Santa Edwirges, rogai por nós


A viagem de Ida – Primeiro Ato

Pontualmente à 01:50 pm, estava na plataforma 04 da Grande Estação Rodoviária de Sorocaba, o que não adiantou muito, já que o ônibus da Santa Edwirges estacionou às 02:40 pm. Depois de ter minha passagem picotada pelo motorista, um senhor alto e mal encarado, subi no coletivo e dirigi-me à poltrona 35, a mim destinada. Nela havia um crioulo enorme, tendo a seu lado uma dama crioula gorducha que supus fosse sua companheira. De qualquer jeito olhei firme para o homem, que sentado era da minha altura, e falei duro olhando em seus olhos:

- “O senhor está ocupando o meu lugar.”

Sem perder a calma, ele abriu a boca, ocasião em que percebi a falta de todos os seus dentes frontais, e me disse com tranqüilidade:

- “Aqui na Santa Edwirges não tem essa de lugar reservado, a gente senta onde acha lugar.”

Por razões óbvias, achei melhor não esticar o assunto. Olhei em volta à procura de outro lugar e percebi haver dois. Um no meio do ônibus do lado esquerdo, onde uma senhora enorme de gorda estava ocupando o assento junto à janela e outro lá na frente à direita. Sem titubear, segui em direção a essa última opção, ao me aproximar notei que o cavalheiro, sentado ali, estava dormindo e ocupava os dois assentos do banco. Pela cor do vômito, no chão e em suas roupas, percebi que ele ingerira grande porção de vinho barato. Então, cabisbaixo, retornei ao assento ao lado de D. Elisabeth.

Eu estou pesando 110 kgs, e engordando. D. Elizabeth devia pesar uns 160 kgs, mais ou menos e estava fazendo um lanchinho, naquele momento. Pelo aspecto e aroma, era sanduíche de mortadela. Com grande esforço sentei ao lado dela. Embora o apoio para o braço estivesse delimitando os dois lugares, o ante-braço da D. Elisabeth estava ocupando uns 30 cms do meu espaço, sobre o apoio braçal. Cumprimentei a obesa anciã com um efusivo “Boa tarde” que ela não respondeu e continuei a manobra de sentar, ao fazê-lo, por algum motivo desconhecido, fui afundando até ficar com meus olhos abaixo do ombro de D. Elizabeth.

Com isso, fiquei sem qualquer visão da paisagem ao meu lado esquerdo, exceto a montanha de banha da distinta “lady”. Imediatamente, olhei para as janelas do lado direito e me dei conta que todas tinham as cortinas fechadas, por duas razões: 1) o sol devia estar batendo daquele lado e 2) os ocupantes daqueles assentos estavam dormindo. Não sei o que acontece com as pessoas que viajam de ônibus, não importa o dia ou a hora, elas dormem. Com isso, a conclusão não podia ser outra: estava impedido de apreciar a linda paisagem de vales, rios e montanhas, ao longo da viagem. A temperatura dentro do ônibus devia estar na casa dos 35º e ao lado de D. Elisabeth parecia estar além dos 40º.

Fim do primeiro ato – continue lendo nos próximos dias.

Da série: Missões em Azaré

Lindos campos, rios e montanhas

Santa Edwirges, rogai por nós

Dona Elisabeth, afastai de nós

Vou de Mototaxi

Tim tim por tim tim

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  1. #1 by Anderson on 26 de março de 2007 - 10:27

    Medo. O mundo já não é mais um bom lugar para magrelos como eu.

  2. #2 by JOINCANTO on 26 de março de 2007 - 12:53

    Ihihihihihihi…

  3. #3 by Jacira Mavignier on 25 de março de 2009 - 23:11

    E a história continua…quem mandou ir pra Azaré?

(não será publicado)