“As pessoas ficarão impressionadas conosco’, o Grande Inquisidor diz a Jesus, ‘e pensarão em nós como deuses, porque nós, que nos dispusemos a lidera-las, estamos prontos a suportar a liberalidade, essa liberdade da qual elas fogem com horror; e porque estamos prontos a exercer domínio sobre elas – de modo que no final ser livre parecerá para elas coisa terrível. Mas nós diremos que estamos te obedecendo e governando apenas em teu nome. Igualmente nós as estamos traindo, pois não deixaremos que tenhas mais qualquer coisa a ver conosco’. De fato, ‘Por que vieste nos atrapalhar?’ O Grande Inquisidor quer pegar esse Jesus que veio novamente, trazendo liberdade novamente, e queimá-lo como herege em nome da Igreja”.

A questão torna-se não “O que Jesus diz”, mas “o que a Igreja diz”?

Trecho clonado do livro O Evangelho Maltrapilho de Brennan Manning, que por sua vez copiou a citação do Grande Inquisidor de Hans Kung em Freedom today. O Grande Inquisidor está em nossa lista de livros, se desejarem ler na integra.

Poderíamos amenizar a questão dizendo algo como: “você está correndo o risco de estar seguindo a religião de sua igreja e não a de Jesus Cristo”, entretanto, não seria verdade. Dificilmente você está seguindo o que diz Jesus.

Excetuando os problemas de tradução e versão das bíblias disponíveis, suficientes para criar enormes problemas no entendimento da galera, estou certo que a igreja criou sua própria palavra. Jesus passou três anos e pouco no planeta e sua ênfase escancarada foi a liberdade, do pecado, das instituições e dos nossos semelhantes. Enquanto isso, a igreja só fez, e ainda faz, escravizar as pessoas, de várias formas, sobretudo, através de sua teologia nada isenta. Seus representantes máximos têm o desplante de usar palavras, tais como: ortodoxia, fundamentalismo, literatismo, etc., com o fim de assegurar exatamente o que descumprem, ou seja: a fidelidade ao autor e consumador da coisa toda.

Eu li, e certamente você também, Jesus dizendo coisas como: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”; e em outro trecho: “e conhecereis a verdade e a verdade os libertará”. Mas essa nunca foi a ênfase da igreja. A igreja trata de escravizar as pessoas para tê-las a seus pês, a seu serviço e para sustentar seus caprichos. Seus mandatários exigirão longas orações nos mais inóspitos montes de sua cidade, os submeterão a longuíssimas pregações da mais elevada falta de bom senso e lhes servirá intolerâncias preconceituosas de todos os modelos, em uma bandeja de prata de lei.

A igreja elaborou e entrega outra agenda. Nela há uns cem números de tarefas e obras salvadoras. Começa sempre com os pobres, passa pelas criancinhas abandonadas e moradoras de rua, vai pelos aidéticos, a nova e surpreendente preocupação da moda eclesiástica com a educação, as adolescentes grávidas, todos os tipos de doentes físicos, como se ela fosse um hospital ou clínica de terapêuticas psicológicas, os mesmos bêbados e drogados de sempre e nunca, mas nunca mesmo, se ocupa do pecador e da liberdade apregoada por Cristo. Liberdade esta que caberia, a todos os anteriores, como luvas de médico.

Nada ali se comparara à verdade, pois ela, e só ela, nos libertará. Definitivamente ela não se encontra na igreja.

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