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Os filósofos de salem

Em toda filosofia há um ponto no qual a “convicção” do filósofo entra em cena: ou, para falar na linguagem de um antigo mistério:

Adventavit asinus

Pulcher ET fortissimus

(chegou o asno belo e muito forte)

F. Nietzsche em Além do bem e do mal

Gosto muito dessa frase. Para mim, chega a ser um principio a ponto de influenciar em tudo que leio ou ouço. Estou sempre esperando a hora em que a anta, digo, o filósofo se manifestará com suas convicções. Na verdade, falar ou escrever demais, quase sempre, causa esse tipo de conseqüência. São poucos os tostois da vida, capazes de escrever tanto antes de aparecerem as asneiras. Nossas convicções são importantes para nós, mas significam pouco para os outros e, geralmente, soam como tolices para eles.

Por mais incrível que possa parecer, também acabo manifestando minhas asneiras em algum momento, aqui no blog e no tempo em que era um pregador itinerante da Portas Abertas ou como pregador fixo em alguma congregação batista de beira de barranco. Por exemplo: já andei revelando o fato de não engolir a história da ressurreição de Cristo ou qualquer outra. Adoraria saber que tudo foi como está escrito nos evangelhos, alias torço para que seja. Mas não consigo acreditar, ainda.

Ah, precisa ter fé! Sei disso, mas fé não é a certeza daquilo que esperamos, como quer o autor da carta aos Hebreus. Ele estava manipulando os pobres hebreus a fim de fazê-los contentarem-se em não ter nada. Platonices! Pregadores da prosperidade dos nossos dias fazem a mesma coisa, mas em termos mais pós modernos, dizendo: Viva como se você já tivesse recebido. Fé é, antes de mais nada, acreditar no que você está vendo. Não sei quanto a você, mas duvido de tudo que vejo. Dificilmente acredito em meus olhos ou ouvidos. Eles mentem compulsivamente. Então, quando consigo crer que uma coisa é a tal coisa, pronto, tenho fé. Mas é raro.

Perceberam o monte de asneiras manifestadas quando as convicções do filósofo entram em cena? Não tenham dúvidas, pregadores são camaleônicos e transformam-se em filósofos em um piscar de olhos. Gosto muito de narrar a Vida de Jesus, alias, já faz tempo que não faço esse tipo de asneira. Uma vez, ao terminar a narração, para mim ela sempre termina com a morte de Cristo, recebi uma grande salva de palmas. Esse é o tipo de coisa que gosto e busco, mas quando acontece fico todo envergonhado. Quando a manifestação cessou, o pastor da Igreja, um excomungado esperto, perguntou se eu havia terminado. Respondi: sim, para mim a Vida de Jesus, termina aqui. Nunca mais falei com esse pastor ou recebi qualquer convite para voltar àquela igreja.

Quando visitava as igrejas, tratava de repetir essa frase do Nietzsche em pensamento, o tempo todo, pois não desejava entrar no nível das asneiras. Seria uma indelicadeza para com meus anfitriões. Creio ter conseguido, exceto umas duas ou três vezes em que quase foi necessário sair do local em camburão da polícia. Também, esses caras vêem veem estampado “trouxa” na minha testa e dizem ao povo que responderei perguntas no final. Nunca autorizei tal imprudência. O resultado não podia ser pior. Não sei mentir e tal.

Entretanto, é bom lembrar, como é bom ouvir os outros a espera de que as convicções do filósofo embutido no pregador entrem em cena. O Carlos Siepierski morria de vergonha quando conversávamos com o Tio Cássio, na hora em que as convicções do velho pregador entravam em cena, coisa que não costumava demorar. Sem perceber, eu fazia caretas inequívocas de contrariedade e reprovação, segundo meu amigo. Lendo meus posts e outros, por aí, também encontramos diversão garantida. Os filósofos e sua convicções são todos uns panacas antalógicos, segundo o Nietzsche, claro.

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Thomas, 21 anos hoje

Embora pareça uma ocasião absolutamente corriqueira, afinal acontece naturalmente na vida de cada um, o aniversário do Thomas, hoje, é um acontecimento único e se reveste de expressiva importância, para nós familiares, já que a primeira estimativa de vida dele, em seu primeiro dia de vida, segundo os médicos que o atenderam no dia Onze de maio, vinte e um anos atrás, era um tanto limitada e, para eles, nosso filho não teria passado dos dois ou três primeiros dias.

Mas Deus não pratica a mesma medicina dos homens, sempre. Parece entender melhor nossos corpos e mentes do que os homens e mulheres de branco e, às vezes, resolve ir além do saber revelado à nossa raça incompleta. Assim, somos testemunhas de um grande milagre e somos obrigados a conviver com ele dia a dia. Funciona como se o Barba Branca desejasse nos lembrar a cada manhã de um detalhe tolo: Acredite em Milagres. O Dr. Joaquim Menezes, pediatra que atendeu o cara desde seus primeiros dias, disse certa vez: Seu filho deseja viver, é impressionante.

Estranho, mas não costumo me contentar muito fácil. Você não tem idéia da lista de pedidos feitos em favor dele. Tá bom, sempre digo para não fazer isso, ou seja, pedidos a Deus. Mas não costumo mesmo fazer o que digo.

De qualquer forma, estou muito feliz hoje. Sinto como se fosse minha essa vitória, embora todo o crédito deve ser dado ao Criador e seu Filho rebelde e cheio de amor.

Parabéns filhão!

Ops: Seguinte: Um maluco maior do que eu, resolveu me entrevistar e fez pior, publicou a entrevista. Se interessar ler o monte de asneiras que penso e ainda fui capaz de escrever, contrariando as ordens expressas do meu falecido pastor que me lembrava sempre do fato das palavras faladas serem efêmeras, enquanto as escritas, nem tanto, vá lá antes que o Will se arrependa (não acredito nisso). Está no excelente blog Celebrai. Aproveite, leia o resto e coloque-o em sua lista.

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Plano B

Nunca em minha vida tive tanta certeza de ganhar na loteria como hoje. Antes de conferir, elaborei o plano todo, em detalhes. Seria a grande salvação da lavoura, dava até para ver minha cara no espelho com a sobrancelha direita levemente levantada e um sorriso lindo no canto esquerdo de minha boca. Isso tem um poder incrível de aumentar o tamanho da frustração. E ela veio a cavalo, ao conferir, percebi que não havia acertado, nem o finalzinho, para recuperar a grana apostada, deu as caras. É, fazer o que? Agora é partir para o plano B. Onde raios eu o coloquei? Não está em parte alguma de minha memória. Será que não preparei o maldito plano B? E agora?

Adalbertooooooooooooooo!

Desse jeito já estou até vendo… Acabarei cedendo aos caprichos de Deus outra vez e me humilharei praticando aquelas bobagens, tais como jejuns,  orações, etc.; e pedirei a intervenção celestial. Se não tiver outro jeito… Ficar parado esperando a casa cair, não vai dar.

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Liberdade é igualdade

Edição revista e corrigida (por ordem expressa da Dedé)

(Para entender o texto abaixo, leia o post: “Bolsa Esposa”

Acerta em cheio, nossa leitora, quando menciona “os sonhadores”. Tudo o que estamos fazendo aqui na Gruta é sonhar. A realidade nós a conhecemos. A vaca foi pro brejo, faz tempo. A família, como você a descreve e imagina que eu defendo, já era.

Somos um bando de loucos (coisa de corinthianos) insistentes em um modelo ultrapassado e fracassado. Falo de gente como nós que vive dentro dessa abominação horrorosa que é a vida nessa comunidade ridícula, conhecida como família, onde a mulher (cognominada esposa) gera filhos até encher uma gloriosa aljava (nem sei o que vem a ser isso), os educa e cuida da casa, o homem (cognominado marido) tem o papel fundamental de provedor, nas horas vagas contribui na educação dos membros da aljava e faz serviços vários (marceneiro, eletricista, encanador, pintor, técnico em computadores, cozinheiro, fraldador [cara que troca as fraldas], mecânico, sapateiro, tosador e eunuco) o que não é meu caso, salvo uma ou outra exceção, e ao cachorro cabe o papel de guardião do lar. Sem falar nos papagaios (hoje substituídos, com vantagens pelas calopsitas australianas) responsáveis por manter o bom humor do lar.

Não é só nisso que sou ultrapassado. Você não acreditaria se eu dissesse que creio em Jesus Cristo e todas aquelas bobagens contidas nos evangelhos atribuídas a ele. Esse senhor, martirizado ainda jovem, queria nos libertar verdadeiramente. Do que? Da maldição, ou seja, a vida em família. Lembra da maldição, descrita em Gênesis: Ao homem, trabalhar todos os dias de sua vida e ganhar o sustento (do lar) com o suor do seu rosto; à mulher: dar a luz (filhos) com dores de parto e à serpente rastejar eternamente (Leia os últimos textos do Paulo Brabo, a respeito, na série “Nasce um homem“, caso interesse). Essa é a nossa prisão amaldiçoada por Deus e bonita por natureza. Mas que beleza…

Em outras palavras, liberdade passa longe da troca de papeis (homens virando mulherzinhas e mulheres tornando-se machonas como quer o Aleixo, que além de incrédulo, deve ter cansado do papel masculino, fora o idiota que ele foi aos tempos de colégio) e a rebeldia dos filhos, devidamente educados pelas nossas belas escolas.

Liberdade, se não me engano, incluiria a verdade e a verdade seria Cristo. O que viria depois disso, não sabemos. Certo apenas é: as mulheres não sofreriam mais as horrorosas dores de parto e os homens se livrariam desse martírio insuportável de sustentá-las com suas aljavas cheias de um ou outro de seus rebentos, fora caprichos, etc. Ah, e a serpente se livraria do rastejar eterno, acho.

Mas esse mundo pertence mesmo aos Aleixos da vida. Eu sou parte da escória a ser varrida para baixo do tapete, com meus sonhos e utopias. Maldito o dia que abri a tal da bíblia que aquela desaforada da minha avó liberada deixou lá em casa, ao morrer só, claro.

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Ashram

Grande tem sido a dificuldade dos líderes espirituais em unir a sabedoria e a prática. No caso dos pastores, essa constitui uma das maiores barreiras na concepção de um ministério profícuo.

Na maioria dos casos atuais, há a tentativa de transformar a igreja local em palco ministerial. Alguns tentam manter uma creche, uma escola ou um posto médico. Outros optam por considerar as aulas de música, o aconselhamento e cursos bíblicos como a prática em seus ministérios. Os batistas se realizam fazendo visitas às casas dos membros de sua igreja.

A dificuldade aparece quando eles tentam expor o texto bíblico e não dispõem de uma vivência legal para isso. Ao ouvi-los, notamos a falta de alguma coisa. Como diria Paulo (o apóstolo) a seu pupilo Timóteo: sobre o que não entendem, fazem ousadas asseverações.

Pessoalmente gosto da idéia de um núcleo onde seja possível desenvolver uma vida cristã recheada de possibilidades práticas, sem descuidar do preparo teórico necessário. Um Ashram me parece algo Ideal, é concepção hindu muito sábia e que me parece muito boa e aplicável. Adoraria viver em uma comunidade similar. Não significaria necessariamente um desligamento da sociedade ou do meio urbano. Apenas um afastamento necessário para se obter, paz, qualidade de vida e espaço para desenvolver vários serviços aos mais sofridos. Não penso só nos moradores de rua, crianças em risco e dependentes químicos. Importam-me as mulheres divorciadas ou viúvas, os gastadores compulsivos ou os desempregados, os endividados, pessoas vitimados por depressões crônicas, etc., também.

Com bom espaço e muito verde, seria possível viver em comunidade com essas pessoas, providenciando escola da árvore para as crianças e adolescentes, lar para os rejeitados, crianças e adultos e tratamento para os compulsivos, observando as prescrições e limites legais em todos os casos. Além de boa alimentação, exercícios físicos, lazer e descanso. O desenvolvimento espiritual entraria como parte importante do propósito geral. Ideal seria manter um campo de trabalho com produção campesina e artesanato a fim de dar independência ao projeto e seus participantes, embora o produto viesse a ser da comunidade.

Aqui em Sorocaba, uma das entidades onde prestei serviço, cujo alvo ministerial está direcionado aos moradores de rua, mantém um local em uma comunidade próxima, onde os carinhas são internados para recuperação de suas dependências químicas. Sempre foi dirigida por um líder contratado. Pena o pastor diretor do trabalho não estar pessoalmente envolvido. Depois o cara se surpreende quando o tal líder foge com uma das moças do telemarketing. Bom, mas ele é vereador e não tem tempo para tais idealismos grutenses. Outro pastor mantém uma entidade, que ele chama de abrigo, onde são mantidas cerca de cem crianças e adolescentes, encaminhados pela vara da infância e juventude e confinados em casas alugadas, funcionando no sistema “casa lar”, um horror inventado por nossos psicólogos forenses ajudados por algumas universidades, no centro urbano. Claro que o pastor presidente mora bem longe dessas casas e tem seu escritório colado à casa onde funciona o telemarketing.

O resultado de uma vida prática rica e relevante, entre outras grandes vantagens obvias, possibilitaria uma considerável melhora da mensagem, sem falar da qualidade de vida espiritual e moral . Nunca fui um bom pregador, mas minhas mensagens tornaram-se relevantes depois de ter passado por boas experiências práticas de ministério. Pena que não vivi em um bom Ashram.

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