Escrevendo por aqui desde 2005, em algumas oportunidades, mormente quando a frequência começava a cair, dei alguns falsos alarmes de fechamento do blog e deu certo, pois o pessoal tomou vergonha na cara e tratou de reaparecer, comentar e recomendar. Tutte le persone buone!

Entretanto, venho fazendo grande esforço para manter um certo ritmo, dar continuidade, provavelmente, bateu a falta de tesão. As piadas não brotam mais e corro atras das palavras, às vezes, ladeira abaixo. Fora o Alzheimer que vai se instalando e roubando minhas lembranças, especialmente as mais recentes.

O negócio de não trabalhar com suor no meu rosto e obter meu sustento com o trabalho de minhas mãos também está chegando a niveis insuportáveis, embora não tenha mais nenhuma ideia nova capaz de mudar isso. As pessoas não me trazem soluções, só críticas e mais aborrecimento. Como uma coisa leva a outra, até para um injusto, mendigar o pão nosso de cada dia, durante tanto tempo, fica insuportável. Evidentemente, um orgulhoso feito eu só admite baixar a esse nivel quando está em jogo a saúde de um filho, que nasceu para a glória de Deus. Lembra de Teresa de Ávila “Senhor, se é esse o modo como o Senhor trata os seus amigos, não me admira que tenha tão poucos!”

Não estou tentando dizer que, finalmente, extinguirei A Gruta. Mas imagino escrever mais pausadamente, quando bater mesmo a maldita da inspiração. Durante um bom tempo, era só seguir o método do Guilhemo Arriaga, sentar na frente do microcomputador, meter as mãos no teclado e começar a escrever. Não havia necessidade de nada previo, a coisa fluia como se fosse o médium psicografando suas cartas. Mas a fonte anda seca. As vezes goteja, e logo para. O desinteresse da malta também incomoda, confesso. Mas, para quem escreve para si mesmo, isso tem importancia relativa. O problema é mesmo falta de viço.

Sem falar que estou cem por cento envolvido com as necessidades do meu filho, pelo menos tenho tentado bolar um plano capaz de tornar nosso sonho de curá-lo possivel, sem saber como, da onde e sei lá o que. Mas não há escolha, tem que fazer e mais nada. Bom pelo menos a parte da cirurgia, hospital e os recursos de saúde, incluindo um excelente cirurgião está equacionado. Acho que o plano de saúde do meu filho não fará o mesmo que fez o do filho do personagem do Denzel Washington, cujo filho precisava de um transplante de coração.

Meu problema, além de continuar tendo que manter a vida da casa funcionando, mesmo sem ter nenhum trabalho das minhas mãos em andamento, é suprir o necessário para as idas e vindas que se farão necessárias nos dias em que a cirurgia se der. Viagens, alimentação, estadias, etc. Claro, há alternativas, mas a gente sempre espera que não seremos obrigados a encará-las, como fazem certas mães heroínas, nesses casos, que passam dias e dias comendo pão assado nas padarias do inferno.

Essas são as circunstâncias que estão roubando minha inspiração (há outras coisinhas, as quais não estou autorizado, pela família, a declarar), mas dentre todas, está faltando aquela paixão inicial. Preciso descobrir como voltar ao primeiro amor, como Paulo orientou aos Gálatas.

Enfim, tentarei ir levando, empurrando com a barriga, até onde der. Se chegar à conclusão que não dá mais mesmo, fecho a loja, digo, o blog, forevis.

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