A Montanha Por Achar

A montanha por achar
Há de ter, quando a encontrar,
Um templo aberto na pedra
Da encosta onde nada medra.

O santuário que tiver,
Quando o encontrar, há de ser
Na montanha procurada
E na gruta ali achada.

A verdade, se ela existe,
Ver-se-á que só consiste
Na procura da verdade,
Porque a vida é só metade.

Fernando Pessoa

 

A vida consiste em uma busca constante, pelo que não sei. Sei que sinto um desconforto monumental pela busca infrutífera. Não sei o objetivo da minha procura, se soubesse, melhor seria. Deus? Sabedoria? Um lugar? Uma pessoa? Não sei. Procuro a verdade, como o poeta.

Se há um Deus, quero encontra-lo. Se bem que tenha vivido a maior parte da vida sob a ilusão de um Deus, que Deus não era. Ele parecia real, mas sua realidade ficou pelo caminho, junto com as falácias de um templo dominado pela abominação.

Sabedoria, parece que quanto mais me nutro de informações, mais me distancio do meu objetivo. Ela me escapa como se desejasse me achar e não o contrário. Se inferno houver, certamente será um lugar onde haverá milhares de almas prepotentes, todas certas de seu grande saber. Não sei se conheço pessoa pior do aquela que pensa que sabe. E sou essa pessoa, muitas das vezes.

Andei por esse mundo um pouco, mais do que a média das pessoas faz e pode fazer. Não encontrei o lugar, não era na Europa, nem na América do Norte e muito menos na África, como nunca foi na América do Sul, onde vivo. Mas o poeta me intriga tremendamente com esse verso:

O santuário que tiver,
Quando o encontrar, há de ser
Na montanha procurada
E na gruta ali achada.

Confesso e não fiz por mal, criei o blog sem imaginar jamais, estar criando um santuário, sobre uma montanha, na gruta achada.

Não procuro pessoas, apenas me assombro com elas. Algumas me emocionam às lágrimas, outras me metem medo. Não tanto aquelas cujo carater lhes falta. Tenho mais medo de perder gente amada. Não sei se resisto perder mais alguém que ame. Talvez já tenha perdido até alguns que ainda não se foram. Não sei. O amor é um lugar comum, para a maioria. Até o bom autor ou o bom interprete da Bíblia preconizam a necessidade de amar. Isso me dá calafrios. Sinto como Agostinho e C. S. Lewis, o amor só compensa em favor daquele que não perece nem se vai.

Quem sabe ao encontrar meu santuário, na Gruta sobre a montanha, lá encontre a Deus também, embora seja daqueles que pensam um Deus onipresente. Mas não deve ser como o concebo, Ele deve ser cortes demais para invadir certos momentos meus. Mas minha concepção de Deus não é confiável. Melhor buscar o santuário, ou abrir os olhos aqui mesmo e encontra-lo, afinal.


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