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Jesus na Rede
Posted by Lou Mello in alfinetadazem on 24 de agosto de 2010

Creio viver em uma época fantástica. Se por um lado, me encontro nas teses de Marcel Proust, como um herói de meu passado, que considero um tempo espetacular, onde há amor, iluminação, viagens missionárias à África e à Albânia Marxista Leninista, esportes, humor a valer, relacionamentos inigualáveis, etc., por outro, desejo me encontrar na vida presente na mesma plenitude vivida até aqui.
Alguns pensam que as adversidades poderiam ou não deveriam ter feito parte, mas confesso que elas acabaram sendo bem vindas, todas elas. Na década de oitenta, um escritor russo, dissidente do regime soviético da época, precisou escrever mais de oitocentas páginas para emplacar uma frase: “Prisão, tu fostes benvinda em minha vida”. Isso se deu, não por acaso, mas devido ao reconhecimento da importância do herói da vida dele ter sofrido e sobrevivido à adversidade. Zonas de conforto não engrandecem, ao contrário, fazem de nós bichos preguiças insustentáveis.
Passado resolvido com a volta gloriosa com pompa e honra, me ocupo do presente e vejo oportunidades únicas na história para dar cumprimento a utopia de Jesus. A maior delas, a meu ver, é a possibilidade de vida inteligente via rede, aqui e agora. Mas há muita gente rancorosa e preconceituosa que acredita só ser possível a vida em guetos. Esse fenômeno é ainda maior entre os evangélicos, dos ortodoxos aos neo-pentecostais.
Me vejo como aquele cara que é um dos poucos a marchar com passo certo no pelotão de infantaria, em meio ao desfile no dia da independência. Mesmo assim, ouso dizer que Jesus não faria o que nós estamos fazendo entre nós. Cara, chego a marejar meus olhos quando vejo meus irmãos em Cristo, independente de suas confissões, se avacalhando mutuamente. Nesses momentos, me arrependo de ter feito o mesmo em tantas oportunidades.
Espero que tenham percebido meu objetivo real nessas oportunidades, ou seja, estava pedindo socorro, apenas; em busca de um pouco de sol ou uma mísera oportunidade que caísse da mesa dos maiorais, em forma de migalhas. Sabe, essa gente não ouve bem e se você não fizer barulho, seja via TV-internet, seja via blog, correrá o risco de não ser notado. Mas tratarei de me conter mais.
Quando Paulo, apóstolo, nos incitou a termos todos a mente de Cristo, nem de longe, estaria sugerindo que vivêssemos rezando um único mantra até que a morte nos separasse. Nem Jesus ousou pensar tal disparate. A mesma mente era o alvo supremo de, livres do pecado, morarmos eternamente na mansão celestial, finalmente. Aqui, nesse planetinha água, perdido em meio a um universo incomensurável, viveremos com o contraditório. E daí? Por acaso você concorda com o que pensam todos os seus amigos de Facebook ou do Orkut? E no Twitter, onde você é mais facilmente encontrado, com certeza, todo mundo fala a mesma coisa?
Jesus só desejava que tirássemos o pecado do nosso meio, pois isso nos permitiria viver mais amigavelmente. Já pensou se conseguimos viver sem mentir, ou pelo menos, mentindo pouco? Se não roubássemos uns aos outros? Sim, por que quando denegrimos a reputação dos nosso companheiro de caminhada vivente, estamos roubando-lhe algo que ele tem de mais importante nessa vida. Melhor ainda se conseguíssemos banir a prática de matar nossos semelhantes, de nosso meio. Não é? Inclusive essa mania de querer diminuir a população à base de vacinas premiadas, alimentos transgênicos portadores de células cancerígenas, fluor batizado na água e, claro, muita poluição do ar. Mas entre os piores pecados, se isso for possível, sem dúvida, está os que praticamos com um dos menores órgãos do corpo, a língua, como diria o glorioso Thiago. Não é mesmo?
O Mestre sabia que por aqui teríamos grandes aflições, mas nos deixou a mensagem positiva de que era possível amenizar a coisa toda. Talvez ele lesse os livros de Auto-Ajuda, ou coisa assim.
Fico pensando, e muito, que força seriamos se nos uníssemos em uma única rede, apesar de nossas diferenças. No mundo convivemos com víboras da pior espécie, como essa canalhada que se locupleta na política e de outro lado, passam por nós gente como Madre Tereza de Calcutá, Dorothy Stain, Daniel Fresnot, Betinho, o Exército de Salvação, etc. Andar junto, sem preocupar-se em evidenciar o que já é evidente, pode ser a força capaz de nos aproximar. Presbiterianos do Brasil, neo-ortodoxos, liberais, pentecostais e neo pentecostais podem compartilhar esse mundo juntos, apesar de suas discordâncias. Se Deus nos quisesse completamente iguais, nos faria todos loiros de olhos azuis, ou todos negros e fortes. Mas aqui estamos, eu e você, para deixar claro que não é bem assim.
De agora em diante, não falarei mais mal das pessoas as quais discordo veementemente, nem os citarei nominalmente mais. Acho que só não conseguirei evitar uma ou outra ironia ou um ou outro sarcasmozinho, de vez em quando, afinal isso pode apimentar o relacionamento na rede e ser saudável, no todo e ninguém é de ferro, também, muito menos eu.
Vivamos em rede, como desejava Jesus, creio que ele já me convenceu estar certo na maioria das coisas que disse e fez.

O Urubu
Posted by Lou Mello in alfinetadazem on 29 de julho de 2010

Quando eu era criança, falava-se muito na FAB (Força Aérea Brasileira) e nós, traquinas, criamos a FUB, que seria a Força Urubeana Brasileira, aliás muito mais significativa, pois a FAB tinha lá seus cinquenta aviões, sucata da segunda guerra que os EUA mandaram de presente, uma vez que aqueles brinquedinhos tornaram-se obsoletos graças ao desmancha prazer do Adolf Hitler que caiu fora da brincadeira, deixando nossos irmãos do norte com as calças na mão, digo aviões na mão. Enquanto isso, a FUB tinha uma quantidade de aeronaves milhares de vezes superior à da FAB e absolutamente nacional e sem custo algum.
Mas o que vem a ser um Urubu, além de ser aeronave da FUB? Para melhores explicações, clique aqui, pois minha intenção, neste texto, é falar sobre outros urubus. Estava sapeando a Internet, sempre seguindo o roteiro dado por meu Bloglines, quando entrei no excelente blog do Alex Fajardo e me deparei com um post onde nossa melhor aeronave é citada de forma humilhante. O post não foi escrito pelo Alex, que de bobo não tem nada, mas pelo Marcos Botelho do JV. O Marcos era um pouco mais do que um bebe quando eu trabalhei no JV. Quero deixar bem claro, antes de mais nada, que não tenho o objetivo de falar mal do Alex, que considero um bom amigo, e muito menos do Marcos, que não deve se lembrar de mim, mas o pai dele, o grande Jasiel, sempre me tratou com grande bondade e respeito, mesmo enquanto eu desviava seus alunos para minhas concepções heréticas do cristianismo. Engraçado, não sei por que nunca mais me convidaram para falar nos eventos do JV…
Enquanto lia o referido post, senti a sensação amarga das tais críticas mencionadas, aquelas que muitos blogueiros e twitteiros fazem a certos irmãos e igrejas cristãs. Claro que a primeira ideia a surgir em minha mente foi que o Marcos se referia às milhões de críticas, diariamente, feitas aos indesejáveis Malafaia, Edir Macedo e Estevan Hernandes e sua digníssima perua de Deus. Não sei porque ofender nossas aves assim, uma e outra. Mas depois, lembrei que eu também costumo ser um Urubu, no sentido utilizado pelo Marcos, pois além desses párias de Deus, ou seria peruas, nem sei mais, costumo comer carniça mais chic, trocando em miúdos, tenho o péssimo hábito de criticar gente da pesada, como os pastores mais ortodoxos ou neo ortoxos, chegados em Barth, Bonhoeffer, Nouwen, etc., e que não falam em línguas estranhas, nunca estão cheios do espírito, não crêem em prosperidade das suas ovelhas (só na deles) e, muito menos, em possessões demoníacas.
Pensando melhor, percebi que até o autor seria um urubu, no sentido por ele colocado, pois ele também estava criticando os irmãos urubus que gostam de uma boa carniça, ao considerá-los meras aves de rapina e comedora de carne velha. Mas não somos todos comedores de carne velha, ou vai me enganar que os bois, porcos e aves que comemos são frescas? Eu pelo menos, não como nada fresco. Nesse imbróglio vale citar um texto bíblico, afinal isso aqui é um blog com algum cristianismo envolvido, então lá vai: Não hã como criticar alguém sem obter vantagens para si mesmo. Nem me venha com piadinhas sem graça e perguntar a referência bíblica desse texto. Talvez esteja no Salmo 151. Posso falar por mim aqui, sempre que estou criticando alguém, seja de direita ou de esquerda, ortodoxo ou esculachado, estou buscando obter vantagens pessoais. Sei que essa confissão depõe contra mim, mas não se iluda, ninguém é perfeito, nem eu. Adoraria ser Brigadeiro em Chefe da FUB.

Do lado de lá
Posted by Lou Mello in alfinetadazem on 9 de fevereiro de 2010
Não sei se os parias que se reuniram a Davi na Caverna (gruta) de Adulão sabiam as razões que os transformaram em marginalizados. Sou capaz da apostar que não. Eles eram descartados e pronto. Talvez arriscasse sugerir que Deus permitiu o infortúnio do filho de Jessé, justamente, para ele ir salvar essa cambada de perdedores decadentes e ultrapassados.
Às vezes tenho a sensação de ser vesgo ou caolho. Minha tendência (e sei que não é o seu caso) é olhar só um lado de cada vez. Quando olho para a Gruta e vejo um monte de gente interessada em nossas ladainhas de auto-estima ruim, fico sem ver a turma do lado de lá, sabe, aquela gente que veste Prada e freqüenta igrejas evangelicais nos lados nobres da cidade.? Talvez, isso explique a minha insistência em tentar corrigir meu estrabismo e procurar, com todas as minhas forças, ver aquela gente, mesmo que seja pelo buraco da fechadura. Quando consigo vê-los, fica muito claro, pelo menos para mim, a razão da existência de tantos grutenses.
Algumas pessoas, caridosamente, perguntaram por que não organizar os textos da Gruta em um livro. Olha, sem entrar no mérito da qualidade desses textos, para mim a razão indispensável para tal sonho, seria necessário adular o inimigo, em particular os pastores das tais igrejas de grife, para lograr êxito em tal intento. Como eu poderia trair meus leitores de maneira mais vil do que essa?
Tempos atrás, houve o que eu chamaria de uma sondagem (que jamais será confirmada por eles) sobre a possibilidade de eu participar como preletor em uma reunião sabatina com o grupo de jovens (falar com gente da minha idade, nem pensar) de uma dessas casas de horrores. “Claro”, respondi, “desde que tenha liberdade total e irrestrita de expressão”. E tudo terminou assim. Não creio que uma participação desse tipo macularia meu currículo de dissidente subversivo. Para eventuais acirramentos, poderia levar uma bomba caseira na mala ou optar pela boa, velha e evangélica atitude de fé, com a qual Jesus foi devidamente crucificado.
Embora, nem por um segundo, me veja qualificado para a tarefa de liderar o que quer que seja, um maldito pensamento me incomoda desde minha insana decisão de escrever esse blog, ou seja, a possibilidade de Deus ter permitido certos infortúnios em minha quase desnecessária existência para abrir uma brecha aos renegados da igreja vigente. Quando essa idéia me assola grito: Para trás Satanás!
Controvertido sempre controvertido
Posted by Lou Mello in alfinetadazem on 19 de janeiro de 2010

Atendendo a inúmeros apelos, entrei em 2010 disposto a poupar os grandões. Segundo me informaram, meu filme andava meio queimado por minha insistente menção nada elogiosa a certas figurinhas carimbadas. Isso estaria impedindo alguns interessados em investir em meus textos.
Desde os tempos de criança, com a finalidade de cumprir aquele imenso roteiro da auto afirmação masculina, preferia arranjar encrenca com os valentões, se apanhasse ninguém notaria e ainda achariam natural, mas se batesse, mesmo menos, me notabilizaria. A vida seguiu e o hábito fez o monge, ou seja, continuei provocando os caras maiorais. Poderia justificar esse pormenor com palavras doces e bem encaixadas padrão psicólogo, mas a verdade é sexual, faço isso por puro prazer.
Sabe, gosto de ler, embora não o faça na dose desejada. Dou muito valor quando ouço alguém citando Nietzsche, Kiekergaard, Borges, Dostoieviski, Schopenhauer, Kafka, Sartre, Camus, etc., especialmente os caras com aquela incrível capacidade de utilizar princípios ensinados por essa gente “the best” sem ser notado. Esses dias, no meio de um diálogo do excelente seriado Good Wife o roteirista enfiou uma das sugestões da Arte da Controvérsia de Arthur Schopenhauer, ensinadas a todos nós por meu amigo Paulo Brabo. Meu, fui ao delírio.
De outro lado, quando entro em um blog e vejo uma lista de livros preferidos, sugerindo a erudição do blogueiro, – e eu sou culpado de crime parecido quando inseri no cabeçalho da Gruta um monte de fotos de famosos e, ao me tocar da prepotência falaciosa, retirei rapidinho; – e não vejo ali menção alguma aos gibis, à coleção dos livros mais famosos de Monteiro Lobato, o Tesouro da Juventude, e outros quitutes da biblioteca miserável dos brasileiros cultos apesar de tudo, lidos pelo prepotente, não lhe dou a mínima, sobretudo quando entre esses autores cults o mancebo insere o livro do pastor e o do co-pastor de sua igreja. Meu, isso pega mal pra caramba.
Mas falávamos mesmo… perdi o fio à meada, quando lembrar volto.
Aos vencedores tudo
Posted by Lou Mello in alfinetadazem on 1 de outubro de 2009

Pelo jeito, os cacarecos que estavam pendurados no blog não estão fazendo falta, afinal ninguém reclamou a ausência deles. Melhor assim, a coisa estava poluída demais. Tentei potencializar alguns itens que, a meu critério, pareceram interessantes. Nada exclusivo ou seletivo. Procurei divulgar coisas minhas e dos amigos. Com o sumiço da maioria deles, agora mais presentes em blogs mais importantes, onde eu também costumo aparecer, ou apenas retalhando a Gruta porque meu patrão não comenta mais no blog deles, não vi mais razão para mantê-los. Como me disse a gerente do banco onde mantenho minha polpuda conta poupança, blog e banco vivem de reciprocidade. Pode ser que nossos textos mais pessimistas, aparentemente heréticos ou liberais tenham afugentado uma boa parte. Sabe como é, essa gente do PSDB prefere mais um bom muro e não mete a mão em cumbuca.
Alguns amigos são membros de igrejas que costumo espinafrar e devem sentir algum incomodo quando lêem coisas desagradáveis sobre seus super pastores com seus hiper ministérios. Eles não percebem que praticamos a ofensa vertical para nossa própria ascensão. Aqui, também somos ambiciosos. Quem não gostaria de deixar o velho ônibus Mercedes Benz e desfilar de Land Roover por aí? Quem sabe uma Harley, só para os sábados à tarde, ou o armário cheio de Armani e La Coste? Contas pagas, refrigerador lotado até a tampa, casa própria em Alphaville, plano de saúde Omint para o Thomas e toda a família, etc., são desejáveis, igualmente. Ninguém se iluda, aqui só tem pecadores e dos melhores.
Pessoalmente, não ficaria nada acanhado se tivesse aquelas mil e tantas pessoas nas manhãs de domingo para ouvir minhas bobagens teolougicas, recheadas com as minhas costumeiras ironias e algum sarcasmo. Garanto que essa gente daria boas gargalhadas, ao menos, ao invés de chorar com seus pastores sem graça. Você não acreditaria se eu lhe contasse que, certa vez, fiz o Jasiel Botelho rir tanto, que cheguei a ficar preocupado. Foi preciso inventar uma história triste, na hora, para tirá-lo daquele transe. Ele ria das minhas tolices sobre o nobre e amado povo da terrinha e os quinhentos jovens presentes riam das risadas espalhafatosas dele. Esse é outro que prefere não contar para ninguém que ainda me admira. Inventaram umas mentiras sobre mim e ele acreditou e passou para o lado dos indecisos. Como já informei, tenho inimigos ocultos por aí, à pampa. Minha conhecida arrogância é a responsável. Infelizmente mantenho um caso extraconjugal com ela e não pretendo abrir mão desse meu secreto prazer. Mas perco bons amigos, por isso. Pelo menos não perco as piadas.
Hoje, ao abrir o blog, levei o maior susto. Fazia muito tempo que a freqüência não baixava tanto. Mama mia! Achei melhor voltar aos tempos de esculacho, rapidinho e tratar de espinafrar essa gente famosa e acomodada em seus berços de ouro, de novo. Pior é que certos amigos que há pouco tempo atrás eram maltrapilhos como nós, agora andam de mãozinhas dadas com esses malditos vencedores. Bendita Hora! Precisamos orar para que eles voltem para a velha vida miserável de sempre.
Pessoal cansa das lamurias, negócio de confissões é para teólogos e neo-teólogos perdedores. Se você quer ser um prospero vencedor, não se ligue à prosperidade e muito menos aos perigosos alcagüetes de si mesmos, gente como eu. Trate de ser mais um na fileira dos propósitos. Isso sim dá dinheiro, sem perseguições. Quanto a Jesus e seu ultrapassado evangelho, a gente resolve depois. Ele vai perdoar todo mundo mesmo.
Ops: Em tempo, a quem interessar possa, alguém muito sacana encheu minha bola (ego) ontem e resolvi manter meu propósito de ser o melhor Consultor de Marketing para organizações sem fins lucrativos (associações, missões, igrejas, clubes, escolas, hospitais, etc, especialmente aquelas que têm vínculo religioso cristão) por mais algum tempo. Assim que mudar para Alphaville em nosso Land Rover, juro que me aposento.
Os rebeldes
Posted by Lou Mello in alfinetadazem on 2 de janeiro de 2009

Ontem, hora avançada, meu celular tocou. Pelo identificador de chamadas percebi que era o Daniel. Atendi. Assim como fez no natal, ele estava ligando para me desejar um feliz ano novo. Esse cara é um judeu errante, mesmo. Onde já se viu ligar para um rebelde como eu? Ninguém explicou para ele que devemos ligar desejando feliz ano novo só para pessoas em ascendência, capazes de nos facilitar a vida no ano que vai nascendo e, sobretudo, aquela gente alinhada, estereotipada, incapaz de rezar fora da cartilha. Rebeldes devem ser evitados, rejeitados e crucificados. Essa sim, é a regra máxima.
O mundo estaria muito melhor sem os rebeldes. Veja o caso do Mahatma Gandhi. Se não fosse sua insistente e incomoda rebeldia, a Índia estaria feliz sob o domínio Inglês, até hoje, ao invés dessa insana luta por encontrar seu próprio caminho e viver suas próprias experiências de liberdade. Um bilhão de indianos estaria consumindo os produtos ingleses e servindo-os como mão de obra escrava. Outro rebelde desnecessário foi o insano e imprudente pastor batista Martin Luther King com suas longas e cansativas marchas, discursos sorumbáticos e aquelas pregações heréticas sempre mencionando a necessidade de igualdade entre negros e brancos nos Estados Unidos. Não fosse sua rebeldia, o preconceito racial na América do Norte estaria vivendo livre e solto até hoje, matando e injustiçando aos milhares, e aquele povo não seria obrigado a engolir um presidente negro, agora. E o imprudente rebelde sul africano Nelson Mandela, então? Onde já se viu passar dezessete anos na prisão devido a bobagens como não sujeitar-se ao regime de segregação racial imposta pelos afrikans (minoria branca)? Pior ainda foi sair para tornar-se o primeiro presidente negro de um país soberano na África, onde até então só governavam orindos das raças brancas imigrantes e onde todo mundo sabe que há a predominância negra, apesar disso, fazer um governo democrático e sem rancores.
Considero Jesus de Nazaré o maior dos rebeldes e péssima influência às crianças, adolescentes e jovens. Ninguém foi mais rebelde, mais dissidente e mais intransigente em viver em completo desacordo com o status quo vigente em seus dias. Imagine que ele ousou peitar seus familiares, os pastores (rabinos e sacerdotes) da sua igreja, as autoridades e a mídia daqueles dias. Foi um rebelde unânime. Se ele, ao invés desse insano modo de vida desajustado, falando coisas que as pessoas não desejavam ouvir, realizando seus inoportunos milagres, houvesse se mantido na linha, trabalhando obedientemente em seu emprego na carpintaria de seu pai, cuidando da sua mãe em sua viuvez e de seus irmãos mais novos e casado com uma boa moça judia para ter a quem deixar sua herança de bom cidadão, não teria sido preso, torturado, cuspido e crucificado. Hoje, ninguém mais se lembraria dele.
Viver em rebeldia é pecado. O Zenon falou-me disso incansavelmente. O Deus de nossa igreja não abençoa os rebeldes, nem os psicólogos o fazem. Gente equilibrada é gente que anda na linha, na linha estabelecida pelos senhores desse mundo. Onde já se viu ficar escrevendo contra os pastores do Morumbi e adjacências? Pior, muito pior é criticar o bispo de Saddleback Valley com sua filosofia de ministério inteiramente vendida ao “Zeitgeist”, propondo a homogeneização das igrejas e um pragmatismo de dar medo, segundo Ricardo Gouvea. Como pode alguém viver, se dizer cristão e não ser alinhado com nenhuma das propostas vigentes e aceitas, tais como o Calvinismo, o evangelicalismo, o pentecostalismo, o neo-pentecostalismo, G12 ou a moda: a igreja e a vida com propósitos?
Portanto sou um grande pecador, pois sou rebelde e não alinhado. Meu maior propósito é nunca ser fiel aos meus propósitos e muito menos aos do senhor Rick e seus macaquitos de imitação. Claro, diante desses gigantes citados, sou um humilde e mero aprendiz de rebelde. Quem me conhece a mais de quarenta e cinco anos, como a Neli e meus familiares, há de testemunhar o fato de que sou um rebelde persistente, pois nunca deixei de sê-lo. É mais forte do que eu, sempre foi. Toda vez que alguém me diz para ir para a direita, teimo em perguntar por que não para a esquerda. Se não me respondem de forma consistente, sigo pela esquerda para ver onde vai dar. Sei que estou errado, como meus companheiros dessa história o foram. Isso tem arrastado muitas pessoas ao sofrimento e a essa vida de limitações e vergonhas. Se ficasse quieto em meu devido lugar, estaríamos todos bem. Principalmente, por não incomodar ninguém. Rebeldes incomodam muito.
Não me subestime nesse ponto. Sei muito bem que se escrevesse coisinhas aceitáveis aqui, como aquela blogueira cubana cuja média de comentários aos seus posts fraquinhos é sempre superior a mil, ou mesmo como a consistente crooner do Diante do Trono, campeã em comentários entre os blogueiros cristãos, isso quando escreve, geralmente, uma ou duas vezes por ano e você pode imaginar as pérolas de que ela é capaz. Bom , mas elas não são rebeldes, aliás, a cubana é, em relação a Fidel e seu país de merda (com todo respeito ao povo cubano e à blogueira) construído por um bando de assassinos de Sierra Mestra, liderados por aquele velho tarado que insiste em não largar o osso.
Mas não há o que fazer. Continuarei minha senda rebelde até o fim de meus dias e, se me mantiver blogando, terei que sobreviver a escassez de comentáristas e a diminuição de links à Gruta nos outros blogs, afinal não sei cantar, moro do Brasil e, sobretudo, sou um miserável rebelde.
Happy 3th birthday
Posted by Lou Mello in alfinetadazem on 25 de dezembro de 2008

Tem gente que não se toca mesmo. Como alguém pode insistir tanto em certas porcarias?
Entretanto, aqui estamos nós, com ou sem imbecilidades como a reforma ortográfica. Ao invés disso por que não aposentam logo nossa língua ultrapassada e desnecessária e adotam, de vez, o inglês como língua oficial e nos livram dessa palhaçada toda. Passamos mais de vinte anos na escola, sendo martirizados pelas donas Divas da vida, com aquelas idiotices gramaticais e literárias como o chatíssimo Fernando Sabino e outros xaropes do mesmo estilo, para descobrirmos, ao ter que enfrentar a vida, que a língua a ser aprendida era a inglesa. Pior é ter submetido meus filhos às mesmas tolices.
Foi em um dia igual ao de hoje, tempo feio, nada de bom para fazer e telefone mudo que a Gruta surgiu. Surgiu com o nome de “Well my Friends”. Entendeu agora, cabeção? Daí, alguns dias depois, ao assistir um jogo do meu Corinthians, na Globo, o Galvão abre a transmissão dizendo: bem amigos… Mudei o nome do blog na hora. Tasquei logo um nome em bom português, reduzindo meu universo em 85 %. Nós somos burros ou não somos?
Mantive um blog chamado Lou Cave, todo esse tempo. Só serve para destilar meu veneno contra o Lula, esse insuportável presidente com cara de metalúrgico e um dedo a menos, que vem fazendo o melhor governo dos que pude presenciar, apesar de não saber falar português como me convém. Pretendia postar os mesmos textos da Gruta em inglês. No segundo, desisti da idéia. Traduzir ao contrário é outra história, percebi.
Acabei concluído que sou um analfabeto universal, como são todos os infelizes que só conseguem se expressar nessa língua portuguesa exótica, com importância mínima, em termos globais.
Só três caras conseguiram dar-se bem nessa língua patética: Camões, Fernando Pessoa e o velho e ateu Saramago. Todos da pátria mãe. Aqui todo mundo fala em Machado de Assis, mas fora daqui, ninguém sabe quem foi essa figura. O cara não conseguiu emplacar porque só sabia se expressar em português, embora tenha tentado mudar isso. Talvez o fato de seu principal herói (Bentinho) ser corno, não tenha ajudado muito. Ele deveria ter escrito sobre a cegueira dos falantes em português ou O Evangelho Segundo Jesus Cristo, coisa que nem o Nazareno foi capaz de imaginar. Euclides da Cunha, é muito mais conhecido, apesar de não ter escrito mais do que um livro (que prestasse), se bem que o outro não fez mais do que isso, embora tenha tido a feliz idéia de fundar a Academia Brasileira de Letras, uma grande piada, para não dizer tragédia.
Perceberam como nossas iniciativas beiram às excentricidades woodalleianas? Todo mundo pensa que somos bons piadistas, mas não se dão conta de que aqui as piadas estão prontas e à nossa disposição: nós somos as piadas. Imaginem, um blog chamado a Gruta do Lou. Ridículo. Blog bom é o do Marcelo Tas, o Pavablog, do amigo Pavarini e o Querido Leitor da Rosana Hermann. Todos tupiniquins como a Gruta, mas recheados dos estereótipos requeridos, coisa que não somos capazes de fazer. Esses três deveriam falar inglês, nos blogs. Sucesso garantido diante de platéia tão seleta.
Bom, gostem ou não, continuaremos carcando na cacunda desse monte de hipócritas necessários, a fim de conseguirmos alguma notoriedade. Afinal nosso ego não é de ferro e precisa de valor para sobreviver. Haja saco para escrever mais três anos.
Deveria agradecer a todos os leitores e visitantes (pessoas que entram e quando vêem o tamanho da coisa, desistem), mas não sou tão hipócrita assim. Morro de dó de vocês, ter que agüentar toda essa baboseira maltrapilha aqui. Digno é o Warren e seus fiéis seguidores (não direi os nomes deles para não privar-me dos comentários dos “em cima do muro”).
Mas o beijo na careca e nas perucas continua garantido, seus calvonistas enrustidos. Sai do armário meu.
São Paulo eh eh São Paulo
Posted by Lou in alfinetadazem on 8 de julho de 2008

Estou em sampa, escrevendo esse post em um dos computadores do escritório do Adalberto. Acabo de chegar de um lanche com o Volney e estou fazendo hora para jantar com o Daniel Fesnot. O telefone continua o mesmo, ou melhor, a Telefonica continua a mesma. Algumas pessoas (umas duas ou três) perguntaram se o problema era financeiro. Era, mas não é mais. Agora é pura ganância de uma empresa sem ética. Eles querem me vender uma linha nova. Estranho isso, pois eu paguei durante quatro anos, todos os meses, uma assinatura que não tem qualquer valor. Aviso a todos: Nunca façam acordo com essa cia. esse é o pulo do gato, pois a agência (ANATEL) permite a retirada da linha se você atrasar o pagamento do acordo. Bom, estou aguardando dois pedidos de reintegração da linha. Quinta feira é o último dia. Caso não aconteça, partirei para soluções mais radicais, tais como afinar e ceder à expropriação deles. Afinal, devolver ao Thomas, a única janela que ele tem para olhar o mundo, está em jogo. Meu, o que não fizerem aos pequeninos é o problema… Sabiam que o acesso à Internet da Telefonica parou no estado inteiro a partir de Sorocaba? Pois é, se eu fosse eles instalava meu telefone rapidinho. Na próxima poderá ser pior…
Beijão a todos.
Agradeço a presença de todos. Vocês me emocionam, sabiam?
Vencendo todas por Ippon
Posted by Lou in alfinetadazem on 16 de setembro de 2007

Annette Benning
10º Dia do Jejum, pró abertura dos Comentários na Bacia das Almas, completado. Alguns vômitos e náuseas apareceram.
Parece que a moda dos religiosos cristãos agora, é encher o saco da turma do Segredo. Além das críticas babacas, já tem até livro com o mesmo conteúdo, mas com uma conotação mais evangélica, que um gringo escreveu em quatorze dias (sic), afinal o que tem demais aproveitar a onda de um livro que está bombando, e ganhar uns trocados a mais.
A mim, escândalo maior é perceber a facilidade com que o cara consegue editar essa porcaria. Logicamente, isso não tem nada a ver com o fato dele ser norte-americano e a editora idem. Trata-se de um escritor arretado e comprovadamente bom. Quem não conhece o Ed Gungor.
Escrevi meu livro há um tempão. Levei meses para compor as oito páginas. Mas inclui vários segredos, não um de segunda mão, apenas, e até hoje não foi publicado. Além disso trata-se de um livro do Lou Mello, grande zelador da Gruta. Agora, imaginem se gente boa, mas menos famosa que eu, como o Brabo, o Volney, ou o Rubinho resolvessem editar algo? Teriam que deixar os manuscritos no testamento. Quem sabe os netos migram para os EUA e conseguem editar algo. No meu caso, se conseguisse a façanha de editar um livro, me poriam para debater com o Tiririca, provavelmente. Mas o gringo foi debater com o Ed Rene, no auditório da Livraria Saraiva do Shopping Morumbi, com microfones e copos com água, provavelmente, de Santa Bárbara. Mas que inveja, meu. Nada como se dizer cristão, mas praticar o The Secret in secret.
Antes de lançarem O Segredo (o livro), deixaram rolar o DVD, por aí. Até aqui em casa apareceu um, que assisti em noite dessas menos favorecidas pelos canais de TV paga. Era um monte de conceitos velhos em uma roupagem mais moderna. Inclusive o grande segredo “atraio para mim as coisas que eu penso” é velho. Que o diga o James Allen, autor de “O homem é aquilo que ele pensa”, da Ed. Pensamento. Por outro lado, não há nada demais no negócio. Melhor as pessoas viverem sob a influência desse segredo do que de outras influências, muito mais prejudiciais. Cito apenas uma: o cristianismo em suas múltiplas facetas, dos reformadores aos neopentecostais, um bando de niilistas e psicopatas perdedores, o que dá no mesmo, e no que me transformei.
O fato é que cristão autêntico seria imitador de Cristo, como Paulo afirma ter sido e eu não acredito. Mas falo por mim, eu é que não abrirei mão das meus fetichinhos queridos, tais como meu microcomputador, meu celular, meu blog, etc… para andar por aí pregando aquela coisa ridícula de “arrependei-vos que é chegado o Reino de Deus”, vestindo uma túnica oriental e calçando sandália de pneu. Assim o cara não precisará do Segredo. Mas para viver nesse mundo pós-moderno tem que ter aquilo roxo e um bom segredo.
É o caso do Tiago Camilo, lutador de Judô brasileiro e disputando o Campeonato Mundial, categoria até 81 kgs. que ora ocorre no Rio de Janeiro. Depois de derrotar cinco oponentes, todos por Ippon, e ficar com a medalha de ouro, declarou: Eu aplico Ippons todos os dias de minha vida. A cada novo dia eu determino as vitórias que desejo obter e mando ver meus Ippons. Etâ cabra bom sô. E que segredo maravilhoso. Nunca teria pensado em nada com essa sutileza.
Ficam aí as dicas. Não poucas, afinal a Gruta é lugar de mudança ou de fazer o seu Rito de Passagem. Um beijão secreto para você.
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Afinal, qual é o crime (ou pecado) dos Hernandes?
Posted by Lou in alfinetadazem on 18 de agosto de 2007
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Sonia e Estevan Hernandes
Como iremos julgar? Usaremos a ética cristã ou outra qualquer? Segundo as leis de nosso país ou dos Estados Unidos? O que está em julgamento? E uma última perguntinha: Cabe julgar alguém?
Josias de Souza é um articulista da Folha de São Paulo, com direito a blog e tudo. É um cara meio indefinido, no geral, parece petista, mas, às vezes, tenta disfarçar. Entre outras coisas, passa a idéia de que sua opção religiosa é ateísta. Afinal, é o que está mais na moda, como preconiza a sábia Camila Pitanga, uma atriz feia, que trabalha mal, mas posa de big star. Lá pelas tantas, ao comentar o sentenciamento dos Hernandes, ele faz um pequeno comentário “a mansão em Miami que o dízimo dos fiéis da Igreja Renascer ajudou a comprar”. Ao ler essa afirmação a luz acendeu e fiquei com a impressão, de novo, que esse deve ser o maior incômodo para a maioria das pessoas e poderes, especialmente em terras brasiles, sem falar na velha inveja, etc.
Dei uma boa olhada na peça jurídica contendo as acusações contra o casal, em trâmite em nossos tribunais e posso afirmar, sem medo de errar: a nossa justiça quer considerar crime os atos de recepção de doações espontâneas. Faz tempo que os poderes constituídos resolveram cuidar, de forma extremada, de como as pessoas usam seu dinheiro. Junto com os poderes: executivo e legislativo, quer a justiça brasileira exterminar essa praga chamada doação espontânea indiscriminada. Certamente, a Rede Globo e as outras redes de TV menores concordam plenamente com os poderes citados. Afinal o benefício às campanhas Criança Esperança, Teleton e outras, por eles pilotadas, seria muito mais abençoado se esses fiéis religiosos parassem de doar seu dinheirinho para os pastores, padres e pais de santo. Especialmente, esses que detém redes de Rádio e TV. A Igreja Católica agradece aos poderes, também, afinal ela tem sido grandemente prejudicada com o bandeamento de fiéis para o lado inimigo, particularmente, pela perda de receitas.
O casal Hernandes foi condenado por tentar contrabandear dinheiro para o território dos Estados Unidos. Eles não foram condenados lá, nem sequer acusados, do crime de receber doações dos fiéis da Igreja Renascer. Não consigo entender a razão que levou o casal a cometer esse deslize. Meu, eles são malacos velhos. A quantia encontrada com eles era, sem dúvida, pequena. Para eles, significava aqueles trocados que levamos no bolso para os gastos de viagem. A única razão que consigo imaginar é que eles esconderam o excedente (pois pelas leis estadounidenses uma pessoa só pode ingressar no país com um máximo de dez mil dólares sem declarar). Para que? Não sei. Não existe vantagem alguma nisso e muito menos, sensatez. O mais lógico e inteligente era declarar o valor total. Tenho até certo medo de pensar que eles erraram por ignorância brasileira típica. O que não faz a idade?
Entretanto, volto a indagar sobre a verdadeira causa de nossas preocupações com esses grandes pregadores. Estaríamos preocupados com suas posturas teológicas, por exemplo? Afinal quem tem a teologia de Deus? Pelo meu sistema de crenças eles são hereges, óbvio. Onde já se viu ganhar tanto dinheiro sem dividir nada comigo? Aliás, quando o Thomas foi operado (1996) o Estevan foi um dos doadores de R$15,00 na campanha que fiz, para arrecadar o valor necessário às despesas hospitalares (R$ 15.000,00, na época). Claro que os to-nicodemusletes não aprovam os Hernandes, também, como eu. O Bispo Edir Macedo também não, nem os batistas, ou os assembleianos e muito menos os católicos. Nem os macumbeiros concordam com a teologia da Renascer, mas todos recebem doações dos seus próprios fiéis e esse é um direito constitucional do cidadão brasileiro, que os guardiões da constituição querem adulterar, como tantos outros.
Eles não suportam a idéia de um cidadão fazer com seu dinheiro o que bem entende. Eu não compreendo um individuo usar parte considerável de seu salário em gastos com os happy hours das sextas feiras. Mas esse é um direito de cada um e tenho mais que aceitar caladinho. Tem gente que paga até para ver e ouvir o Martinho da Vila ou o Zeca Pagodinho. Pode?
Não há dolo em doar dinheiro. Nem mesmo se a doação for para um criminoso. Quiseram jogar na cadeia um cineasta, não faz muito tempo, porque ele deu R$ 1.000,00 para um traficante. Ele não estava comprando drogas, ele estava ajudando a pagar as despesas de uma pessoa que o estava assessorando na montagem do roteiro de seu filme. Se uma ou milhares de pessoas querem manter igrejas do casal Hernandes, do Edir Macedo, do Ed Rene Kivitz, do Ricardo Gondim, do Augustus Nicodemus, do Ari Velloso Silva, do padre Marcelo Rossi ou do Robério de Ogum, isso é problema delas e não constitui crime algum.
Não importa a teologia usada para conseguir essas doações. Ninguém será detentor de razão capaz de julgar as crenças de outrem. Nem mesmo (ou muito menos) os magistrados, que em geral praticam (com doações importantes em dinheiro) um negócio que não consigo engolir (mas tenho que aceitar) chamado maçonaria. É um absurdo acusar qualquer clérigo de falsidade ideológica no exercício ministerial, simplesmente. Constituiria crime se, associados às crenças e por elas instigados, estivessem presentes outros crimes como assassinatos, extorsões, prostituições, etc.
Até hoje a Igreja Católica não foi fechada, em nenhum lugar do mundo, devido aos atos de captação de recursos incluindo a venda de indulgências, por exemplo. Cada comprador tinha o direito de comprar e acreditar naquilo. Eu não compraria, mas devo respeitar o direito do outro em fazê-lo. Enfim, cada um tem o direito de gastar seu dinheiro como quiser. Será um dos últimos atos contrários à liberdade a proibição da livre doação.
Os Hernandes receberam doações espontâneas. Os doadores têm o direito de deixar de doar, quando bem entenderem. Essa é a única medida cabível.
Para os leitores da Bíblia, julgar os outros é uma atitude muito feia. Espero não ler nada desse tipo nos blogs amigos. Para mim, o patrulhamento do Gondim em cima do pessoal da prosperidade foi inaceitável. Não sou adepto, mas eles tem o direito a acreditar naquilo. Também não aprovo a atitude dos pastores que julgam a Igreja Católica, do mesmo jeito que não aceito a recíproca romana. Eu desaprovo até as minhas gozações para cima dos ortodoxos reformados, coitados.
Pior será o Velhinho de Barbas brancas despertar de seu sono eterno e vir me dar a “honra” de receber os Hernandes na Gruta.
Vale lembrar aquela frase do Apóstolo Paulo: “Todos pecaram e carecem da Glória de Deus.” Ou ainda aquela de Jesus Cristo: “Quem não tem pecado, atire a primeira pedra.”
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