Archive for category FiLousofia de Grego

Transparencia total

30 de julio de 2010

El post de Versus de hace ya unos días me hizo ponerme de buen humor por las razones equivocadas. Volvía de Londres y me había llamdo la atención la cantidad de carteles de la CCTV que había en edificios, calles e incluso taxis. Pensé en su libro en la colección Planta 29 y me encantó encontrarme con su post. Pero luego me entraron ganas de declararme totalmente transparente, exigir una mayor vigilancia de mis ctividades como esos violadores que exigen la castración química y declarar a los que defienden la privacidad como sujetos sometidos a prejuicios pequeñoburgueses (¡qué bonita palabra ésta!). Pensé que si “ellos” pudieran ver mis pensamientos pondrían mi cabeza en la guillotina tal como dice el gran Dylan:And if my thought-dreams could be seen/They’d probably put my head in a guillotine/But it’s alright, Ma, it’s life, and life only.

Juan Urrutia (clonado aqui)

(Tradução Livre: O post de Versus, faz alguns dias, me fez ficar de bom humor pelas razões equivocadas. Voltava de Londres e me chamava a atenção a quantidade de câmeras da CCTV nos edifícios, ruas incluindo os taxis. Pensei em seu livro na coleção Planta 29 e me encantou encontrar-me com seu post. Mas, logo senti vontade de declarar-me totalmente transparente, exigir uma maior vigilância de minhas atividades como esses violadores que exigem a castração química e declarar aos que defendem a privacidade como sujeitos submetidos a prejuízos pequeno burgueses (que palavra bonita, esta!). Pensei que se eles pudessem ver meus pensamentos, colocariam minha cabeça na guilhotina, tal como dice o grande Dylan: E se meus pensamentos/sonhos pudessem ser vistos, provavelmente eles colocariam minha cabeça na guilhotina, mas está legal, é a vida, e vida somente.)

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Gruta, matrix vergonhosa de Cristo

Dia desses mencionei dois políticos brasileiros póstumos, Juscelino Kubichek de Oliveira e Adhemar Pereira de Barros, citando-os como dois exemplos positivos em sua área de atuação. Independente de nossas opiniões, era só uma armadilha para provocar alguma discussão nesse marasmo que anda o blog. Só o Rubinho mordeu minha isca, mesmo assim, com a prudência que lhe é peculiar.

Na última sexta-feira, jantei com o Daniel Fresnot em um daqueles exóticos restaurantes franceses que ele conhece como ninguém, programa de pobre lógico e, às tantas, mandei minha isca de novo e ele caiu feito um patinho. Em segundos me lembrou o quão corruptos eram esses senhores e, em contrapartida, enalteceu os adversários deles da época, a saber, Jânio Quadros, Carvalho Pinto e Prestes Maia. Era só o que desejava ouvir.

De dentro da Gruta, nossa noção da realidade é totalmente distorcida. No meu post citado, acrescentei links nesses nomes que levariam a vítima a conhecer um pouco das realizações de cada um, segundo o Wikipédia. Claro, também não sabemos se essas informações são totalmente confiáveis, mas elas são interessantemente contrárias às do meu amigo Daniel, mais adepto dos jornais favoráveis aos fanfarrões populistas que precederam os políticos atuais. Se bem que, ele também está na Gruta e suas fontes não passam de sombras.

Quinhentos anos antes de Cristo, Platão percebeu a temerária rede de referências dele e de seus pares da época. Sem querer, profetizou a vinda do profeta de Nazaré da Galiléia, na figura do cara que escapa da caverna para conhecer a realidade luminosa e volta para ser morto pelos incrédulos prisioneiros da Gruta.

Nós não acreditamos na possibilidade da nossa visão não ser real, mas sombras deturpadas por uma luz opaca e insuficiente. Somos grutenses e não acreditamos em conspirações. Muito menos admitimos a possibilidade de um tal Reino de Deus. Entre nós, formam-se pequenas igrejas que se julgam grandes por estarem a oeste da maioria ou por caminharem sob alguns propósitos. De outro lado ajunta-se a turma da prosperidade, ficando sem eira e nem beira gente como o Brian Mclaren e eu a espera de algum sucesso da turma da emergência ou com coragem para deixar a Gruta e encarar a luz.

Mas ainda somos todos grutenses, vergonha de Cristo e desqualificados para viver à direita do mestre.

Quem nos livrará dessa gruta?

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Sou cristão e você?

Quero iniciar fazendo uma ousada afirmação, coisa que faço raramente: Pode haver cristão tão bom quanto eu, e há, mas melhor será difícil achar. Uau! O cara é um insano, deveria estar escrevendo no blog do Adiron. Mas peço-lhe um instante ou o benefício da dúvida e analisaremos os fatos. Quem crê no seguinte: O Reino dos céus é: Dos arrependidos, dos pobres, dos perseguidos, dos cumpridores e ensinadores dos mandamentos judaicos (não matar, não roubar, não mentir, etc.); dos mais justos que escribas e fariseus; dos fazedores da vontade do Pai (leia-se igreja, pastor); dos iguais a João Batista, o melhor modelo de pobre que já existiu; dos semeadores (agricultores); dos que tudo dão pelo reino; dos que são capazes de se tornarem como crianças; dos absolutamente não ricos (que dificilmente entrarão); das virgens sensatas (não contestadores); ou seja, dos fracos, dos pobres, dos tristes, dos enjeitados e dos aleijados. Se você respondeu: o cristão, acertou. Você conhece alguém com esse perfil? Se respondeu, sem pensar muito: o Lou Mello da Caverna, acertou em cheio. Aliás, só faltou dizer que gente assim vive em cavernas. Dito isso, quero informar aos meus detratores, que andam aumentando, que estou a espera da volta de Cristo, apenas. Não pense que essa demora me assusta, a espera é a certeza de sofrimento e quanto mais sofrer mais apto ao Reino estarei. Caso você não concorde com essas palavras, lembre-se que elas estão na Bíblia. Qualquer dúvida, leia o livro de Mateus, agora, por exemplo. Difícil encontrar alguém mais bíblico do que eu. Poderia até atenuar escrevendo que estou assim, tão cristão, mais pelas circunstâncias, mas isso não é verdade. Tenho ao meu lado todos os psicólogos, eles podem avalizar minha mais completa compulsão ao cristianismo niilista. Estou marchando para o céu, a passos largos. Minha esposa não gosta que eu escreva essas coisas, só que ela não entende minhas preocupações. Se eu escrevesse sobre aquelas bobagens calvinistas, como fazem e crêem os norte americanos e a cambada brasileira pendurada, para justificar seu modo de vida anti-bíblico, perderia minha audiência. Antes de qualquer coisa, precisaria mudar o nome do blog, talvez Castelo Forte, ao invés de Caverna Fraca (o mesmo que Lou). Na intimidade, estou me lixando para a opinião pública, só não sou louco de escrever isso aqui. Sei que meus mais fiéis leitores ficarão horrorizados com esse post, entretanto, é bom lembrar que eles estão prontinhos para entrar no Reino dos Céus, tanto quanto eu. Afinal, com essa moral não há como viver nessa terra. Veja quem domina a blogosfera, o Twitter, as editoras evangélicas, a mídia cristã, se não são os calvinistas. Todos eles provem das igrejas da zona oeste e da zona sul, onde estão a Batista do Morumbi, Betesda, IBAB, Raízes, Mackenzie, etc. Nenhuma outra igreja, no país exerce tanto domínio, quanto essas. E não fique pensando que quero mal a essa gente, só porque me bloqueiam no Twiter. Já freqüentei a maioria desses lugares, e se a corrente que estou fazendo, atualmente, der certo, voltarei ao convívio com eles. Jamais me sujeitaria a andar com aquela pobreza universal ou outra das tais.  Inclusive porque meus amigos estão todos lá. Assim que meu nome sair da lista dos endividados, eles me desbloquearão, pode crer. Se estou vivo ainda, devo a eles. Cristãos bíblicos são tremendos “mãos de vaca”, como era João Batista a quem eles imitam. Deus me livre de ter que me levantar da frente desse computador (legado por um amigo calvinista) e superar-me, sair por aí com a bíblia em uma mão e a enxada na outra, pensando positivamente, não esperando nada que não seja a vitória. Já estou na Caverna, se morrer, basta que coloquem a pedra fechando a porta e estarei feliz ao lado de Cristo. Afinal ele estaria onde?

lousign

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Os filósofos de salem

Em toda filosofia há um ponto no qual a “convicção” do filósofo entra em cena: ou, para falar na linguagem de um antigo mistério:

Adventavit asinus

Pulcher ET fortissimus

(chegou o asno belo e muito forte)

F. Nietzsche em Além do bem e do mal

Gosto muito dessa frase. Para mim, chega a ser um principio a ponto de influenciar em tudo que leio ou ouço. Estou sempre esperando a hora em que a anta, digo, o filósofo se manifestará com suas convicções. Na verdade, falar ou escrever demais, quase sempre, causa esse tipo de conseqüência. São poucos os tostois da vida, capazes de escrever tanto antes de aparecerem as asneiras. Nossas convicções são importantes para nós, mas significam pouco para os outros e, geralmente, soam como tolices para eles.

Por mais incrível que possa parecer, também acabo manifestando minhas asneiras em algum momento, aqui no blog e no tempo em que era um pregador itinerante da Portas Abertas ou como pregador fixo em alguma congregação batista de beira de barranco. Por exemplo: já andei revelando o fato de não engolir a história da ressurreição de Cristo ou qualquer outra. Adoraria saber que tudo foi como está escrito nos evangelhos, alias torço para que seja. Mas não consigo acreditar, ainda.

Ah, precisa ter fé! Sei disso, mas fé não é a certeza daquilo que esperamos, como quer o autor da carta aos Hebreus. Ele estava manipulando os pobres hebreus a fim de fazê-los contentarem-se em não ter nada. Platonices! Pregadores da prosperidade dos nossos dias fazem a mesma coisa, mas em termos mais pós modernos, dizendo: Viva como se você já tivesse recebido. Fé é, antes de mais nada, acreditar no que você está vendo. Não sei quanto a você, mas duvido de tudo que vejo. Dificilmente acredito em meus olhos ou ouvidos. Eles mentem compulsivamente. Então, quando consigo crer que uma coisa é a tal coisa, pronto, tenho fé. Mas é raro.

Perceberam o monte de asneiras manifestadas quando as convicções do filósofo entram em cena? Não tenham dúvidas, pregadores são camaleônicos e transformam-se em filósofos em um piscar de olhos. Gosto muito de narrar a Vida de Jesus, alias, já faz tempo que não faço esse tipo de asneira. Uma vez, ao terminar a narração, para mim ela sempre termina com a morte de Cristo, recebi uma grande salva de palmas. Esse é o tipo de coisa que gosto e busco, mas quando acontece fico todo envergonhado. Quando a manifestação cessou, o pastor da Igreja, um excomungado esperto, perguntou se eu havia terminado. Respondi: sim, para mim a Vida de Jesus, termina aqui. Nunca mais falei com esse pastor ou recebi qualquer convite para voltar àquela igreja.

Quando visitava as igrejas, tratava de repetir essa frase do Nietzsche em pensamento, o tempo todo, pois não desejava entrar no nível das asneiras. Seria uma indelicadeza para com meus anfitriões. Creio ter conseguido, exceto umas duas ou três vezes em que quase foi necessário sair do local em camburão da polícia. Também, esses caras vêem veem estampado “trouxa” na minha testa e dizem ao povo que responderei perguntas no final. Nunca autorizei tal imprudência. O resultado não podia ser pior. Não sei mentir e tal.

Entretanto, é bom lembrar, como é bom ouvir os outros a espera de que as convicções do filósofo embutido no pregador entrem em cena. O Carlos Siepierski morria de vergonha quando conversávamos com o Tio Cássio, na hora em que as convicções do velho pregador entravam em cena, coisa que não costumava demorar. Sem perceber, eu fazia caretas inequívocas de contrariedade e reprovação, segundo meu amigo. Lendo meus posts e outros, por aí, também encontramos diversão garantida. Os filósofos e sua convicções são todos uns panacas antalógicos, segundo o Nietzsche, claro.

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A tal da força mental


Não fui para o jogo com idéias suficientemente claras”

“Fui sem saber como enfocar o jogo, não me preparei para atuar como deveria, porém o bom é que reagi”, continuou Nadal, que confessou ter contado com a sorte para sobressair. “Quando alguém está 6/3 e 5/3 abaixo, se não tem sorte não consegue virar. Ela sempre é um fator, mas sempre deve-se lutar; caso contrário, não há sorte que faça o trabalho”.

“A partida muito perdida para se pensar em outra coisa que não fosse ganhar ponto após ponto; depois, você vê o que acontece, sempre esperando que venha a inspiração para tirar um algo mais”

Palavras do tenista Rafael Nadal, atual nº 1 do mundo, após vencer o argentino David Nalbandian, de quem já era considerado um freguês, por ter perdido seguidamente, nos jogos anteriores.

“Reconhecidamente muito forte na parte mental”, disse o editorialista do Abril.com esportes, logo a seguir.

Em meus dias aos pés do Zenon, trabalhei fortemente os conceitos de mudança comportamental. Meu mestre, especialista no assunto, fez de tudo para me levar a uma atitude mental positiva. Infelizmente, o procurei muito tarde, quando já era um caso perdido para o existencialismo pessimista. Na verdade, me apaixonei pelo tema e vesti o uniforme do time onde já jogaram Kierkegaard, Pascal, Hussell, Heidegger, Jaspers, Max Scheler, Sartre, Camus, Fernando Pessoa, Drumond de Andrade, Simone de Beauvoir, exclusivamente ou esporadicamente, ou outros adeptos do conceito de angustia, crentes na máxima de que a existência precede a essência, por dois fatores determinantes:

1) O processo é biológico, antes de mais nada. Você nasce com esse genoma e depois permite sua manifestação ou passa o resto da vida lutando contra ele, dizendo a si mesmo que isso é coisa de perdedor e fazendo esforços mentais monumentais para se superar em tudo que faz. Pesquisas indicam que os vencedores morrem muito antes do que os perdedores.

2) Aqueles excomungados da PUC nos levaram para o teatro da faculdade e exibiram o filme O Estrangeiro, estrelado por Marcelo Mastroianni. O enredo desse filme foi extraído do Livro de Albert Camus com igual título. Creiam-me em um ponto, nem sempre vale a pena assistir um filme estrelado por um grande ator. Esse desgraçado do Mastroianni, um dos maiores atores que o cinema viu e verá, que teve a desfaçatez de arrebatar uma das mulheres mais lindas que o mundo conhece, a atriz francesa Catherine Deneuve, interpretou um existencialista muito além do esperado e me convenceu completamente. `Para completar, fizeram um debate após a exibição e atônito, descobri todas as respostas capazes de dar sentido à minha vida. Anotei o nome dos livros e autores, feito louco, e nunca mais fui o mesmo idiota de antes. Tornei-me um tolo de categoria superior.

Só não consegui superar esses caras citados em um ponto: não foi possível deixar de crer na existência e paixão de Jesus Cristo. Isso tornou-se um paradoxo monstruoso ao longo dos meus dias, até hoje.

O Zenon me emprestou um livrinho, certa ocasião, que ensinava o jogador de tênis a concentrar-se no jogo até conseguir jogár automaticamente, sem precisar pensar nas jogadas, caso contrário, essa coisa é capaz de atrasar os movimentos e levar o truncho à derrota. Cheguei a usar as técnicas em outro jogo, o tênis de mesa. Conclui então que se para jogar aquela porcaria precisaria fazer aquela ginástica cerebral horrorosa, maculando minha essência perdedora, então estava fora.

Como decidi ficar fora desse mundo e dessa vida se a condição única é pensar como todos, igual a um robô pré programado para ser um estereotipado vencedor qualquer. Se quiser ver um vencedor, assistirei a todos os vídeos das corridas do Schumaker, aquele infeliz, ou às novelas do Tarcisio Meira. Esses caras não perdem nunca. Não estou nem aí para essas porcarias.

Agostinho me arrebatou quando decidiu defender a verdade. Fez mais do que isso, demonstrou que ela é um dos pilares centrais da Palavra de Deus. Como posso viver dizendo não sentir angústia ao olhar para todos os lados? Pior, acredito, com todas as minhas forças, que as pessoas à minha volta mentem ao sublimar suas angustias dizendo-se felizes e realizadas, sobretudo os psicólogos, quando querem me convencer a pensar positivamente, como qualquer bunda mole é capaz de fazer.

OPS: Aproveitando a deixa, resolvi atender às mulheres reclamantes de um visual ocupado por um homem. O vídeo acima, a meu ver, atende os reclamos.

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Gerente de mim

Estamos devagar, nem as luzinhas da janela da sala foram colocadas este ano. O Thomas queria uma árvore de natal, das verdadeiras, mas não fui ver, pois me disseram que estão pela hora da morte. Por aqui não há onde roubá-las e, sem carro, não tenho como ir buscar onde elas estão.

Pelo jeito, não teremos visitas surpresa de familiares ou amigos, este ano. No passado, apareciam pessoas fazendo às vezes de Papai Noel, geralmente com os apetrechos da ceia. Os caras caprichavam. Em Sorocaba ficamos distantes desses benfeitores natalinos. De outro lado, nossas incursões na pele do bom velhinho, em benefício dos menos favorecidos, também deixaram de ser. O velho bonitinho com sua roupa vermelha terá muito trabalho na América do Norte e não virá por essas bandas.

Essa coisa sacana dos cristãos de terem metido Jesus nessa história é perversa. Meu irmão nazareno jamais compactuaria com algo assim. Festa que ele patrocinava, todos participavam.

Diferente dos anos anteriores, este ano arriscaria pedir um presente de natal. Claro que minhas maiores alegrias para o ano que se inicia têm a ver com a felicidade dos meus filhos e de minha esposa. Mas meu pedido pessoal, muito simples, ao homem das renas, seria recuperar a mim mesmo. Isso mesmo, desejo recuperar o comando de minha vida. Não ser mais um dado do jogo perverso desse universo, ou como diria o Robert Kiyosaki, sair da corrida dos ratos e das mãos dos manipuladores de plantão.

Quero voltar a ser dono do meu próprio nariz, se é que um dia o tenha sido. Se fui, não me lembro. Imagino contribuir para tanto avaliando cada decisão e evitando cem por cento as situações onde o controle não esteja totalmente nas minhas belas mãos. Tenho muitas amarras em volta de mim permitindo a outrem invadir minha vida, sem a menor cerimônia, e me cobrar, exigir, gritar, etc. Começarei por aí, cortarei esses vínculos e não voltarei a eles. Meu ego está com os dias contados, também. Ele e todas as suas criações, esse blog incluso, os outros também.

Daqui para frente meu blog será a areia da praia, bem perto do mar. Escreverei e ficarei assistindo a dança das águas levando minhas palavras ridículas oceano adentro. Para isso preciso aproximar-me da praia, outra vez.

Gostaria de ver meus queridos libertos dessas amarras mundanas, tipo natal e seus similares, igualmente. Viveríamos muito melhor se, todas as noites, sentássemos ao redor de nossa mesa e ceássemos como se fosse a ceia de natal, com muita comida, bom vinho e conversa franca e divertida.

Não será fácil suportar os próximos dias. As pessoas deveriam evitar festejar em respeito aos que não podem fazê-lo, seja no natal ou em qualquer outra época. Esse é meu último texto triste, este ano. Prometo. Daqui para frente, só bobagens alegres. Pelo menos sentirei alguma sensação de não estar jogando sal na ferida alheia.

Feliz Natal a todos vocês, leitores da Gruta.

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O caminho

Estava em meio a uma floresta, sem rumo e sem meu inseparável GPS. De repente, passa por mim um homem com cara de desesperado.

-Ei você! Aonde vai com essa pressa?

-Não sei estou perdido.

Estranho ele me ver e não me perguntar se eu sabia algum caminho para sairmos dali. Curioso, pergunto:

-Por que você não me perguntou se eu sabia o caminho?

- Porque você não sabe o caminho. Tudo que não quero agora é falar com outro perdido.

Engraçado, nunca havia me dado conta desse detalhe. Pessoas sem o conhecer o caminho não deviam andar por aí mostrando caminhos.

Por outro lado, as pessoas não gostam de gente ignorante quanto ao caminho. Sabendo disso, a maioria vive e age como se soubesse…

Tremo quando ouço alguém me dizer:

-Olha, por que você não faz o seguinte?

“O seguinte”, invariavelmente, será composto de um monte de idiotices e bobagens.

Os sábios não costumam indicar caminhos. Conheci um que disse: Eu sou o caminho, tome a sua cruz e siga a minha.

Creio que a melhor resposta que eu poderia dar ao perdido seria: Não sei. Uma coisa é certa, eu não sou.

Ops: Não deixe de ir ao nosso encontro sobre Fundraising. Veja aqui.

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Deus, ciência e razão

       A. Einstein

O autor português José Rodrigues dos Santos escreveu quinhentas e setenta e quatro páginas em seu excelente livro ” A Fórmula de Deus”, que me foi presenteado pela Vilma do blog Coisas de Mim, uma das boas amizades colhidas na blogosfera, para juntar os cacos quebrados do lado da ciência e do outro, a religião e, através de uma bem concatenada aventura, com nuances de um romance muito pertinente, demonstrar alguns pontos importantes de conexão entre, Deus, ciência e razão.

Foi o falecido teólogo, autor e pastor exótico, o norte-americano Francis Schaeffer, cult dos anos setenta e oitenta com seu trabalho de discipulado de jovens estrategicamente situado nos Alps – Suiça, lugar de fácil acesso a qualquer um de nós, jovens na época, quem defendeu e escreveu A Morte da Razão, onde, em exaustivas noventa e quatro páginas, ele buscou levar todos para o lado do espírito ou espiritual, insinuando a impossibilidade das forças do universo caminharem juntas. Na última página do meu exemplar desse livro você lerá, escrito a lápis, com a minha letra, “O autor não cumpriu sua proposição”. O filho dele, herdou esse legado e está condenado a gastar sua vida justificando seu pai imprudente. Mas ele não é o primeiro, Jesus Cristo fez a mesma coisa, muito tempo antes.

Sei que os privilegiados discípulos do Francis viveram uma experiência espiritual incomum lá no L’Abri. Pena que papai não estava em condições de pagar uma temporadazinha minha naquele paraiso, caso contrário, eu teria estado junto com ele, também, provavelmente. Isso poderia ter evitado esse post. Nem por isso, conseguiram anular a razão.

Deus, em sua imprudente falta de espiritualidade, enviou sinais de conectividade com seu Filho, inequívocos, durante a cena da crucificação. Quem esteve lá, jura ter visto a maior incidência de raios e trovões que se tem notícia. Segundo alguns, foi um dia horroroso, algo para se esquecer. Isso me faz lembrar o Tsunami na Ásia, alguns anos passados, onde estava a Marie, uma ex-aluna do Ginásio Vocacional que encontrei trabalhando com o Daniel Fresnot na Casa Taiguara. Naquele dia, Deus, ciência e razão deram-se as mãos e deixaram milhares de pessoas perceberem o quanto esses fenômenos andam irmanados. Fosse Deus, um lado oposto à razão, ele repreenderia ventos e mares, salvando todas aquelas vidas perdidas naquele horror.

Schaeffer, mesmo tendo sido um velhinho danado de simpático, estava errado. Não me admiro ao ver seu filho Franky e o bom pessoal da editora W4 lançando o livro “Viciados em Mediocridade” que eu li em inglês, coincidentemente, quando estava na Europa, em 1994. Não sou psicólogo, mas desconfio da herança genética do Franky. Toda essa história tem seus nuances filosóficos e um medo que rondou católicos e protestantes com o movimento dos existencialistas, particularmente os franceses. Sartre e Camus bagunçaram o coreto imperialista do norte ao estremecer um dos principais pilares desse demônio: a igreja e seu dogma. O fato é que a peste chegou até nós e fomos todos contaminados. Pior é viver nessa inglória luta tentando separar o joio do trigo. Afinal, há um fundo de verdade em tudo isso. Caso contrário, o novo Big Bang resolverá nosso probleminha.

lousign

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O Mito da Gruta

O Mito da Caverna

Muitos me convidaram a sair da gruta. Engraçado, para mim todos os outros estão na caverna de onde vim. Alguém pode me responder o que é a fé? A devoção? A Coragem? A razão…

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Êxtase

 

“O último dos simples, contanto que pratique o culto do coração, é mais esclarecido sobre a realidade das coisas que o materialista que acredita tudo explicar pelo acaso e o finito.”

Ernest Renan em A Vida de Jesus

Decisão tomada, sim por que não? Posso optar por minha religião com consciência, razão e meu ser adulto. Posso mais, estar livre para sentir. Fiz do cristianismo e seu herói perdedor a minha religião. Seria injusto se não reconhecesse que foi ela quem primeiro me encontrou, e não perdeu tempo, me cativou ainda menino. Embora estivesse muito próximo da Igreja Católica, com sacramentos inclusos, não foram os padres somente, mas o que eu podia ver, ouvir e sentir, além deles. Depois vieram os pastores e fizeram bem a sua parte. Pena que não existem mais como eles.

Longe de mim tentar esconder meus encontros nas madrugadas com o Raniel, acho que ele busca conselho comigo, pode? E os anjos que vejo por todo lado, coisa incomum? Nem, tampouco aquela língua estranha falada na solidão de minhas viagens noturnas de carro, entre São Paulo e Sorocaba, as visões, os sonhos, as mensagens, tudo referendado por ninguém menos do que Paulo, o apóstolo, apesar de toda sua calvinice e calvicie.

Passei horas, dias e meses aos pés de um Rabino. Um de meus melhores amigos é judeu. Inebriaram-me os tibetanos e os samurais japoneses. Troquei idéias com um muçulmano sobre o Islã, por muito tempo. Quando criança, tínhamos uma casa na praia e, principalmente, no primeiro dia de cada ano, ficava horas ao lado das rodas de Umbanda que se formavam na areia assistindo o batuque, a dança e o acasalamento entre os fiéis e seus espíritos possuidores, fascinado com aquele êxtase, sem nunca ter desejado experimentá-lo. Ainda citando Renan: Os mais graves erros que elas misturam a essa afirmação não são nada comparáveis ao preço da verdade que elas proclamam.

Sou incapaz de não me emocionar com uma criança que me traz uma goiaba apetitosa sem qualquer interesse. Mas o sofrimento humano em todas as suas facetas perversas me esmaga. As crianças sujas e seviciadas em nossas favelas, as vítimas da fome, das guerras, da miséria e agora da AIDs no continente africano, os iraquianos em sua desgraça, os libaneses e sua dor, os doentes, os endividados e os sócios do Bolsa Família. Todos unidos em fazer de mim o mais miserável discípulo perdedor de um Deus cristão paradoxal, mas fascinante.

Em minhas insanas racionalidades, sou o ser mais emocinal, emocionado e cativo das minhas emoçoes sobre a face da terra, a meu ver. Agarro agora a Morte da Razão do Francis Schaeffer e continuo sem poder fazer parte dessa conspiração que visa matar meu único ponto de equilíbrio, capaz de manter-me em pé, mesmo com toda a adversidade que me sufoca e me puxa para o fundo do abismo inundado pelas emoções, seja qual for a cor delas.

 

 

 

 

Essas duas companheiras, a razão e a emoção irão comigo até o último suspiro, posto que não viveria sem elas.

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