Depois de ler no Twitter de um famoso pastor que, hoje, ele e outros pastores irão entrevistar a candidata do partido verde, a irmã Marina Silva, uma senhora com fama de ser compulsiva por árvores em pé e honesta, comecei a escrever um texto sobre o tema, mas acabo de enviá-lo ao arquivo de fogo onde há enxofre suficiente para liquidá-lo. Essa é uma perda de tempo intolerável. Por alguma razão desconhecida, resolveram que a próxima pessoa a ocupar a presidência deve ser uma mulher, de preferência negra ou cabloca, não importa qual. Sou suficientemente inocente para pensar que se houver uma mulher preparada, com as competências necessárias e um maldito projeto para o país, naturalmente ela acenderá à presidência, independentemente do seu sexo, cor ou religião.

Mas isso não é assunto para mim. No momento, devo me ocupar em encontrar soluções bem mais domésticas, como o pão nosso de cada dia, segurança para não ser vítima do mal e perdão das minhas dívidas. Os pastores não têm esses meros problemas muito comuns aos grutenses. Aliás, quando abri o Word para digitar esse texto, recebi mensagem gentil da Microsoft me avisando que meu software não é original. Estou pensando em processar a empresa do Bill por invasão de domicílio privado. Tenho dois softwares Office originais abandonados por vencimento do prazo de validade e sou obrigado a usar um pirata se quiser ter programas atualizados. Isso é problema de gente enfiada em buracos de pedra.

O Tio Cássio não ligava a mínima para questões ecológicas e não fazia segredo disso. Eu mesmo, o recriminava, mas não se faz mais pastores como ele. Declarava-se um urbanóide, pois detestava areia de praia nos pés e picão de mato nas calças. Gostava de andar de carro, de preferência pelas avenidas mais movimentadas, morar no vigésimo andar de um condomínio de luxo e seu passatempo predileto era consumir. Isso mesmo, postava-se em frente à sua TV para assistir o Shop Tour e adquirir o que pudesse com seus novecentos cartões de crédito. Acho que nunca mais conhecerei alguém tão politicamente incorreto como ele. Pior é que ele se gabava disso. Morreu feliz há dez anos e não viu nenhuma devastação ambiental.

Você consegue imaginar cinco pastores gastando meia segunda-feira em entrevistar a Marina Silva? Posso até ver o cordão dos puxas sacos declarando-se eleitores da mulher por todos os blogs, amém. Ah, sim, não quero falar disso. Estava pensando em juntar cinco pastores para entrevistar, ou melhor, implorar à Adélia Prado que se candidate a presidência urgente. Ela é contra o feminismo tanto quanto é contra o machismo. Isso é uma grande plataforma para o, digo, a próxima presidente da república das bananas do Brasil. Se é para ir para o inferno por não cumprir o ministério, que seja pela escolha de uma candidata minimamente aceitável. Pelo menos a Adélia é branca, burguesa e bonita, além de sábia. Mas a tendência parece ser por uma mulher, negra e sem preferência sexual declarada. Bom, nos Estados Unidos elegeram um negro, na Argentina, Chile e Alemanha mulheres, então chegou a hora de termos na presidência uma mulher negra, não importa o currículo, nem mesmo se ele existe e, caso exista, se é autêntico.

E eu pensando que pastores fossem os caras que deveriam cuidar do rebanho de Deus, da evangelização, de missões, aconselhamento espiritual e da oração, sem falar da pregação, claro. Agora eles entrevistam candidatas. Pode? Sou do tempo em que não ter preconceito era não notar as diferenças. Bom, isso era em outros tempos e manter tal desatino é pedir para ser tachado de ultrapassado. O mundo está caminhando a passos largos para as mãos dos gays, das feministas e das psicólogas. Isso vai arder e haverá choro e ranger de dentes.

O que era mesmo que Jesus queria que fizéssemos? Deixa pra lá, ele morreu mesmo.

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