Educação de Raiz
Roteiro de Vida
30/09/12

Meu professor de redação e escritas perdidas e desnorteadas dizia sempre: “Quanto pintar uma ideia, sente e escreva”. Quando deixamos para depois, essa ideia estará condenada a ser ideia para sempre, ou forevis como diria meu amigo Mussun, o homem que bebia mé demais.
Estava aqui procrastinando no Facebook, uma ferramenta extraordinária para procrastinadores compulsivos, quando essa ideia me veio à cabeça. Não que fosse nova, afinal, desde que passei pelos ensinos e discipulados do Zenon Lotufo Jr. Não só adotei a análise dos roteiros como regra e prática para entender gente complicada feito eu mesmo, como me atrevi a fazer palestras e dirigir workshops (eufemismo, de seminário) sobre esse tema, por aí.
Minha mãe bem que tentou me transformar em um idiota obnóxio e seguidor obediente do roteiro de funcionário público, uma tradição da família, trazida por minha avó da Itália e sabe-se lá por quantas gerações foi seguido. Na Itália, não se rompe com os roteiros de vida, facilmente. Para minha alegria, meu pai havia rompido com o roteiro que o pai dele queria torna-lo seguidor, ao fugir de casa através de um circo que passou pela cidade, aos quatorze anos. Aos dezoito ele estava viúvo e era pai de dois filhos, um falecido e nenhum deles era eu.
Se consegui escapar do roteiro familiar, em parte, nem assim escapei dessa maldição e acabei vitima do roteiro maior e mais contundente, aquele que chega a todos nós via escola, igreja e meios de comunicação. Você não acreditará se eu lhe disser (supondo que você esteja lendo esse texto em algum século posterior ao XXI) que as pessoas do meu tempo acreditam na seriedade da escola compulsória. Bom, elas também acreditam em urnas eletrônicas para eleições. Pais entregam seus filhos amados aos verdugos, ditos professores, na mais tenra idade (dos filhos, lógico) e esses endemoniados os transformam em seres servis e totalmente adaptados para servir ao “grande irmão”.
Estranho é que seguir carreira artística, por exemplo, nunca faz parte dos roteiros apresentados e adotados. Pessoas que seguem essas direções liberais precisam romper com os roteiros de vida dados.
O Roteiro, ao qual me refiro e que denomino de “social” começa com um negócio denominado “alfabetização”, a maior fraude já inventada pelo ser humano. Quando ainda me considerava um professor de educação física, fui escalado pelo digníssimo diretor do Centro Municipal de Esportes do Ibirapuera para ministrar um curso de natação, o mais requisitado pelos frequentadores daquela pocilga. Disse mais o Arthur, o cara de quem vos falo, “você terá que fazer isso (ensinar todos aqueles bodes velhos ou jovens a nadar) em apenas dezesseis aulas, pois é o único tempo que dispomos na agenda de nossa piscina publica, e à noite.”
Diante disso, me vi dizendo aos quase cem alunos, na primeira aula, que não estava ali para ensinar ninguém a nadar. Depois da pausa para o espanto geral, completei informando ao grupo que todos já sabiam nadar, bastava apenas convencê-los a acreditar nisso. Confesso que minha atitude desesperada foi puro impulso e nem sabia direito o que faria a seguir. Mas deu certo, pelo menos com a maioria. Houve uns três ou quatro afogamentos nas primeiras aulas, mas nada fatal, apenas precisei molhar a minha roupa, em uma noite mais fria.
Até hoje, vejo anúncios em escolas da natação para o pessoal participar de curso “Aprenda a nadar em 16 aulas”. Acho que sou o responsável por mais essa insanidade, por puro acaso.
Em outras palavras, gastei as outras quinze aulas em exercícios que comprovavam minha tese, ao invés daquelas panaquices próprias de professorezinhos de meia tigela, encontrados aos montes por aí, que passam meses ensinando as pessoas a respirar na água, bater pernas e dar braçadas.
Colaborou com isso, uma das minhas alunas que foi ao curso com a filha e seu cãozinho pequinês. Ela entrou no Centro, na minha frente, e disse para a filha esperá-la na lanchonete com o cão, enquanto ela fazia a aula. Discordei, imediatamente, e solicitei que a filha e o cão entrassem com ela, pois precisaria deles naquela noite, para surpresa delas. Coloquei a turma toda sentada em um dos lados da piscina e atirei o cão na água. Em seguida, pedi que o grupo me dissesse o que o cão estava fazendo. Todos, em uníssono, disseram: nadando! Pedi para repetirem mais alto, então gritaram: nadando! Então perguntei: “Ele está respirando?” Sim. Responderam todos. Está se movimentando? Sim. Como? Perguntei. Movimentando as patas. Desordenadamente? Não! Gritaram todos. Então declarei solenemente: “Se um m…de um cachorrinho imbecil como esse aí, é capaz de nadar com todos os movimentos necessários (respiração, movimentação sincronizada de pernas e braços), quanto mais vocês, um bando de seres humanos supostamente inteligentes.
Alguém aí já tentou convencer um cão de que ele não sabe nadar, ou ler, ou escrever, ou que a bíblia é a palavra de Deus?
Quem foi que te convenceu que você não sabia nadar? Ou ler, ou escrever, ou fazer conta de mais? Ou que se não conseguisse ler a bíblia iria para o inferno?
Meu filho, devido à limitação causada pela cardiopatia congênita dele, não foi a escola além do primeiro ano fundamental, mais do que dois meses. Ele lê, escreve, soma melhor do que a média das pessoas com esses dotes. Periga ser muito acima da média. Nem me lembro direito o que foi que fizemos para tanto. Se não me engano, ele encontrou tudo sozinho, apenas não se sujeitando a limitações de roteiros cretinos.
A melhor forma de obrigar alguém a “aprender algo em escolas” é convencê-la de que ela é ignorante. Morro de dó das pessoas adultas, na meia idade, sendo constrangidas em salas noturnas ou diurnas, tipo mobral, sob a falsa crença de que são ignorantes e analfabetas. Garanto que elas, sem exceção (mesmo aquelas com QI menor) conhecem todas as letras do nosso alfabeto e são capazes de fazer as junções necessárias para falar. A resposta a isso é evidente, caso alguém ainda atreva-se a questionar.
Como esperava, a maioria discordou de mim, silenciosamente. Naquele momento, todos, sem exceção, sentiram-se menos aptos do que aquele horroroso e inoportuno pequinês. Todos estavam competentemente convencidos de sua incapacidade em nadar. Mas ninguém, nem mesmo o mais pateta dos presentes, teve coragem de me contradizer ou discordar publicamente. Calaram-se como sempre fazem os covardes. Então sugeri que todos entrassem na água. Isso foi engraçado porque todo mundo correu em direção à escadinha. Essa foi uma das raras oportunidades em que usei meu apito (a melhor ferramenta a serviço de um professor de educação física), eles pararam e me olharam. Solicitei que voltassem e tomassem lugar na beirada lateral da piscina. Então informei: Escadinhas servem para nadadores com mais de noventa anos, os outros devem entrar na água através do mergulho. Para diminuir a ansiedade geral, informei que a piscina era rasa, para pessoas com mais de 1,80 m. Eles pularam, digo, mergulharam, claro, a maioria em pé, mas pularam. Alguns demoraram um pouquinho para se aprumar, mas nada que requeresse os serviços do salva-vidas de plantão, no caso, eu mesmo. Depois disso, ordenei que começassem a nadar, exatamente como fez o cão infeliz. Também, com aquela dona… E foi assim até a última aula, ocasião em que todos, sem exceção, pareciam pessoas que nadavam desde sempre.
E = mc² Energia e Matéria são formas diferentes da mesma coisa.
Toda essa lorota piscinesca para lhes dizer que o mesmo se dá com a tal alfabetização. Isso é estranho, então qual seria a verdadeira intenção da escola pós-revolução industrial? Formar trabalhadores (eufemismo de uma neo escravidão humana) para as fábricas e, posteriormente, para os bancos, o comércio, o funcionalismo público, as atividades comerciais em geral, telemarketing, etc. Ah, o John Wesley viu aí a oportunidade para “evangelizar” mais apropriadamente e iniciou a “escola dominical”, um mix de escola alfabetizadora e bíblica, ao mesmo tempo e forneceu o modelo embrionário a ser seguido. Com a linguagem natural, as pessoas não estavam aptas ao trabalho industrial e, tampouco, a obedecer aos mandamentos de Deus.
Para ser patrão e rico, não há necessidade de formação escolar, bíblica ou aquática. Qualquer traste com alguma criatividade pode se tornar as duas coisas. Os exemplos estão por ai, ao todo. Mas o fundamental é escapar do roteiro de vida que nossos pais, professores, políticos, psicólogos e pornalistas (gente que escreve pornografia em jornais, revistas, internet, etc.) querem nos impingir, desde que nascemos. Uma das frases mais usada por essa gente é: “Você não sabe nada disso“.

As duas caixas do homem
15/07/12

Já resumi minha teoria da educação dizendo que o corpo carrega duas caixas. Uma delas é a “caixa de ferramentas” onde se encontram todos os saberes instrumentais, que nos ajudam a fazer coisas. Esses saberes nos dão os meios para viver. Mas há também uma “caixa de brinquedos”.
Brinquedos não são ferramentas. Não servem para nada. Brincamos por que brincar nos dá prazer. É nessa caixa que se encontra a poesia, a literatura, a pintura, os jogos amorosos, a contemplação da natureza. Esses saberes, que para nada servem, nos dão razões para viver.. A “caixa de ferramentas ” guarda muitos livros : manuais, Listas telefônicas, livros de ciências. Na “caixa de brinquedos” Estão os livros de literatura e poesia que devem ser lidos Pelo prazer que nos dão.
Obrigar uma criança ou um Adolescente a ler um livro de que não gosta só tem um resultado : desenvolver o ódio pela literatura. É o que acontece com os jovens que, preparando-se para o Vestibular, são obrigados a ler resumos. A receita para destruir o prazer da leitura é
colocar um teste ao seu final para avaliar o aprendido. Ou pedir que se faça um fichamento do livro lido.
(Rubem Alves. Crônicas : Educação. Samuel Lago(org.) Curitiba : Nosso Cultura, 2008.
Duas Classes, Duas Escolas
14/07/12

“Em toda sociedade civilizada existem necessariamente duas classes de pessoas: a que tira sua subsistência da força de seus braços e a que vive da renda de suas propriedades, ou do produto de funções onde o trabalho de espírito prepondera sobre o trabalho manual. A primeira é a classe operária; a segunda é aquela que eu chamaria a classe erudita.
Os homens da classe operária têm desde cedo necessidade do trabalho de seus filhos. Estas crianças precisam adquirir desde cedo conhecimento e sobretudo o hábito e a tradição do trabalho penoso a que se destinam. Não podem, portanto, perder tempo nas escolas.
(…) Os filhos da classe erudita, ao contrário, podem dedicar-se a estudar durante muito tempo; têm muita coisa a aprender para alcançar o que se espera deles no futuro.
Esses são fatos que não dependem de qualquer vontade humana; decorrem necessariamente da própria natureza dos homens e da sociedade: ninguém está em condições de poder mudá-los. Portanto, trata-se de dados invariáveis dos quais devemos partir.
Concluamos, então, que em todo Estado bem administrado e no qual se dá a devida atenção à educação dos cidadãos, deve haver dois sistemas completos de instrução que não têm nada em comum entre si.”
Destutt de Tracy (1802)
Citado em “A Pedagogia do Trabalhador” de Maria Nilde Mascellani
Divagações sobre as letras
09/02/12
Acho que não sou favorável à alfabetização. Calma, deixa-me explicar. Também não sou contra. As pessoas tendem a jogar você do outro lado da avenida se lhe ouvem dizer que não gosta do lado de cá. Bobagem. Não gosto do Lula, isso não me torna um neoliberal ou um membro do PSDB. Também não gosto da maioria desses outros caras.
Para mim, alfabetizar é mais uma das artimanhas do diabo. Analfabetos não podem ler a Bíblia, por exemplo. Sem isso o diabo está acabado, pois sua maior virtude, digo, meio para atingir seus fins, é embromar os incautos através de traduções, versões, teologias, etc., de origem bíblica. Seus maiores ajudadores são os alfabetizadíssimos pastores, padres, rabinos, monges e que tais. Tenho até uma certeza aqui, ou seja, não é pecado algum, não ler a bíblia.
Outra forma do capetinha existir é através da politica e esses caras, os políticos, vivem da alfabetização alheia. Só os alfabetizados podem preencher uma declaração de imposto de renda, pior, os não alfabetizados não podem ser culpados, legalmente, por não cumprir uma lei que eles desconhecem e os sócios do clube da urna eletrônica que adoram promulgar uma boa leizinha, especialmente dessas que geram milhões em impostos e arrecadações públicas, tratam de manter o direito dos analfabetos em segredo. Os não-alfabetizados podem votar, mas não são obrigados. São os alfabetizados que fazem essas “otimas” escolhas que estamos carecas de ver.
Quem também adora um alfabetizado são os grandes donos do capital, pois se as pessoas não fossem alfabetizadas para lerem suas propagandas diretas ou indiretas, dificilmente consumiriam suas porcarias e badulaques.
Psicólogos também só podem trabalhar, digo, “ajudar” as pessoas se elas forem alfabetizadas. Sem esse componentezinho infernal, seu trabalho seria quase impossível. Esses agentes do mal precisam que seus clientes leiam e muito. Já imaginaram um desses profissionais perguntando a um provável cliente qual a preferência dele: Vai querer a froidiana ou a junguiana. Temos ainda, a comportamental, a análise transacional e a Gestalt, e o tal não fosse um alfabetizado?
Depois há os juristas, gente que odeia analfabetos, pois eles não entendem as leis.
Claro, não podemos esquecer os professores, uma classe que nem existiria sem as letras. Sem falar que é por meio deles que nos fazem adentrar aos meandros das prisões do saber.
Os camponeses não precisam de letras para produzir alimentos saudáveis. Os ferreiros também dispensam a alfabetização para ferrar os cavalos. Os índios compreendem a fauna e a flora sem nunca ter lido uma letra se quer.
Jesus Cristo não fez caso das letras. Para ele, o homem sábio era só alguém com experiências depositadas em seu tesouro e elas não incluem a alfabetização. O amor, em todas as suas concepções, também não requer o letramento das pessoas. O amor é analfabeto.
Educação Participativa na Igreja
30/12/11
Ontem o Miguel Silva postou essa foto da turma dele no Seminário do JV (Jovens da Verdade) capturada em 1988. Apareço entre o pessoal pois, nesse dia, havia dirigido os estudos do pessoal, provavelmente sob o tema Missões.
Logo que a foto apareceu no Facebook, a maior parte do pessoal registrado nela foi aparecendo rapidamente e acabou fazendo muito sucesso. A tal ponto que resolveram criar um grupo deles no FB e, além de juntar toda a turma deles, incrementar com mais fotos, testemunhos, históricos, etc.
Com essa, saí ganhando de várias formas, primeiro por matar a saudade desse pessoal. Sempre fui daqueles médicos que se apaixona pelos doentes, ou melhor, professor apaixonado (no bom sentido) por seus alunos. Ganhei novos elogios e fotos inusitadas e importantes para mim, em algumas com a minha figura peculiar.
Um detalhe que me chamou a atenção, em especial, foi o fato de perceber quase todos ainda envolvidos com o ministério e em instituições sérias, alguns com grande destaque, inclusive. Uma vez, em viagem aos Estados Unidos, fui visitar o Paul McCoy a pedido do Volney. Ele fora um dos professores do Palavra da Vida, durante um tempo e estava dirigindo a Junta de Missões Mundiais da Igreja Presbiteriana norte americana, então. Eu o conhecia vagamente. Nossa conversa começou com a troca de informações pessoais e depois que apresentei as minhas credenciais ele fez um comentário que nunca mais esqueci: “Acho que dei minha pitada de contribuição, ainda que minúscula, na sua formação”, isso porque vários dos meus mentores, Volney inclusive, foram alunos dele.
Minha passagem pela escola de formação de obreiros dos “Jovens da Verdade” teve suas polêmicas. Naquela época, eu já acreditava na máxima socrática adotada por Galileu Galilei em termos de educação: “Não posso ensinar nada a ninguém, no máximo ajudar as pessoas as descobrirem Deus (tudo que existe) dentro delas mesmas”. Soma-se a isso minha total adesão a princípios dos tempos do Vocacional, tais como: Livre pensar, trabalho em equipe, estudo do meio e vai por aí. Dra. Louise Mackney dera uma pincelada na minha formação professoral me convencendo que a pessoa mais importante em uma sala de aulas é o aluno, jamais o professor e o abandono completo e irrestrito das aulas expositivas (não confundir com sermão expositivo).
No dia da formatura dessa turma fui convidado para ser paraninfo e meu discurso (não sei se eles se lembram) foi a leitura da tradução da letra de “Imagine” de autoria de John Lennon ao som da música original. Tudo fora dos padrões para a época, imaginem.
Olha, posso estar enganado, mas poucas turmas tiveram um aproveitamento tão grande quanto essa. Pode ser coincidência, mas acredito que tudo isso teve impacto muito positivo na formação deles. Os outros professores da época contribuíram, o Jasiel e a Ivone (diretores da escola) também ajudaram com o jeito despojado e dedicado deles, certamente. Vejo minha participação nisso como a do Paul McCoy foi para mim, uma pitada de contribuição na formação desse grupo.
A conclusão quase obvia é que vale a pena apostar na educação (e/ou formação) participativa. É uma pena que os métodos de Educação adotados nas escolas brasileiras, de todas os níveis, seja o modelo pós Revolução Industrial, cujo único objetivo é criar mão de obra para trabalhar nas linhas de montagem de suas fábricas. A Igreja pode estar como está, em grande parte, devido à educação equivocada empreendida pelas escolas teológicas e ministeriais. Afinal, como ensina o Max Weber, o capitalismo criou-se na esteira do protestantismo (no caso dos EUA e da Europa).
Lições da mãe tigre
25/01/11
Autora do livro Hino de batalha de uma mãe tigre chinesa, recém-lançado nos Estados Unidos, Amy Chua acredita que regras duras e cobranças rígidas são o caminho para criar bem os filhos. Livro chega ao Brasil no segundo semestre.
“O tigre, símbolo vivo de força e poder, costuma inspirar medo e respeito”. É assim que a sino-americana Amy Chua introduz seu método de ensino e educação no livro Battle hymn of the tiger mother (Hino de batalha de uma mãe tigre), lançado no dia 11 de janeiro nos EUA. Um livro que deixou mães e pais norte-americanos em polvorosa após o Wall Street Journal ter lançado um artigo da autora, expondo em detalhes seus métodos rígidos e uma crítica ao jeito de educar das famílias ocidentais. Professora de direito da universidade norte-americana Yale, Amy conta como criou as duas filhas, Sophia, de 18 anos, e Louisa, de 14, com disciplina, muita disciplina e mais disciplina ainda.
Na casa dos Chua, as regras são rígidas e bem delimitadas:
1. As tarefas da escola vêm sempre em primeiro lugar
2. 9 é uma nota ruim
3. Seus filhos precisam estar dois anos à frente de seus colegas de classe em matemática
4. Não se deve nunca elogiar seu filho em público
5. Se o seu filho alguma vez discordar do professor ou do treinador, você deve sempre ficar do lado do treinador ou do professor
6. As únicas atividades que você deve permitir que seu filho faça são aquelas pelas quais ele pode eventualmente ganhar uma medalha
7. Essa medalha deve ser de ouro
Parece exagero? Não para uma mãe chinesa como Amy Chua que acredita acima de tudo na tradição. “Como filha mais velha de imigrantes chineses, não tenho tempo para improvisar e fazer minhas próprias regras. Tenho um nome de família para defender e pais para orgulhar. Gosto de objetivos claros e formas claras de medir o sucesso”, escreve. Ao controlar os horários dos filhos, as atividades que eles vão realizar (é ela que escolhe, nunca as crianças), fazer cobranças duras e exigir sempre o melhor, Amy pretende garantir que nada saia do planejado e que seus filhos estejam preparados para superar os desafios da vida.
A favor de Amy, estão os conhecidos resultados da educação asiática pelo mundo, com gênios prodígios da matemática e músicos de sucesso aos 5 anos de idade. Mas será que ser um violinista prestigiado internacionalmente ou ganhar o primeiro lugar nas Olimpíadas de Matemática da escola é o mais importante para uma criança? “São critérios muito objetivos para lidar com algo tão subjetivo quanto o ser humano. Existem fatores que não são contemplados neste modelo de recompensa. Ele premia quem executa algo bem e isso só pode ser atingido com a prática. Mas quem é bom no que faz nem sempre é necessariamente feliz”, afirma Rita Calegari, psicóloga do Hospital São Camilo (SP).
No livro, ela também expõe as dificuldades, principalmente com a filha mais nova, a única que realmente questiona os métodos da mãe. Certa vez, Amy disse que deixaria Lulu (a Louisa) sem festa de aniversário, sem bonecas, sem comida e sem ir ao banheiro até que ela conseguisse tocar com perfeição uma música difícil no piano. A prática diária do piano e do violino sempre veio em primeiro lugar, mesmo nas férias, finais de semana e viagens em família. Mas foi a filha mais velha, que tomou as dores da mãe e escreveu uma carta ao jornal para defendê-la de mais de milhares de críticas em forma de comentários de leitores, artigos e reportagens. Veja a tradução no post “Filha defende mãe-tigre das críticas” do blog 7×7, da revista Época.
Se nós estranhamos tanto a conduta de Amy, em parte deve-se ao abismo que existe entre as crenças dos ocidentais e orientais. E Amy aponta essas diferenças: “Pais ocidentais tentam respeitar a individualidade das crianças, encorajando-as a buscar suas paixões verdadeiras, apoiando suas escolhas e proporcionando reforços positivo e um ambiente estimulante. Em contraste, os chineses acreditam que a melhor forma de proteger seus filhos é preparando-os para o futuro, fazendo-os ver do que são capazes e armando-os com habilidades, hábitos de trabalho e confiança interna que ninguém jamais poderá tirar.”
Para ela a sua conduta não é ofensiva, na verdade é tudo muito natural. “Precisamos respeitar o que ela escreve, porque faz parte de sua cultura e tradição. Não há dúvidas de que ela ama as filhas e se dedica muito ao que acredita ser o melhor para elas. O problema é que às vezes queremos fazer o bem, mas acabamos fazendo o mal”, afirma a psicóloga Rita Calegari. A própria mãe tigre, em seu livro, reflete sobre o que poderia ter feito diferente, confessando em alguns trechos que às vezes se arrepende por ter sido tão dura com as filhas. Mas garante que, com suas cobranças, está apostando e acreditando no potencial das filhas.
Enquanto isso, os ocidentais realmente vivem uma crise por serem permissivos demais na educação dos filhos. Olhando de fora para os dois modelos de educação, pode ser que os orientais foquem demais o dever, e os ocidentais, o prazer. O ideal, no entanto, seria sempre buscar o equilíbrio. “O fato é que os ocidentais podem e devem aprender a ser mais duros e disciplinadores. Por outro lado, não podemos ser tão radicais. É bom sempre avaliar se estamos muito críticos ou flexíveis demais”, diz Rita.
5 coisas de Amy Chua para você refletir
- Acredite no potencial do seu filho: Não desista quando ele fracassar na primeira tentativa. Para ela, os pais ocidentais cobram pouco dos filhos por medo de abalar sua autoestima e porque, secretamente, não conseguem lidar com o sentimento de decepção quando seus filhos não correspondem às suas expectativas.
- Se envolva mais nas atividades dele: A mãe tigre se dedica quase integralmente aos filhos, acompanhando todas as suas atividades e o desempenho em cada uma delas.
- Tenha convicções quanto à educação do seu filho: Apesar de ter feito uma escolha de modelo parental polêmica, Amy Chua é verdadeira e acredita plenamente no que está fazendo. Ela está segura, e, portanto, passa segurança para as filhas.
- Cobre mais disciplina: Para a mãe tigre, a prática repetida leva à excelência – e por isso as crianças chinesas são tão boas em matemática e instrumentos musicais. Ela acredita que os pais ocidentais são muito tolerantes com relação ao treinamento.
- Sinta-se no direito de cobrar reconhecimento: para Amy, os filhos devem tudo aos pais, que se sacrificam e fazem de tudo por eles.

Battle Hymn of the tiger mother
(Hino de batalha da mãe tigre)
Fonte: Site da Revista Crescer
E se eu tivesse um milhão de dólares?
04/01/10
No caso da Gruta, abriria uma escola nos moldes do Vocacional, acrescida de sólida formação teórica e prática em finanças, sob os olhares de princípios cristãos mais pós modernos e muita antenagem no mundo digital.
Além de vivenciar todas as etapas do processo, as técnicas pedagógicas, como o estudo dirigido (em pequenos grupos ou equipes montadas com sociogramas), estudo do meio e seminários permitem e garantem um ensino, verdadeiramente, democrático. As Unidades Pedagógicas propiciam o avanço dos estudos desde a escola até o mundo, passando pela comunidade, a cidade, o estado e o país, possibilitando a interação e aprendizado em todas as fases. Atividades complementares nas áreas das Artes, práticas comerciais e industriais, mídias e esportes, aliadas a embasamento teórico ruminado em seminários e grupos, além das imprescindíveis leituras, seja nos livros ou nos desagradáveis E-books dos nossos dias, dariam aos alunos uma sólida formação democrática e, ao mesmo tempo, equilibrada. Só não contrataria psicólogos e assistentes sociais, em comparação com as equipes docentes atuais. Veja a série sob a rubrica “Educação de Raiz”.
Obs: Nos blogs LHM Desenvolvimento e Projeto Coração Valente estarão sendo postados textos sob o mesmo tema e destinação específica.
Amanhã, será um lindo dia… cibernético.
11/12/07
Na década de sessenta estudei em uma escola chamada Vocacional, durante seis anos. O autor da música Amanhã (Guilherme Arantes) foi meu colega, nesse tempo. Essa escola foi considerada, à época, “a escola do futuro” por sua proposta de ensino holístico e que incluía métodos capazes de estimular a participação, a vivência democrática e, sobretudo, a pesquisa, entre outra inovações. Na verdade, o futuro a que a revista Realidade (famosa na época) se referiu, viria a ser os anos setenta e oitenta, não mais do que isso. Com a chegada da revolução da informática, da informação e da globalização, a partir dos anos noventa, o Vocacional seria ultrapassado ou precisaria se reciclar. Como a experiência foi extinta pelo governo militar em 1969, ficamos sem conhecer esse futuro.
Ultimamente, grande parte do pessoal ligado à experiência Vocacional (alunos, professores, funcionários e parentes) tem se encontrado e tem havido algum estimulo em recuperar os pressupostos perdidos. Mas a escola, hoje, é um tímido Banco de Dados, se tanto. Poderia ser dinamizado como tal. A maior parte do material continua em poder dessas pessoas que sonham com a volta do sistema. Mas creio que seria mero exercício de nostalgia. Seu tempo passou. Foi relevante sim, eu que o diga.
A transformação e o avanço dos meios de comunicação, sobretudo, através das redes informatizadas e motorizadas pelos sistemas via satélites, ultrapassaram a experiência longínqua e requerem outras opções que correspondam aos tempos pós-modernos que estamos experimentando. Sei que ninguém quer assumir, mas a escola como a conhecemos não tem mais razão de ser. Assim como o Vocacional, ela deveria ser um grande Banco de Dados em alguns sites para livre acesso via Google. Aliás, no último sábado (dia 8 de dezembro) houve um grande encontro da turma do Vocacional em algum desses bares da vida paulistana.
Em todo o mundo, a escola foi invadida por outros interesses. Gente muito má da laia dos capitalistas nojentos, traficantes, ladrões, pedófilos, narcisistas, prepotentes, etc… as invadiu. Claro que todos se apresentam devidamente disfarçados de educadores. Quando os pais levam os filhos para a escola estão escolhendo deixar que essas quadrilhas eduquem-nos. A Internet também tem gente má, mas oferece instrumentos muito mais seguros aos filhos e seus pais para evitá-los.
Um dos fenômenos que experimentamos com o nosso filho que não pode continuar na velha escola a partir da segunda série (expondo as falácias das propostas de inclusão) é que a grande rede pós moderna de comunicação supriu-lhe tudo e muito mais. Provavelmente o nível de aprendizagem dele ultrapassa, em muito, a média entre os jovens de sua idade. Claro que para dar continuidade, ele terá que sucumbir a bobagens retrogradas como certificados e diplomas (que deverão ser obtidos via supletivos da vida), expedidos por gente que não tem a menor noção do mundo em que está vivendo e sem nenhuma condição de avaliar e identificar um produto da educação pós-moderna autêntico.
Ah! Mas e a convivência, a interação e a sociabilidade como fica? A escola sempre buscou suprimir isso em meio ao desespero e arrepio dos professores, bedéis e diretores que gastaram grande parte do tempo reprimindo os alunos em seus relacionamentos. Essa gente é Montessoriana e deseja um bando de cordeiros sentados em cima da linha para impor seus conceitos bestializantes e curralísticos. Quando não, são imorais traficando sua imoralidade (denominada de nova-moralidade) e não estou falando da moralidade cristã. Creio que outros núcleos de socialização deveriam surgir. Infelizmente, os clubes esportivos e de lazer não foram adiante, também.
Os governos não se preocupam com isso. Estão todos voltados para a corrupção, o petróleo e as fontes de energia e não tem tempo e dinheiro para essas insignificâncias necessárias ao ser humano. Em outras palavras, a escola não tinha essa proposta, nem o Vocacional, que estimulava a interação desde que fosse em sala de aula, sob o controle do grande irmão. Relacionamentos espontâneos, nem pensar. Sexo era pecado e fim. Devia continuar sendo praticado na calada da noite e sob o tapete da hipocrisia. Continua sendo, mesmo tendo ido de um extremo ao outro.
As escolas não estão a fim de estimular o estudo sadio desse tema. Os defensores da nova moralidade estão deitando e rolando e o resultado aí está. Todos meus amigos consideram “normal” seus filhos “ficarem” por aí, nessa frenética troca de parceiros, com sexo promíscuo, álcool e drogas inclusos.
Comecei esse texto pensando na igreja. Parti da escola para chegar lá, mas não consegui sair da introdução. Então terei que escrever em duas ou mais partes. Mais ou menos, já deu para entender onde quero chegar, mas faremos isso nos próximos posts, se Deus quiser e eu tiver alguma vontade extra.
O ESTUDANTE, O PEIXE E AGASSIZ
22/06/06
Quinta-feira, Junho 22, 2006

O Dr. Shedd adora essa história. Todos os anos, narra aos seus alunos e, não contente, insere-a na apostila de Novo Testamento. Acho que não confia muito nos ensinos efetuados em Métodos de Estudos Bíblicos. De fato, funcionou comigo. Adotei o método indutivo, não só como forma de estudo, mas como forma de discipulado ou ensino, também. Meus alunos que o digam.
Há muito tempo, entrei no laboratório do Professor Louis Agassiz e lhe disse ter me matriculado na Faculdade de Ciências como estudante de História Natural. Ele me perguntou acerca de meu alvo em me matricular, meu passado em geral, o modo pelo qual eu pretendia usar o conhecimento adquirido e, finalmente, se desejava estudar um ramo especial. À última respondi que, embora desejasse conhecer bem todos os departamentos de Zoologia, propunha dedicar-me especialmente aos insetos.
Quando quer começar? – Perguntou-me. Agora. – Respondi.
A resposta o agradou e com um enérgico “muito bem” retirou da prateleira um jarro enorme de espécimes em álcool amarelado. Tome esse peixe. – Disse ele – Observe-o. Nós o chamamos de haemulon. Mais tarde, lhe perguntarei o que viu. Com isso me deixou, mas, voltou logo com instruções explícitas quanto ao cuidado do objeto, a mim, conferido.
Não é digno de ser naturalista – disse o professor – quem não souber cuidar dos espécimes. Deveria guardar o peixe sob as minhas vistas na vasilha e de quando em quando molhar a superfície com álcool do jarro, tomando cuidado, sempre, de tampa-lo seguramente, depois. Naquele tempo, não havia rolhas de vidro e jarros elegantes para exibições. Os velhos estudantes se lembram dos enormes jarros antigos, com rolhas frouxas, cobertas de cera, meio carcomidas por insetos e sujas de poeira. Entomologia era uma ciência mais limpa do que a Ictiologia, mas o exemplo do professor que, sem hesitação imergiu a mão até o fundo do jarro para indicar o peixe, foi contagioso e embora este álcool tivesse cheiro antigo e de peixe eu não podia mostrar aversão dentro desse prédio sacro.
Então tratei o álcool como se fosse água pura. Ainda fiquei ciente da emoção transitória de desapontamento, porque o fixar no peixe não recomendava bem a um ardente entomologista. Meus amigos em casa também ficavam aborrecidos quando achavam que nenhuma quantidade de água de colônia podia abafar o perfume que me apoquentava.
Em dez minutos eu havia visto tudo o que podia ser visto naquele peixe e comecei a buscar o professor. Contudo, ele havia saído do museu. Ao voltar, gastei algum tempo com outros animais esquecidos em outro departamento, enquanto meu espécime ficara completamente enxuto. Aspergi o líquido do peixe como se pretendesse ressuscitá-lo e esperei, com ansiedade, a volta do aspecto quase lodoso e normal. Terminado este divertimento, nada podia fazer senão voltar a olhar constantemente para meu companheiro mudo.
Meia hora se passou, uma hora, mais uma e o peixe começou a tornar-se detestável. Virei e revirei, olhei de frente – horrível; por trás, por baixo, por cima, de lado, por todos os ângulos – tão horrível quanto antes. Eu estava em desespero. Há uma hora antes do costume conclui ser necessário almoçar. Então, com grande alívio, repus cuidadosamente o peixe no jarro e por uma hora fiquei livre.
Ao voltar soube da presença do professor no museu, mas saíra e não voltaria senão depois de algumas horas. Meus colegas estavam ocupados demais para serem perturbados por conversações contínuas. Devagar retirei aquele peixe hediondo e com desespero olhei novamente para ele. Não podia usar lente de aumento; instrumentos de todos os tipos eram proibidos. Minhas mãos, meus dois olhos e o peixe pareciam um campo limitado. Meti os dedos na boca para saber quão afiados estavam os dentes. Comecei a contar as escamas nas fileiras até me convencer de ser isto, uma grande tolice. Finalmente, um pensamento alegre surgiu – desenharia o peixe. Agora, com surpresa, comecei a descobrir novos característicos na criatura. Naquele instante, o professor voltou.
Está bom! Disse ele. O lápis é um dos melhores olhos. Estou contente, também, em notar que está guardando o espécime molhado e o jarro tampado.
Com essas palavras encorajadoras, adicionou “pois, que tal?” Escutou, atenciosamente, meu relatório resumido da estrutura das partes cujos nomes me eram ainda desconhecidos. Guerral e opérculo, poros da cabeça, lábios carnudos e olhos sem pálpebras, barbatana espinhosa e rabo forcado, o corpo comprido e arqueado. Quando terminei, ele me olhava com quem está esperando mais e, então, com aspecto de desapontamento disse: Não examinou cuidadosamente. Por que? Continuou, com sinceridade: Não viu um dos característicos mais conspícuos do animal, tão evidente aos olhos quanto o próprio. Olhe de novo. E me deixou com a minha miséria.
Estava irritado, morto. Ainda mais aquele peixe desgraçado! Mas, agora resolvi me dedicar ao trabalho com vontade redobrada e achei uma coisa nova após a outra, até reconhecer a justa crítica do professor. Aquela tarde passou depressa e quando o professor voltou, a tarde perguntando: Já conseguiu ver aquilo? Respondi: Não senhor, estou certo que não, mas, reconheço ter visto muito pouco antes.
Isso está mais perto do melhor. Disse sinceramente. Devolva o peixe ao jarro e vá embora. Talvez amanhã, volte com respostas melhores. Antes de começar a olhar o peixe, novamente, ouvirei o que tem a dizer sobre ele.
Isto me desconcertou. Não somente teria a obrigação de pensar no peixe a noite toda, procurando qual poderia ser a característica desconhecida mas bem visível, sem ter o peixe diante de mim, como também, sem rever minhas novas descobertas, teria a obrigação de dar conta exata delas no dia seguinte. Minha memória não era grande coisa e, assim, voltei para casa, mergulhado em minhas perplexidades.
No dia seguinte, a cordial saudação do professor me tranqüilizou. Parecia desejar, tanto quanto eu, ver-me enxergando o que ele era capaz de ver. O senhor estaria se referindo ao fato do peixe ter lados simétricos com órgãos emparelhados? Perguntei.
Seu: “Certamente, certamente!” restituiu-me as horas privadas de sono na noite anterior. Depois de conversarmos com alegria e entusiasmo sobre a importância desse ponto, arrisquei perguntar o que fazer a seguir.
Oh! Continue olhando seu peixe! Disse, deixando-me entregue aos meus próprios recursos, novamente. Em pouco mais de uma hora, voltou e ouviu meu novo relato. Bom, muito bom! Repetia. Mas, não é tudo. Continue. E assim, por três dias inteiros ele colocava aquele peixe na minha frente, proibindo-me olhar qualquer outra coisa ou usar ajuda artificial. Olhe, olhe, olhe! Era sua única injunção repetida.
No quarto dia, um segundo peixe do mesmo grupo foi colocado perto do primeiro e fui convidado a indicar as semelhanças e diferenças entre os dois. Depois, outro e outro ‘se seguiram, até a família inteira ficar na minha frente e uma legião de jarros a cobrir a mesa e as prateleiras circunvizinhas. O odor tinha se transformado em perfume agradável. Agora, quando vejo uma rolha coberta de cera e meio carcomida, as lembranças tornam-se flagrantes.
O treinamento do Professor Agassiz no método de observar os fatos e suas disposições ordenadas, sempre foi efetuado pela exortação urgente em não ficar contente com eles. Fatos são coisas estúpidas. Dizia ele. Até serem levados a constituir uma lei geral.
No fim de oito meses, deixei meus amigos, com relutância e comecei a estudar os insetos. O ganho com essa experiência extra, valeu mais que anos inteiros em outras investigações e pesquisas.
Ops: Há uma boa chance desse aluno ter sido Henry David Thoreau, veja aqui.

Escola da Árvore
29/01/06
Estava pensando nisso, quando abri minha caixa postal e encontrei um E-mail da Nina Michaelis. Ela foi minha colega nos tempos de Vocacional. Quando alguém te afirmar ser um ex-vocacional, cuidado, você estará diante de um trator. Graças ao movimento do GVIVE, o pessoal oriundo dessa escola fantástica e sem igual no Brasil está se reencontrando. Assim, tenho trocado mensagens com a Nina. Ela tornou-se uma grande mulher, em todos os sentidos, especialmente, em realizações.
Engraçado, há pouco eu andava encantado com as histórias da Escola da Pedra em Portugal, contadas pelo Ruben Alves e não tinha a menor idéia de haver uma experiência tão ou mais rica, bem aqui, no sul de Minas Gerais e protagonizada por essa incrível pessoa, a Nina.Vamos ler o E-mail:“…Tenho alguma experiência com escolas mineiras. Quando vim morar aqui, a cidade mais próxima ficava a 18 km por estrada de terra, péssima e escola só até 4ª. série. Naquela época, mais pessoas, como eu, resolveram abandonar a cidade e fizemos um plano de montar uma escola cooperativa para nossos filhos. Nessa época, minha mais velha estava na quarta série e a outra na segunda. Juntamos os pais que queriam, montamos uma grade horária e dávamos aulas até embaixo das árvores. Depois, os meninos foram fazendo provas de supletivo para garantir os papéis, mas foi a melhor escola que consegui, pós vocacional. Pais e professores entusiasmados e filhos também. Com o tempo, nossos filhos foram acabando (minhas filhas acabaram o segundo grau desta maneira) e os novos professores que iam entrando já não tinham a mesma garra e os alunos já queriam convívio com outros jovens e a escola acabou. Minhas filhas mais velhas conseguiram entrar em universidades federais, pois, aprenderam a estudar e, todos nós, ficamos com mais uma experiência de uma escola muito interessante, completamente informal e alternativa, mas muito rica. Hoje, meus filhos tem escola do município, do estado e, infelizmente, são completamente sofríveis.
Esta foi minha experiência de mãe e professora. Dei aula de ciências e música durante 10 anos.
Um abraço
Nina
Competência, garra, princípios, clareza não estão a venda e, muito menos, no discurso vazio da militância política. Certo?
Será que alguém lembra do Vocacional? Alguém ai do governo já ouviu falar disso?
De lá, saíram muitas mulheres incríveis como a Nina Michaelis.
Mas, o Vocacional acabou. Foi fechado pela ditadura militar que não queria brasileiros como a Nina.
Entretanto, o papel principal na educação ainda pertence às grandes mulheres.
Você gostaria de ver seus filhos educados por uma grande educadora, em alguma unidade da “Escola da Árvore”? Procure-a em sua casa.
Por favor, não esqueça de deixar seu comentário. Clique no link comments.
# posted by Lou @ 3:45 PM





















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