“E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará“. (Mateus 24:12)

Estive em Moçambique – África em 1981. Nessa época o país estava uma bagunça só, não havia comida para alimentar o povo, as pessoas estavam doentes porque não eram vacinadas, não havia nenhum tipo de medidas sanitárias, o lixo não era retirado das casas, enfim, um caos. Eram dias de Samora Machel líder marxista leninista que acabou morrendo em um acidente aéreo, se bem que a morte se deu quando o avião bateu no chão, imagino. Pouco tempo depois, a esposa dele, com quem cheguei a conversar sobre problemas de educação, ela era a ministra da educação do governo do maridão comuna, casou com o Nelson Mandela. Parece que o negócio da mulher era um presidente qualquer, fosse um de esquerda radical como o Machel ou um liberal moderado como o Mandela.

O detalhe que nos interessava era a situação da igreja. Nessa época, eu trabalhava para uma organização missionária interessada na questão da liberdade religiosa. Os prédios das igrejas continuavam por lá. O governo totalitário e ateísta não havia feito maiores pressões, mas as pessoas havia se afastado delas. Um pouco por medo da hora em que o governo resolvesse cortar a garganta deles, mas muito pelo fato de estarem sem dinheiro e eles estavam acostumados ao tempo em que era preciso ter dinheiro para ir à igreja. Você sabe, era preciso dar o dízimo, ofertas, comprar bíblia, livros, bibelôs gospels, fitas (DVDs da época) e todas as quinquilharias que se vende nesses lugares.

Pude conversar bastante com os pastores, o presidente da Sociedade Bíblica local e as esposas deles e consegui perceber qual era a principal causa das pessoas terem sumido da igreja, com exceção a meia dúzia de gatos pingados aqui e acolá, na verdade, o amor da maioria esfriara e as outras causas só haviam contribuído para tanto.

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