ele diz para o cara indiano, cujo filho foi morto por um muçulmano, para adotar uma criança muçulmana, cujo pai muçulmano foi morto por um indiano. Infelizmente, nem todos os que se dizem cristãos são pacificadores, pior, a possibilidade de que a grande maioria dos pretensos cristãos estejam muito longe de serem chamados Filhos de Deus, é muito grande.

Recompensados
Posted by Lou Mello in Evangelho Segundo Khalil on 15 de novembro de 2009

Dessa vez não posso falar apenas sobre a semana passada, afinal, há mais de um ano não publicamos nada nessa série. Mas tenho uma boa desculpa, o Khalil foi encarregado de algumas missões estratégicas em solo muçulmano. Começou na faixa de Gaza, depois foi ao Iraque e ao Afeganistão e uma das regras a seguir, nessas ocasiões, é o blackout total de informações, por questões de segurança. Assim que retornou a Jerusalém, conversamos longamente pelo Skype e ele aproveitou para me mandar esse texto, dando continuidade, então. Vamos lá, bíblias nas mãos e óculos nos rostinhos lindos. Mãos à obra. Abram em Mateus 5:11 e 12.
“Bem aventurados serão vocês quando, por minha causa, os insultarem, os perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês. Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a sua recompensa nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês.
Então o Senhor fez essa síntese sobre as bem-aventuranças, sobretudo enfatizando não haver dor, sofrimento ou angústia por causa dele que não venha a ser recompensada. Fez mais, deixou claro que essas recompensas estariam depositadas no banco celestial em nossos nomes. Elas são pessoais e intransferíveis.
Certa vez, o Lou foi vitima de uma grande perseguição. Aconteceu no tempo em que foi diretor de creches na prefeitura de São Paulo e a razão era sua opção cristã. Ele nunca foi do tipo proselitista. Incansavelmente nos ensinava que deveríamos deixar o evangelho do Senhor Jesus ser anunciado através de nossa generosidade, de nossas ações em favor do próximo, de nossa gentileza e cavalheirismo. Nisso se esforça, pessoalmente, o que muito lhe tem custado. Nada poderia ter irritado mais aquela gente e, pouco a pouco, o ódio se transformou em ações persecutórias até a completa exoneração de meu melhor amigo daquele trabalho, que ele fazia com total empenho, sempre honrando o nome do Senhor.
Sei que novas dores têm sobrevindo sobre ele, ultimamente, mas seu saldo no banco celeste deve estar altíssimo, em compensação. Não pense você que ele vive pelos cantos chorando sua miséria. Continua o mesmo gozador de sempre. Uma de suas frases favoritas em meio ao sofrimento sempre foi: “Oba! Meu crédito no céu ficou maior hoje” ou “Acabo de ganhar mais uma medalha de ouro, está bem aqui em meu peito… do lado de dentro”.
Não importa o que pensa a justiça humana. Sofreu por causa de Jesus, mesmo que seja uma simples vergonha aqui ou ali, plim plim, sua conta foi creditada lá em cima, sem qualquer burocracia, nem mesmo um carimbinho básico de algum oficial calhorda. Tem mais, não pense que o Mestre estava falando só das grandes ações ministeriais ou missionárias, ele considera cada lágrima em seu rosto como um sofrer em nome dele, afinal ele pensa em você como sendo dele, acredite.
Está doendo? Plim, plim, seu crédito acaba de crescer no Banco gerenciado por nosso Senhor Jesus Cristo, fora o novo troféu na prateleira.
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5. Levou sobre si as nossas dores
13. Recompensados
לּהּמּ

Perseguidos
Posted by Lou Mello in Evangelho Segundo Khalil on 19 de outubro de 2008

Não foi uma grande semana, mas não aconteceu nada de ruim, exceto um notebook com um mal ainda não detectado. Alguns convites para palestras e pregações, sempre pelo sistema de risco. Assim, fiquei na Gruta mesmo, se não ganho também não gasto. Bom chega de enrolação e vamos ao que interessa. Bíblias nas mãos, óculos na cara e rostinhos bonitinhos. Abram em Mateus 5: 10
“Bem – aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus.”
Quando o Senhor pronunciou esse aforismo, estremeci. Não sabia por que, mas senti um arrepio dos pés à cabeça. Mais tarde, andava pela praia, observando a pesca vespertina quando ouvi a voz do Mestre: Khalil! Venha cá, veja isto. Ele tinha um espeto com peixe fresco assado na mão direita. Aproximei-me e ele me entregou o peixe. Sentamos na areia, ao lado dos outros comilões, para saborear o alimento. Durante uns dez minutos, ninguém disse palavra. Então resolvi quebrar o silêncio e lancei a pergunta ao mestre: O que é a justiça, Senhor? Meu pai é a justiça e todos os que viverem piedosamente segundo as palavras de meu pai, padecerão perseguições. Falou com firmeza e doçura.
O Lou repetiu muitas vezes que o Irmão André, da Open Doors Mission, tinha especial atenção para com o versículo bíblico que está em II Timóteo 3:12, onde o apóstolo Paulo repetiu exatamente as mesmas palavras. O holandês lia esse versículo nas reuniões e depois perguntava aos cristãos se eles estavam sendo perseguidos. Afinal, as perseguições acabam sendo nossa marca registrada. Não há cristão vivendo piedosamente em Cristo Jesus que não padeça perseguições.
Muitos dizem que Deus é justo. Deus não é justo, ele é a justiça. Isso faz toda a diferença. Andar com ele em nossos corações nos leva a viver sob perseguições porque o mundo odeia a justiça e seus seguidores. Jesus Cristo encarnou e se fez justiça por todos nós.
E você? Está padecendo perseguições?
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5. Levou sobre si as nossas dores
לּהּמּ
Os Pacificadores
Posted by Lou Mello in Evangelho Segundo Khalil on 12 de outubro de 2008
Depois de uma semana penosa, onde arrastei os dias com suas rápidas horas sobre os ombros, já cansados, estamos no inicio de uma semana toda nova. Agora as esperanças se renovam e a pergunta que não quer calar salta do baú: Ela conterá a tão sonhada porta de saída? Fiz bem em não aceitar o convite do Fed para pregar na igreja dele, apesar da insistência quase insuportável, pois o Khalil, imprudentemente, deixou comigo vários capitulos da série e posso compartilhá-los em nossa capela. Vamos lá, tirem as bíblias das mochilas, coloquem os óculos e abram em Mateus 5: 9.
“Bem – aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus.”
Nosso Senhor, mestre em todos os momentos, conseguia destacar-se ainda mais quando era provocado ou diante de alguma contenda entre as pessoas com as quais cruzava. Sua competência em gerar paz onde havia guerra, amor ao invés de ódio, tranqüilidade na adversidade e serenidade aos espíritos agitados, acontecia de forma inigualável. A perfeição era tanto que ele chegava a abafar o fogo de uma contenda com um único olhar todo amoroso.
Estávamos em Moçambique, o país em guerra civil, quando chegamos ao aeroporto de Beira, Haroldo, Lou e eu, e experimentamos um momento terrível. Em poucos minutos, todas as pessoas desapareceram, as luzes foram apagadas logo que o avião com o qual viéramos levantou vôo seguindo sua viagem. Tentamos telefonar para a Valnice, mas os telefones da cidade sob bombardeios não estavam funcionando. Sem encontrá-la não teríamos onde ficar ou o que fazer. Ficamos os três com cara de paspalhos animados com o som de baterias anti aéreas ao fundo. Foi pavoroso. Estávamos com medo, mas o Haroldo estava mais agitado e vociferou: E agora, estamos ferrados! O Lou disse a ele: Vamos orar, Deus nos dará uma saída. O homem perdeu a paciência de vez e gritando respondeu: Isso não é hora para brincadeiras. Estamos correndo risco de morte. O Lou abaixou a cabeça e orou em voz alta: “Senhor, somos teus filhos e estamos aqui cumprindo a missão ordenada por ti. Nesse momento não sabemos o que fazer. Por favor, providencie uma saída imediata e acalme os nossos corações agitados”.
Por um momento, olhando perplexo para o Lou, vi o Mestre em pessoa. O Haroldo deve ter tido a mesma visão, pois agora corriam lágrimas abundantes em suas faces. Muitas vezes o Senhor apaziguou seus seguidores assim, até a voz soou igual. Então meu amigo voltou à cabine telefônica, Haroldo e eu não entendemos nada. Quando retornou, com aquele seu maravilhoso sorriso estampado na cara, disse: “Liguei para a Valnice, outra vez. O telefone tocou duas vezes e ela atendeu, neste momento está a caminho para nos buscar”.
Ela não estava em casa, mas, não sabe por que, lembrou de algo que esquecera e voltou para buscar, quando abriu a porta do apartamento o telefone tocou e era o Lou do outro lado. No dia seguinte, fomos informados pela Valnice que os telefones da cidade não funcionavam há meses.
Os pacificadores não alimentam contendas, nem mesmo as interiores, pacificam-nas e serão chamados por toda a gente de Filhos de Deus.
OPS: Ao ler esse texto não pude evitar outra emoção. Ele fala de um tempo em que vivi meu cristianismo muito mais decididamente e sem reservas. Saudades.
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5. Levou sobre si as nossas dores
לּהּמּ
Corações purificados
Posted by Lou Mello in Evangelho Segundo Khalil on 21 de setembro de 2008

Consegui resistir, gosto dessa informalidade e despojamento da nossa pequena capela, com pouca gente e a amizade cheia de camaradagem. Uma ou outra vez vale a visita a uma grande igreja, até para valorizar nosso pequeno espaço de fé e generosidade. O trecho narrado pelo Khalil, (o cara mais puro dentre todos os meus conhecidos), hoje, reveste-se de especial significado para mim, pois incluiu uma pequena história contada por ele a mim, dezenas de vezes. Vamos lá, bíblia na mão, óculos na cara e à leitura de
Mateus 5.8:
Bem-aventurados os puros de coração, pois verão a Deus.
Nessa ocasião, o senhor Jesus chegou para mim e disse: Khalil, em que você está pensando? Hesitei um instante e depois balbuciei algumas palavras desconexas. Então ele emendou: O Pai e eu somos um, assim como eu e você somos um, através do meu espírito. Você precisa me dar liberdade de agir através de você para as pessoas poderem sentir a minha presença, a minha paz e o meu amor.
A partir daí passei a perceber as duas faces da mesma moeda, manter o coração puro é o caminho mais curto para a presença do Senhor em nossas vidas e a possibilidade real para permitir, a todos os outros à nossa volta, o mágico perfume de nosso Mestre exalando por nossos poros, olhares e gestos.
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5. Levou sobre si as nossas dores
לּהּמּ
Os misericordiosos
Posted by Lou in Evangelho Segundo Khalil on 14 de setembro de 2008
Depois de uma semana agitada, trocando de provedor, agora com o melhor (Locaweb) e já desfrutando da mudança, a Caixa Postal não travou nenhuma vez mais e o blog está navegando em velocidade plena. Os planos são maiores, depois de estabilizar o blog vem a parte mais trabalhosa, que começa essa semana. Sem me preocupar muito com os contadores, não aceitei convites para pregar hoje e fiquei livre para lhes entregar mais uma página do procuradíssimo Evangelho segundo Khalil, esse amigo de tantas aventuras e momentos únicos de nossas vidas, neste domingo meio opaco, nesse nosso pouco pretensioso culto da Gruta, em nossa mini Capela. Bíblia espanada na mão, óculos fundo de garrafa na cara e vamos nessa com o Khalil em
Mateus 5:7�
“Bem – Aventurados os misericordiosos pois obterão misericórdia”.
O mestre disse essa bem – aventurança olhando para mim. Naquele instante lembrei de uma passagem em nossas vidas, engraçado ter lembrado disso assim, fiquei com a sensação dele ter consciência dessa minha experiência e estar me confortando, enquanto confortava todo aquele povo à nossa volta.
Nós, descendentes dos povos do oriente médio, temos a fama de ser zelosos quando o assunto é dinheiro. Talvez nosso zelo seja até exagerado, às vezes. Havia um homem em nossa vila muito simpático, mas tinha fama de ser pouco regrado em suas finanças. Era bom marido para sua bela esposa e um bom pai para seus filhos, pois os amava sem limites e por eles daria a vida sem pestanejar.
Ele me procurou, certa vez, estava endividado e aflito, não queria preocupar a família, mas corriam sério risco de serem despejados da casa onde moravam e não tinha idéia para onde levar a família, caso isso viesse a acontecer. Perguntei-lhe o montante da dívida e a resposta me assustou, pois ele devia mais de dois anos de aluguéis.
Incentivado por meu pai, vinha poupando dinheiro desde menino e tinha uma boa quantia guardada. O valor necessário para ajudar meu amigo era quase igual ao total em meu poder. Pedi um tempo para pensar, sem dizer a ele se tinha ou não condições de ajudá-lo. Não busquei conselho com meu pai e meus irmãos, pois sabia previamente a opinião deles sobre isso. Então tomei a decisão difícil e procurei o homem e neguei o empréstimo. Surpreendemente, ele me agradeceu e beijou minha face, antes de ir embora.
Passado algum tempo, aquele homem e sua família foram despejados da casa. Ele foi cuidadoso e procurou, de todas as formas não expor a família à vergonha e humilhação, se isso era possível. Não sei para onde foram, nem o que aconteceu com eles.
Eu tinha o dinheiro necessário para salvá-lo e tive a oportunidade. Considerei minha poupança e segurança importantes e neguei-lhe ajuda. Era um direito meu e eu não tinha nada a ver com a vida daquele irresponsável. Ele e sua família não valiam metade do meu dinheirinho querido.
O nome do homem em questão era Pasquim, José Pasquim. Belo dia, um domingo, depois do grande almoço da nossa família, ocasião reservada a grandes papos, meu pai começou a contar uma história desconhecida por mim. Filho mais novo, perdi boa parte das experiências mais duras de nossa história, sob as asas protetoras de meu bom pai.
Segundo ele, nossa casa foi desapropriada pelo governo autoritário sob a promessa de uma compensação qualquer, sabidamente não confiável. Da noite para o dia, meu pai recebeu a ordem para deixarmos o imóvel. Não tínhamos para onde ir e muito menos, dinheiro para resolver a situação.
Naquela época, um cliente de nossa loja, um homem simpático, mas sempre atrasado com suas prestações, apareceu para pagar a conta e foi logo dizendo: Hoje eu pagarei tudo, pois ganhei um bom dinheiro de uma herança deixada por um parente distante. Ele estava radiante, mas notou o semblante triste de meu pai. Perguntou a razão e o velho expôs nosso problema terrível.
José Pasquim não hesitou nem um segundo e disse para papai. Olha, tome meu dinheiro, vá e compre uma casa na vila para sua família. Não dá para pagar o valor total, mas é a entrada necessária para fechar o negócio. Não sobrou dinheiro para quitar a dívida dele na loja, pois ele deu tudo para meu pai.
Deixei a sala e fui para meu quarto e chorei muitas horas. Nada poderia me consolar.
Quando o Senhor Jesus disse essas palavras olhando em minha direção, pela primeira vez em minha vida, senti o completo consolo. Percebi o perdão de Deus entrando por minhas veias e artérias, chegando até meu coração. Chorei de novo, compulsivamente. Acabara de entender quem são os misericordiosos, e porque receberão misericórdia.
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5. Levou sobre si as nossas dores

Os famintos
Posted by Lou in Evangelho Segundo Khalil on 31 de agosto de 2008
Na última semana, o pessoal deu uma certa trégua e minha caixa postal funcionou quase normalmente, exceto na sexta-feira, com a volta da banda larga entrei forte nelas com dois brownsers de E-mails e os caras do provedor bloquearam meu IP e me deram um trabalhinho extra para convencê-los a desbloquear. Tinha mensagens de maio não respondidas, graças à Telefonica. Bom, pelo menos eles foram sensatos em admitir que eu não sou fácil e optaram pelo caminho mais óbvio. Mas vamos ao que interessa, você sabe onde sua bíblia está? Ótimo, então tire o pó dela, coloque os óculos e acompanhe o Khalil em Mateus 5:6
“Bem aventurados os que tem fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos”
Aprendi com nosso Rabi Galileu a ler o pensamento das pessoas. Não se trata de telepatia ou algo místico. Ele nos mostrou como o pensamento estava sempre estampado na cara das pessoas, tudo que precisavamos fazer (ou precisamos fazer) é aprender a ler essa mensagem.
Nessa ocasião, estavamos sendo acompanhados por milhares de pessoas. Incrivel como um monte pode abrigar tanta gente. Para todos os lados que olhavamos, nossos olhos não conseguiam ver onde terminava aquele multidão. Com a ajuda dos ventos, o som da voz mansa e firme de Jesus chegava clara a todos os ouvidos. Ele havia lido naqueles rostos sedentos o clamor por justiça.
Claro que todos nós ficamos cheios de interrogações. Afinal ele usou as palavras fome e sede antes de justiça. Para aquela gente faminta e sedenta, talvez fosse melhor dar pão e água. De fato ele fez isso, em uma das maiores e mais espetaculares situações vividas por seus discipulos junto a esses milhares de mendigos. Mas nesse momento, ele estava fazendo uma revelação grandiosa, muito mais importante do que eliminar a fome com qualquer programinha tipo Fome Zero ou PAC, ele estava declarando o poder do sofrimento advindo da ância por justiça.
Você sente que o chão está querendo sair debaixo dos seus pés? Acorda todo dia com medo de viver? É a fome de justiça meu amigo ou minha amiga. Você será satisfeito e não precisará pagar nem um centavo a mais de imposto.
Depois disso, tive oportunidade de perguntar-lhe sobre o significado de justiça e ele me respondeu: Khalil, lave os pés daqueles que lhe seguem e você ama, deixe que eles sirvam-se antes de você, no jantar, faça a eles tudo que você gostaria que eles lhe fizessem e eles serão satisfeitos. Fiquei imaginando que ele estava profetizando alguma atividade política em meu futuro, afinal os políticos são os maiores ladrões de justiça do povo.
Por outro lado, a promessa de satisfação de justiça é eterna. Sua fome é libertadora e os famintos os protagonistas dessa história.
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Lágrimas valorosas
Posted by Lou in Evangelho Segundo Khalil on 8 de junho de 2008

Depois os caras querem tirar o sucesso de minha religião. Não é possível viver sem sucesso. Nem Jesus conseguiu. Garanto que nem ele gostou desse negócio de sucesso “post mortem”. Se é assim, para que viver? Não seria melhor economizar e pular essa etapa? Enfim, não é de bom tom a um grande intelectual ler Warren , The Secret , Peale, Paul J. Mayer, vocês devem ler gente otimista como Nietzsche, Borges e Kierkgaard como eu faço e vivo de vitória em vitória. Comigo é só alegria. Bom, chega de enrolação. Peque sua bíblia, tire o pó, coloque os óculos e leia Mateus capítulo 5 versículo 4.
“Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados.”
O Evangelho segundo Khalil
Quando o Mestre ensinou dizendo (Jesus ensinava através da palavra falada) que os chorões seriam consolados, senti várias sensações correndo por meu corpo e indo e vindo de e para a minha alma. Sorri, chorei, alegrei-me e entristeci-me, tudo ao mesmo tempo. Ele disse essas palavras pausadamente. Entre uma bem aventurança e outra houve intervalos bem acentuados. Ele falava uma e silenciava. O povo perplexo aguardava e, enquanto isso, experimentava essas sensações malucas correndo freneticamente pelas veias e artérias, como eu. O mundo não convive bem com os que choram. Geralmente são considerados sujeira a ser empurrada para baixo do tapete. Junto com os humildes de espírito seu futuro será glorioso. Serão consolados e habitarão o Reino dos Céus como proprietários (mudar o estado vivente). Não se trata aqui de algo a ser dicotomizado entre essa vida e aquela vida. Garanto-lhes que o Homem de Nazaré não via a divisão entre vida eterna e vida limitada. Segundo ele, na criação, Deus considerou só a possibilidade de vida eterna. Essa enigmática passagem pela terra é fruto do pecado e deve ser interpretada metafisicamente como um estado de rebeldia pós erro de alvo. O pecado não nos permite ver a realidade. Não é um ato ou a soma de atos pecaminosos, é um estado alcançado depois da burrada adâmica, presente em todos nós por solidariedade e co-participação.
Sei que em tempos futuros, o ditado: Não adianta chorar o leite derramado: será muito popular. Mas eis um exemplo em que esse ditado está furado. Chorar por nossa condição nesse estado humano, nessa passagem triste que equivocadamente denominamos vida, é muito bem vindo por Jesus e sua turma celeste. Aliado à humildade, o choro (desde que sincero e motivado por nossa condição espiritual) traduz o sentimento capaz de nos transportar de volta ao estado real, como se fosse um antídoto anulador do veneno inoculado pelo pecado.
Diante dos revezes da vida que temos diante de nossos olhos, choramos por várias razões, mas quando nosso choro alcança e traduz a nossa miséria espiritual (os tais pobres) alcançamos a graça da consolação e nos tornamos seres iluminados capazes de sermos vistos pelos habitantes do Reino de Deus. Nesse caso é mesmo bom não chorar pelo leite perdido, chore ao constatar sua condição. Se não está bom aqui, nessa tal de vida, não há nisso nenhuma novidade. Esse estado não é nada bom mesmo. Aqui só teremos aflições, pois esse mundo jaz no maligno. Todos esses acontecimentos desconfortáveis estão dizendo-lhe uma coisa só: você está no lugar errado e fez por onde.
Jesus venceu o mundo, saiu desse estado para o real e planejado estado, por seu pai, para todos nós. Não se iluda, esse é o único caminho de volta. “Eu sou o caminho, a verdade e a vida.”
O choro, quando é fruto dessa constatação, é bom. Diante da morte, das dívidas, do desamor, ou qualquer uma das milhares de desgraças possíveis, podemos ver e constatar esse estado equivocado de vida. Se chorarmos só aquela perda pontual, em si, não haverá valor nisso. Mas chorar nossa condição é libertador. Bom choro a todos.
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5. Levou sobre si as nossas dores
לּהּמּ
A felicidade maltrapilha
Posted by Lou Mello in Evangelho Segundo Khalil on 1 de junho de 2008

Na semana passada, decidi não dar a menor bola para os convites na Caixa Postal. Resolvi passar esse domingo em casa, coisa rara, e prestar culto de ação de graças na Gruta. Não recebi nenhuma graça nova, continuo com a mesma velha graça de sempre, mas não é por isso que ela não mereça um bom e sonoro obrigado. O texto escolhido pelo Khalil hoje é Mateus 5: 1 a 3. Ache sua bíblia, os óculos perdidos estão sobre ela, tire o pó dos dois e leia. É uma porção muito a ver conosco, você verá que é mesmo assim.
Evangelho Segundo Khalil
Impressionante a quantidade de pessoas que juntou-se a nós, naqueles dias. Vieram de toda a Galiléia, Decápolis, Jerusalém, Judéia e da região além do Jordão. Havia um pequeno monte e Jesus caminhou na direção dele. Subiu ao topo e sentou na relva. Os discípulos, algumas mulheres e eu sentamos ao redor dele. Então ele começou a ensinar o povo, dizendo (Mateus 5:3):- “Bem aventurados os maltrapilhos de espírito, pois deles é o reino dos céus.”
Certa vez, estava sentado na praia enquanto Jesus tratava com os pescadores. De repente, ele caminhou em minha direção e fazendo sinal para que eu permanecesse ali, sentou-se ao meu lado. Olhou para o horizonte, na direção do mar, respirou fundo e voltou seu olhar para mim. Então disse:- Khalil, preste atenção nas pessoas. Não no aspecto delas, seja qual for, mas olhe até ver a alma e o espírito de cada um dos que se achegarem a você. Você perceberá uma grande maioria desses empobrecidos espiritualmente. Gente cansada de ouvir dizer, das falácias sacerdotais e das palavras vazias dos falsos mestres. Ensine-os sobre a bem aventurança maltrapilha , pois meu Pai os conhece e os recebe em seu reino, ainda que não percebam.
Fez-se silêncio entre nós dois. Não consegui evitar de pensar que ele acabara de constatar a minha condição de maltrapilho espiritual. O que ele estava me enviando a fazer, acabará de fazer por mim. Foi impossível conter as lágrimas naquele instante, um pouco pela minha pobre condição espiritual e muito por todos ou outros que eu viria a ensinar com as mesmas palavras que o Mestre Galileu me ensinou.Sonhei um dia abrigar todos os de espírito abatido em algum lugar, uma gruta talvez.
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5. Levou sobre si as nossas dores
לּהּמּ
Levou sobre si as nossas dores
Posted by Lou in Evangelho Segundo Khalil on 25 de maio de 2008

- Na última semana, tentei negociar algum convite. Minha exigências e condições são muito simples, nada de toalhas brancas ou jatinho para a viagem de Sorocaba a São Paulo. Tudo que peço é o ressarcimento das despesas de viagem. Um deles queria que eu fosse de ônibus até o Rio de Janeiro e na rodoviária carioca baldeasse para outro, em direção a Campos. No quilômetro 120 eu deveria descer no posto do Zeca, conhecido por todo mundo, segundo ele, e aguardasse ali alguém que iria me apanhar. Estou um pouco velho para esse tipo de aventura. Além disso não posso me ausentar muito tempo de casa, pois sinto falta do microcomputador. Nada acertado, fiquei por aqui mesmo e como hoje é domingo, et dei missa és, vamos tirar o pó de nossas bíblias e ler Mateus 4:23 – 25, para poder acompanhar a narração do Khalil , meu grande amigo.
Jesus resolveu cobrir todas as sinagogas da região da Galiléia. Ele sabia que essa seria uma estratégia adequada aos seus propósitos de anunciar sua mensagem, ao maior número possível de pessoas, pois a grande maioria do povo poderia ser encontrado nas sinagogas. Desde a primeira que visitamos, a palavra lhe foi franqueada livremente pelos rabinos e ele anunciou as boas novas do Reino. Ele dizia ao povo que seu Reino não era desse mundo e convidava a todos para seguí-lo vindo morar com ele e o Pai. Falava por cerca de uma hora, em estilo coloquial e sempre bem humorado, brincando com as ambiguidades das pessoas.
A fama de que sua presença era capaz de curar as doenças de quem estivesse próximo correu se espalhando por toda a Síria. A cada nova parada, mais e mais gente se apresentava. As reuniões passaram a ser realizadas do lado de fora das sinagogas, devido a isso. Não havia um formato rígido. Algumas vezes ele se assentava em algum objeto, o povo se acomodava no chão, em torno dele, e iniciava sua prédica. De repente, ficava mudo por alguns instantes. Então levantava-se e caminhava até um enfermo, tocava sua cabeça com as duas mãos e depois o local da doença, sem prévia informação, depois outro e outro até que não restassem mais doentes. Muitos se viam curados mesmo sem seu toque, bastava sua sombra ou o som de sua voz para livrá-los da enfermidade. Até os insanos eram curados, tidos como endemoninhados. O Mestre me disse que era melhor tratá-los assim para que pudessem entender os acontecimentos. Era mais didático, em suma.
Certa vez, ousei perguntar ao Nazareno sobre as curas. Ele me disse:
- Khalil anote aí (Ele vivia me dizendo essa frase), vocês não leram no livro de Isaias, o profeta: “Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido”? * É tudo que faço ao curar, tomo as doenças e as dores para mim e quem me seguir fará o mesmo em meu nome, se puder suportar.
A partir daí, grandes multidões seguiam-nos. Até onde essas notícias chegaram naqueles dias, não sabemos, mas vieram pessoas de toda a região e de ambos os lados do Rio Jordão, de norte a sul. Ninguém voltou para casa sem sua cura. Os que tinham outros problemas, foram igualmente libertos.
* – Isaias: 53:4
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